A organização dos espaços na primeira infância

A organização dos espaços na primeira infância

COLÉGIO SANTA MARIA

01 de maio de 2019 | 07h30

Autoria: Karine Rodrigues Ramos e Elizabeth Nishiyama Muniz

 

O espaço revela a passagem, a competência e a memória de seus habitantes. Um espaço acolhedor, de idas, vindas e tempo para experimentar, criar situações de diálogo e de encontros. Na Educação Infantil do Colégio Santa Maria, os materiais são cuidadosamente escolhidos e os ambientes são organizados com intencionalidade curricular, a fim de criar oportunidades de experiências e conexões para conhecer, criar e transformar.

Para romper com o paradigma de uma aula com cadeiras e mesas enfileiradas, é necessário um olhar sensível na postura do professor: a maneira como organiza o espaço revela sua concepção de infância – como vive, pensa, sente e acredita – determina sua intencionalidade educativa.

É fundamental que a gestão escolar garanta a flexibilidade dos espaços e compreenda os movimentos e alterações que possam acontecer na distribuição do mobiliário, dos jogos e dispositivos da sala de aula. O professor precisa sentir-se seguro e autorizado para planejar novos cenários, layouts, instalações e desafios para a sala de aula e também para as varandas, os parques e ambientes coletivos da Escola.

O espaço é vivido e transformado por meio da ação e da relação. Dessa forma, é importante que o professor organize espaços para resolução de problemas, liberdade de movimentos, encontros, expressão por meio das diferentes linguagens da infância com tempo para explorar, sentir, construir, reconstruir e interagir. Neste viés, a aprendizagem é enriquecida com o outro. É na relação que a aprendizagem é nutrida: com desafios, dúvidas, investigações, respeito, diálogo, trocas. Isso vai ao encontro do que Malaguzzi destaca sobre a importância da empatia: escutar a criança e suas cem linguagens!

Por isso, é fundamental planejar situações em que as crianças estejam em constante interação, por exemplo, em roda, olhando umas para as outras, ao invés de sentar em fileiras. Os espaços externos também são carregados de infinitas possibilidades de criação e relação com o inédito. Traduzem a sensibilidade potente das crianças em narrativas e expressões ligadas às percepções que têm sobre o mundo. Neste sentido, a criança tem oportunidade de criar, interagir e transformar o ambiente, a partir dos seus conhecimentos. É protagonista na experiência com o espaço vivido, sentido, percebido.

Uma organização do ambiente pensada não apenas como espaço físico, mas entendida como um convite aberto à criatividade e às relações. Conexões que trazem riquezas de possibilidades. Fios condutores de aprendizagens!

“Para a criança, o espaço é o que sente, o que vê, o que faz nele. Portanto, o espaço é sombra e escuridão; é grande, enorme ou, pelo contrário, é pequeno; é poder correr ou ter de ficar quieto, é esse lugar onde pode ir olhar, ler, pensar”. Fornero (apud ZABALZA, 1998, p.231).

 

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