A formação do olhar investigativo

A formação do olhar investigativo

Colégio Santa Maria

24 Setembro 2015 | 07h00

Trabalho no Jardim I do Santa Maria transforma curiosidade em pesquisa para ampliar conhecimentos

As crianças param para olhar uma joaninha na folha ou para ver uma borboleta voando; observam, intrigadas, a pedra de gelo derreter e questionam a todo o momento: “por quê?”. Seres curiosos por natureza são ávidos por aprender e conhecer. Elas também têm muitas hipóteses a respeito dos fenômenos naturais e dos objetos; e trazem suas próprias certezas em relação ao mundo.

“É preciso ouvir o que elas têm a nos dizer, partir de seu contexto cultural e de suas experiências e propiciar, especialmente na Educação Infantil, um conjunto variado e diversificado de experiências”, declara a professora do Jardim I, Claudia R. Simões Lacerda. Experiências tais que transformem o olhar curioso em um olhar investigativo, que saiam da obviedade e transformem a percepção imediata em experiência significativa e, consequentemente, em conhecimento.

Trabalhar a formação do olhar investigativo significa trabalhar com procedimentos de pesquisa: observar, registrar, comparar. Esse é o papel do professor: possibilitar a vivência e a experiência; trazer o “maravilhamento” e o encanto; organizar as hipóteses e promover descobertas que façam com que as crianças saiam da percepção imediata e avancem em seus conhecimentos.

A partir do interesse do grupo, o primeiro passo é formalizar e transformá-lo em objeto de estudo. Passo a passo, os procedimentos de pesquisa são explicitados e ensinados ao grupo. Há também as boas perguntas, que aguçam a curiosidade passageira e a transformam em, efetivamente, objeto de estudo.

Ao formalizar o objeto de estudo, o grupo, juntamente com o professor, passa a desenvolver a pesquisa propriamente dita. E, nesse processo, é preciso haver a circulação de informações que alimentem o projeto e que possibilitem que as crianças avancem do conceito do cotidiano para o conceito científico.

O tempo também é outro fator fundamental para a pesquisa. Não o tempo do adulto, mas o da criança. Ela precisa apropriar-se do objeto de estudo e dos procedimentos de pesquisa. Para isso é necessário respeitar seu tempo, da elaboração, da observação, dos questionamentos, das hipóteses.

O fenômeno científico encanta qualquer idade, por isso, desde o Jardim I é possível trabalhar com conceitos científicos e procedimentos de pesquisa. Em um grupo de crianças de três anos, com o objetivo de desenvolver o olhar investigativo, trabalhamos os procedimentos de pesquisa a partir da história “Arca de Ninguém”, de Maria Caltabiano, e da obra de Camille Saint-Saëns “O Carnaval dos Animais” – obra pertinente à introdução das crianças no universo musical. Nela encontramos o retrato musical de diferentes animais, numa espécie de caricatura sonora.

Curiosas, rapidamente elas começaram a questionar e elaborar hipóteses sobre os animais: O leão come gente? Não, ele come legumes! A galinha nasce no ovo? Não! O pintinho nasce no ovo, mas quando a gente abre o ovo o pintinho some!. A partir das perguntas iniciais, os procedimentos de pesquisa foram colocados e o objeto de estudo formalizado.

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O projeto multidisciplinar, intitulado “A Arca de Todos Nós”, partiu de questões tais como: o que o leão come, onde o pintinho nasce e o que acontece com ele quando comemos o ovo, quem cuida do filhote do leão, por que o leão é o rei da floresta, entre outras. Enfim, uma série de perguntas que a utilização dos procedimentos de pesquisa permitiu confrontá-las, analisá-las, registrá-las e comprová-las ou não. Assim, o grupo vivenciou conceitos científicos e o olhar curioso transformou-se em um olhar questionador e investigativo!

 

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