A formação da  identidade  no 1º ano do Ensino Fundamental

A formação da identidade no 1º ano do Ensino Fundamental

Colégio Santa Maria

30 Março 2017 | 07h30

Autoria: Rita de Cássia A. Lázaro da Mota

 

O mundo de uma criança de 5, 6 anos: início de ano, as férias acabaram e é tempo de conhecer um novo grupo, novos amigos e, para muitos uma nova escola. Muitas são as perguntas, as dúvidas e os medos – E agora? Como será? O que irá acontecer? Com quem vou brincar? Como contribuir para a formação de uma autoimagem positiva, a reconhecer sua identidade?

Refletindo sobre essas questões nós, professoras do 1º ano do Fundamental I do Santa Maria, elaboramos um projeto integrando os temas de trabalho. O primeiro objetivo era acolher alunos e alunas, favorecendo a formação de vínculos afetivos com os colegas e professoras, e ainda, promover o sentimento de pertencimento à comunidade escolar criando um espaço para o autoconhecimento. Assim, formarão a identidade de aluno do 1º ano do Colégio Santa Maria. Vale ressaltar que, no 1º ano, temos muitos alunos “novos” que vêm de escolas de Educação Infantil da região, juntamente com os alunos que já cursavam o Pré aqui no ano passado.

O primeiro passo foi o reconhecimento de todos pelo nome. Nós costumamos recepcionar os alunos, diariamente, chamando-os pelo nome, com um carinhoso abraço, para que se sintam acolhidos ao entrarem em classe e experimentarem os “Cantinhos de interesse”. Cada um pode escolher a atividade que mais gosta, os jogos preferidos entre alternativas nas mesinhas agrupadas de 5 em 5 para que comecem a formar as amizades. Dos primeiros contatos e partilha destes materiais, vão surgindo as identificações com a forma de ser de cada um e cada uma, para estender-se a outros momentos do dia: o lanche que tomam nos gramados, o parque em que brincam juntos. Assim descobrem os gostos pessoais e aprendem as outras maneiras de ser e atuar entre os semelhantes. Creio que a escola é um dos únicos locais em que se agrupam crianças de uma idade próxima para conviver durante um período prolongado: um ambiente muito favorável para os relacionamentos e as aprendizagens de sociabilização.

Também pesquisamos o significado dos nomes, quem foi a pessoa responsável pela escolha, o sobrenome recebido pela família e até o país de origem dos avós e bisavós. Mais um passo na construção da identidade e no conhecimento da história de vida de cada um.

A essa altura, já podíamos ressaltar as características físicas de cada um e cada uma, aprofundando o conhecimento pessoal. Observando-se no espelho, aprenderam a representar-se por meio do desenho. Identificaram a cor dos olhos, do cabelo, da pele, a altura, a expressão facial, os detalhes fisionômicos que compõem suas particularidades e, com as vivências, perceberem-se como “indivíduos únicos” que constituem um grupo.

Algumas propostas mais lúdicas também nos ajudaram nas comparações entre semelhanças e diferenças na classe, na localização e nomeação das partes do corpo, nos cuidados com o próprio corpo e na movimentação deste corpo nos diferentes espaços do Colégio (Ciências Naturais e Educação Física).

Aí passamos ao estudo mais detalhado do corpo, iniciando pelo seu “mapeamento”. Realizar o contorno das mãos, dos pés e do corpo inteiro, observar os diferentes tamanhos, posições e a simetria. Completar as partes do corpo, incluir detalhes, vestimentas e adereços junto com o colega e com a sua família ajudou ainda mais na interação do grupo. Empolgados com o produto final, tivemos que montar uma exposição dos colegas da classe. Com orgulho localizavam seus trabalhos, os dos colegas e faziam observações sobre o que achavam mais interessante. Esses “bonecos”, como eles chamavam, passaram a ser incluídos nas atividades diárias: iam para o gramado na hora de ouvir histórias, ficavam ao lado na hora do lanche, faziam parte dos relatos quando algo de significativo havia acontecido naquele dia: estas são maneiras de tornar mais conhecidos o jeito de ser e de reagir diante de situações diferentes. Com isso podem compreender melhor um ao outro e aprender com ele.

A construção da identidade é um longo caminho, que também passa pelos “Direitos e deveres”, pela necessidade de uma convivência harmoniosa, de respeito às diferenças, opiniões e sentimentos. Cada um de nós é único, especial aos olhos de Deus! É preciso garantir espaço para a expressão das opiniões, sentimentos e desagrados e, principalmente, a capacidade de ouvir o outro, aceitá-lo em suas diferenças e respeitá-lo.

Este caminho precisa ser percorrido na interação com o outro, para que possam conhecer suas habilidades e limites, “enxergar” o outro e a si mesmo, perceber-se como indivíduo que vive em sociedade. Outras vivências serão planejadas, pois o caminho para o autoconhecimento é longo, intenso, ativo e emocionante.

O mais importante neste trabalho é o resultado nas ações dos alunos e nas aprendizagens, não só de convivência, mas de muitos conteúdos que fazem parte do currículo do primeiro ano, integrados nas áreas do conhecimento. É uma forma de ensinar não fragmentando os conhecimentos e procurando atingir os objetivos construindo-os de modo significativo para alunos de 5, 6 anos, em fase de alfabetização, tão motivados em aprender!

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OS “BONECOS” ACOMPANHAM NO GRAMADO

 

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TRAÇANDO O CONTORNO DO CORPO DO COLEGA

 

EXPOSIÇÃO NO CORREDOR

EXPOSIÇÃO NO CORREDOR

 

CONTANDO AOS COLEGAS “COMO EU SOU”

CONTANDO AOS COLEGAS “COMO EU SOU”