A experiência da brincadeira no processo de alfabetização

A experiência da brincadeira no processo de alfabetização

Colégio Santa Maria

14 Novembro 2018 | 07h30

Autoras: Karine Ramos e Eliane Lima

 

Pensando na alfabetização como uma experiência que requer sentido, significado e tempo, um processo cultivado na delicadeza, na arte do encontro, trouxemos para a Educação Infantil do Santa Maria o corpo e a brincadeira como elementos desta jornada de aprendizagem, uma relação de “demorar-se nos detalhes”, de “falar o que acontece” nessa conexão que contribui para que as crianças avancem em suas possibilidades de se perceberem “leitoras” e “escritoras”. 

Nutrição (e fruição) de um brincar como linguagem da infância, como ferramenta que dinamiza e potencializa a competência de ler e escrever, que desmistifica a ideia que é precioso restringir este processo apenas a “folhas”, “cadernos pautados”, “atividades xerocadas” com pouco ou nenhuma autoria, autonomia e criatividade. Como diz Alicia Fernández (1990, p. 63-64): “Essa era (é) a proposta: amarrar-se o corpo para deixar apenas o cérebro em funcionamento, desconhecendo e expulsando o corpo da ação pedagógica. Ainda hoje encontramos crianças que estão atadas aos bancos, a quem não se permite expandir-se, provar-se, incluir todos os aspectos corporais as novas aprendizagens…!”

Ação pedagógica que permite espaços para brincar, por exemplo, de ler e escrever um cardápio (Restaurante Santa Comida), fazer uma lista de legumes e frutas, anotar receitas. Nela as crianças fazem uso de seus saberes configurando situações de interpretação, compreensão e recriação do mundo. Indicam contextos eficazes para a percepção da importância do comportamento de alfabetização durante o brincar. Letramento definido, portanto, como processo cognitivo-criativo de compreensão deste mundo.

Processo repleto de afeto, legitimado pela subjetividade, pela percepção da função social da escrita e que convida as crianças a experimentarem práticas que se aproximam dos símbolos, dos sons da língua, da palavra, do significado destas e que ao revelar a escrita têm intenção e função. Oportunidades comunicativas que evocam saberes e usos, superando modelos que fragmentam e revelam um adultocentrismo no processo de alfabetização. Nossas interações com as crianças visam experiências complexas e profundas que promovem aprendizagem, significado, transbordamento, pertencimento e prazer. Os ensaios, os erros ortográficos e os desejos de registro fazem parte do processo vivo e verdadeiro do aprender a ler e escrever.

Uma jornada que se constitui do reconhecimento de si, do outro, do universo e de um corpo que habita e percorre caminhos de aprendizagens, caminhos mobilizados pelo sentir, criar, expressar, ler e escrever.

“A leitura não é importante porque diverte e nem porque nos transmite informações, e sim por algo que é transcendental, porque a inteligência humana é uma inteligência linguística. É graças às linguagens que podemos nos desenvolver, compreender o mundo, inventar grandes casas, conviver, compreender nossos sentimentos, resolver nossos problemas, fazer paz (…). Para que nossa inteligência seja viva, flexível, perspicaz, divertida, racional, convincente,  necessitamos em primeiro lugar, saber muitas palavras” – José Antônio Marina-Madrid

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