A Marcha Pela Ciência

A Marcha Pela Ciência

Colégio Santa Maria

12 Maio 2017 | 07h30

Autoria: Helika Chikuchi

No dia 22 de abril, milhares de pesquisadores, estudantes universitários e pessoas que simplesmente se interessam e gostam de Ciência saíram às ruas de vários países do mundo na primeira “Marcha pela Ciência”. O objetivo deste movimento, que se declara apartidário, é dar mais visibilidade e credibilidade à Ciência. Participaram mais de 600 cidades de diferentes países como Estados Unidos, Canadá, Holanda, Inglaterra, Suíça, Alemanha, Áustria, Espanha, Austrália e Brasil. Em algumas cidades como Los Angeles, a marcha reuniu mais de 50 mil pessoas!

Manifestantes na Marcha pela Ciência realizada na cidade de São Paulo (fonte: https://portal.sbpcnet.org.br/wp-content/uploads/2017/04/Marcha_galeria.jpg)

 

Infelizmente, aqui em São Paulo, uma das principais cidades responsáveis pela produção científica do país, e que concentra um elevado número de instituições de pesquisa e de universidades, um público estimado em apenas 500 pessoas compareceu ao evento, realizado no Largo da Batata.

Vários fatores têm sido apontados para justificar um comparecimento tão baixo, tais como o fato dele ter ocorrido durante um fim de semana prolongado com feriado, o mau tempo, a falta de divulgação e, também, a falta de consciência da população sobre a importância da Ciência.

Não percebemos, mas a Ciência e suas aplicações estão presentes o tempo todo em nossas vidas: nas roupas que vestimos, nos alimentos que comemos, no ar que respiramos, na nossa saúde, no nosso lazer, na nossa segurança.

Já há alguns anos, cientistas têm percebido a necessidade de um movimento de revalorização da Ciência junto às pessoas comuns e, com isso, combater a disseminação de crenças sem nenhuma base científica.

Só para citar alguns exemplos, questões importantes como a relação entre a emissão de gases poluentes e as mudanças climáticas globais, a pesquisa com organismos geneticamente modificados (os “transgênicos”) e o uso de vacinas têm sido desacreditadas por grupos diversos e podem trazer consequências bastante prejudiciais para toda a humanidade.

Em 1998 surgiu, a partir de um trabalho fraudulento, a crença de que a aplicação de vacinas tem relação com o desenvolvimento de autismo em crianças. Até hoje, quase 20 anos depois, nenhuma pesquisa conseguiu comprovar qualquer relação de causa e efeito, mas assim mesmo, vários grupos que defendem uma vida mais “natural” continuam incentivando os pais a não vacinarem seus filhos. As consequências disso já são notadas há alguns anos: só nos Estados Unidos, em 2013 foram registrados 159 casos de sarampo, após 15 anos da doença ter sido considerada erradicada no país. Em 2014 o número saltou para 667 casos. Esse aumento no número de casos também foi verificado em outros lugares do mundo, levando os cientistas a temerem uma “volta ao passado”, em que milhares de pessoas morriam de doenças que, hoje em dia, podem ser facilmente prevenidas com vacinas.

“Guerra das Vacinas”: capa da prestigiosa revista Science. (fonte: http://science.sciencemag.org/)

A edição de abril de 2017 demonstra a preocupação da comunidade científica com a crença de que vacinas podem fazer mal para as crianças e tenta esclarecer por meio de vários dados que não há motivo para o temor em vacinar crianças.

Esse caso do movimento antivacina nos mostra de forma bastante didática como a “alfabetização científica” da população é necessária, e como a ignorância pode ser avassaladora.

Nesse sentido, o ensino de Ciências, Biologia, Física e Química precisa, entre seus principais objetivos, propiciar a formação de cidadãos que compreendam como a Ciência é feita, que sejam capazes de analisar criticamente as informações disseminadas e que não sejam tão facilmente levados por crenças sem fundamento. Esses, aliás, são objetivos que os professores das disciplinas científicas do Santa Maria têm em mente sempre quando planejam a sua prática pedagógica.

 

 

 

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