A importância da música na aprendizagem criativa

A importância da música na aprendizagem criativa

Colégio Santa Maria

11 Outubro 2018 | 07h30

Autoria: Luciane Dege Magalhães e Sueli A. Gomes

 

Na Grécia antiga, entre os anos 427 a.C. e 347 a.C. viveu um sábio, que mesmo sem os nossos aparatos tecnológicos, identificou o que hoje a neurociência comprova: a importância da Música para a aprendizagem do ser humano. Platão, o grande filósofo, recomendava que educadores se dedicassem ao ensino da música para o desenvolvimento intelectual e físico dos alunos a fim de “possibilitar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza que podem ter”. Aulas de retórica, debates, educação musical, geometria, astronomia e educação física deveriam compor o ensino de crianças e jovens. “A música é um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”, destacou o sábio grego na República.

Mas de onde vem essa potência? Estudos da neurociência comprovam que a aprendizagem ocorre de maneira mais eficiente diante de três condições: quando se favorece a possibilidade de mais entradas de informações para o nosso cérebro; quando várias áreas desse órgão são ativadas e funcionam de forma inter-relacionada, formando conexões; quando há emoção envolvida.

As entradas de informações para o nosso cérebro vão além da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato, ampliando de um mínimo de 9 para um máximo de 33 diferentes percepções. Quando se produz um som, se canta ou se toca uma música para uma criança, as entradas são abertas.

As várias entradas – Diante de um estímulo sonoro, imediatamente a criança ativa a sua audição e, orientada por ela, busca a fonte com os olhinhos curiosos e vivos, usando a sua visão.  Seu corpo inquieto é estimulado pela vibração, pelo ritmo, reagindo com movimento, ativando sua orientação  espacial e equilíbrio impulsionando para a dança, a expressão corporal.

O movimento – Para a criança pequena, movimento e música estão intimamente ligados, nascem simultaneamente da mesma necessidade de expressão corporal. Para dançar é indispensável adquirir uma escuta finamente elaborada, perceber os graves e agudos, as subidas e descidas melódicas, descobrir os acentos tônicos, permitindo que o corpo faça trajetórias no espaço de acordo com o tempo e o caráter plástico da melodia.

Cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés são experiências importantes, pois permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora.

A escuta, a atenção e a concentração – O estímulo sonoro de qualidade melódica e rítmica faz com que a criança refine a sua escuta. Esse refinamento envolve a identificação da fonte sonora, a percepção dos parâmetros do som (timbre, altura, intensidade e duração) e a ação de entender e compreender, ou seja, de tomar consciência do que foi captado pelo ouvido. Para que esse refinamento aconteça, a criança passa para um estado de atenção que, se mantido, leva à concentração, ou seja, o refinamento da escuta é acompanhado pela ampliação da capacidade de atenção e concentração.  Não é qualquer som ou ritmo, entretanto, mas a melodia rica em harmonias e acompanhamentos percussivos.

A estética e a cultura – Ao ouvir uma música, a criança entra em contato com a combinação entre ritmo, melodia e harmonia e vai desenvolvendo a fruição estética, o gosto musical. Daí a importância de boas escolhas ao se educar. Cabe a nós, adultos, enriquecer seu repertório com  gêneros diversos, de diferentes povos, de diferentes épocas, de diferentes compositores : música de qualidade.

Composição musical – Ouvindo, aprendendo, cantando, a criatividade das crianças desperta. Querem também “fazer música”. Alunos e alunas do 1º ano do Colégio Santa Maria começaram trazendo instrumentos para a aula: um ukulelê, uma guitarra, flautas, pandeiro, violão, chocalhos… Explorando seus sons, exercitando movimentos corporais e juntando com a aprendizagem das poesias, começaram a se perguntar o que precisariam saber para “compor” canções. A professora Luciane Dege apresentou-lhes o Hino dos 70 anos do Colégio, composto por ela, e o mito se desfez.  Eles também podiam criar suas canções…

 

DEPOIMENTOS:

“Minha experiência com composição musical começou muito cedo, com apenas 10 anos, quando me inscrevi no concurso de Jingles da escola, e acabei vencendo!

Criei gosto. Entrei em vários concursos estaduais e depois nacionais de composição de melodias. A paixão pela música veio aos 6 anos e logo comecei a aprender piano até ingressar na Faculdade de Música aos 17 anos”, contou a professora Luciane. Depois de passar um tempo ensinando música nos Estados Unidos, a profissional passou a compor o grupo de professoras de Música do Colégio, sempre incentivando a criação nos alunos do Pré e do 1º ano.

A primeira aluna que se aventurou foi a Alice Leoni de Moraes, do 1º ano B, quando nos preparávamos para celebrar a Semana da Família, trazendo sua criação: ” Eu comecei a compor porque gosto de cantar, depois de ouvir também muitas músicas e saber como o Alann fez ‘O Trem’ fiquei com vontade de fazer a minha também. Hoje tenho uma pasta e vou compor pra sempre”. Alice se refere ao cantor e compositor Alann Marino, apresentado pela professora Luciane.

Maria Malzoni Gaspari, da mesma turma, seguiu o caminho: “A minha mãe toca piano e ela me ensinou um pouco. Eu amo música e então depois que a professora Lu falou sobre composição, cheguei em casa e fiz a minha música. Cada um pode fazer a sua, só tem que ter inspiração como eu tive”.

Depois, foi a vez da Ana, do 1º H: ” Eu amo música. Eu amo as aulas também e fiz uma música porque quero ser um dia como o Alann, que faz muitas músicas bonitas e mostrar pra todo mundo”.

“Como não encher o coração de orgulho e tamanha alegria com esse ‘presente’?

Alice sempre se encantou com a música, cantando e dançando pela casa. Sem dúvida a música é o elemento que preenche a vida dela e o nosso lar. Sou tão grata por você, Lu, em nome do Colégio Santa Maria, ter tido a sensibilidade de perceber na Alice essa paixão pela Arte e pela composição através da música.

Muito obrigada mesmo por tanta dedicação e por passar para as crianças todo esse amor pela música. Isso definitivamente a torna especial.” – Eliana Leoni de Moraes, mãe da Alice