A ESCOLA É O LUGAR DO POSSÍVEL

A ESCOLA É O LUGAR DO POSSÍVEL

COLÉGIO SANTA MARIA

08 de março de 2019 | 07h30

Autoria: Darci Garcia

Novo ano, novos alunos, novas propostas. Novamente a angústia diante da necessidade de encontrar o equilíbrio entre uma aula fria, técnica e sair do lugar comum, propor atividades diversificadas que estimulem os alunos a aprender. Nem sempre é possível ao professor separar as metas em curto, médio ou longo prazo, sempre considerando se é realmente possível cumpri-las dentro do tempo estabelecido. Muitas vezes incorremos no erro de estabelecer metas irreais, que podem trazer a frustração.

Além disso, precisamos lidar com o denominado currículo oculto, que educa tanto quanto o currículo claro, aprovado por meio de planos pedagógicos. Ele fala nas entrelinhas; por meio dele infere-se quem é a pessoa à frente, que fala num determinado timbre, apresenta-se com determinada roupa, sorri sempre ou impõe normas de conduta nem sempre razoáveis.

Portanto, a sala de aula é o espaço que congrega seres humanos diversos. Nem sempre será lugar de prazer e nem sempre será lugar de penitência. O esforço em busca do autoconhecimento e do crescimento do ser humano está implícito, mas estamos trabalhando com o que é possível. Não se pode dar conta de questões emocionais de muitos ou de defasagens acentuadas de outros. Há outros espaços para isso.

Neste ano, a turma da 3ª série do Ensino Médio do Santa Maria discutiu exatamente sobre isso. Partimos de um texto de Rubem Alves, que trabalha o personagem Pinóquio, só que às avessas. Esse educador considera que, muitas vezes, recebe-se na escola um ser em carne e osso que, no decorrer dos anos de aprendizado, acaba se transformando em um boneco de pau, igual aos demais, com a mesma visão de mundo, perdendo a própria singularidade e jeito de ser.

Atrelado a isso, discutiu-se sobre o texto de Fábio Assunção acerca da música feita usando o seu nome e que não leva em conta o drama vivido por grupos envolvidos com vícios de diversas ordens. De forma clara e sensível, o ator induz a todos a pensar no outro e reverte a situação por meio de um ato propositivo.

Discutimos a escola como um espaço de autonomia, de autoria, de se fazer ser, de se construir, de raspar tintas antigas, de recuperar emoções e sentidos frente ao outro, à vida e ao conhecimento. Não há possibilidade de não estabelecermos que a escola seja o lugar do possível, mas que envolve o crescimento de todos a partir da percepção que temos de nós mesmos e do que nos cerca. Nela percebemos que precisamos olhar sempre a próxima curva, questionar verdades, padrões, e estabelecer novas experiências que possam nos criar memórias. Entende-se que, para isso, precisamos do outro, da diversidade partindo da singularidade de cada um de nós. Isso pressupõe sempre a reversão de condutas, já que tudo muda e se transforma e, sem censura, precisamos sempre ressignificar o espaço em que estamos inseridos.

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