A formação de professores e a construção de percursos em sala de aula:  um relato de experiência em leitura

A formação de professores e a construção de percursos em sala de aula: um relato de experiência em leitura

Colégio Santa Maria

09 Novembro 2016 | 08h12

Autoria: Maria Raquel Sgamba

[…] a leitura, para atender o seu pleno sentido e significado,
deve, intencionalmente, referir-se à realidade.
Caso contrário, ela será um processo mecânico
de decodificação de símbolos (Luckesi)

 

Partindo do princípio de que a leitura faz sentido quando se conecta com a realidade, tenho trabalhado diariamente, na sala de aula, a leitura de textos vivos, pulsantes e provocadores!

Estas práticas já se faziam presentes no meu cotidiano, mas os cursos que fiz de formação de professores, no Prisma – Centro de Estudos do Colégio Santa Maria -, me mostraram novas perspectivas, novas estratégias para continuar o trabalho. Assim como os alunos se fortalecem e aprendem com seus pares, também nós professores precisamos das trocas com outros professores, discutindo, analisando, repensando e reconstruindo nossos saberes e fazeres.

As discussões sobre leitura e escrita que aconteceram durante os encontros foram importantes, nortearam o trabalho, ampliaram os objetivos, garantindo um resultado eficiente em sala de aula. Todas as ideias discutidas durante as oficinas foram úteis, possíveis de desenvolver em sala, dentro da nossa rotina de trabalho, nada pensado fora da nossa realidade.

A leitura diária, nos primeiros momentos do dia, garantia o contato com a literatura, mas era preciso mais, era preciso partilhar as descobertas, socializar os encantamentos. Foi aí que criamos a proposta “rodada de dicas literárias”, indicações de leituras feitas pelos próprios alunos. Tem sido uma experiência muito rica, alguns alunos realmente se empenham para trazer suas dicas. Falar sobre o livro lido é algo que eles gostam, pois querem “convencer” os colegas a lerem. O esforço é tanto que muitos alunos acabaram experimentando a dica recebida e indo à biblioteca procurar pelos livros indicados. Em outras ocasiões, os próprios alunos emprestam os livros aos colegas.

Após essa primeira experiência, comecei a trabalhar a questão do vocabulário. Fui propondo que, a cada dia, apresentassem uma palavra nova. Assim, o aluno expõe a palavra e em seguida lê a frase. Analisando o contexto, o grupo pode se manifestar tentando encontrar um sinônimo adequado.

Este deve ser o papel do professor, proporcionar oportunidades de construir hipóteses e assumir pontos de vista próprios. Fazer os alunos perceberem que existe um contexto em que a palavra está inserida e que isto pode fazer toda a diferença no que está sendo lido. Em seguida, o significado da palavra é confirmado através da consulta ao dicionário. Esta é uma forma de ajudá-los a enriquecer o vocabulário, enriquecendo também as produções textuais.

Algumas palavras não são só palavras, mas expressões, assim surgiu uma nova atividade, a busca por “expressões bonitas”. Com isso, os alunos começaram a encontrar novas opções para expressarem momentos, emoções, situações das mais variadas, entendendo seus significados, suas funções na língua e, o mais importante, usando em suas produções.

Durante os cursos que fiz de fluência leitora e procedimentos de estudo, vimos que, dentre as várias possibilidades de leitura, a de estudo é a que mais exige disciplina e organização. Portanto, os alunos precisam saber utilizar os recursos da escrita para ler com propriedade e entender o que está lendo, ponto fundamental para a autonomia da leitura.

Devemos proporcionar aos nossos alunos momentos em que percebam que, para ler um texto em profundidade e aprender com ele, devem seguir procedimentos que auxiliem na compreensão, como o grifo, o resumo, esquema, paráfrase, entre outros. O professor precisa demonstrar, modelar tais procedimentos para que o aluno encontre a sua prática, aquela que lhe traz maiores e melhores resultados. Como professores, devemos criar condições para que os alunos aprendam a estudar e sejam cada vez mais autônomos.

É muito importante também que os alunos leiam nas diferentes disciplinas para aprimorar os conhecimentos ou buscar informações, ou simplesmente para um momento de lazer, quando a leitura pode se tornar uma maneira prazerosa de fazer descobertas.

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