A Educação Física e a cultura corporal

A Educação Física e a cultura corporal

COLÉGIO SANTA MARIA

18 de julho de 2019 | 07h30

Autoria: Luiz de Mello Machado Junior

 

A Educação Física é um componente curricular que tem como expectativa garantir a formação integral do aluno, preocupando-se em desenvolver os aspectos afetivo, cognitivo e motor dentro da ação educativa.

Atualmente, falamos bastante da Cultura Corporal do Movimento, como uma abordagem de ensino que muito contribui na ressignificação da aprendizagem motora no âmbito escolar. Educa-se o aluno tendo como instrumento o seu corpo/movimento que está inserido dentro de um contexto social e cultural. A educação do movimento –  por ele e através dele – não se dá somente pelas práticas corporais, mas também pela compreensão do universo cultural em que ele está inserido. A cultura, afinal, seja ela corporal ou de outro segmento, influencia nas práticas sociais, assim como as práticas sociais e corporais também influenciam diretamente na formação cultural de um povo.

Alguns estudiosos da cultura corporal, ao justificar a presença da Educação Física na escola, afirmam que “a função pedagógica desse componente é integrar e introduzir o aluno no mundo da cultura física, formando um cidadão que vai usufruir, partilhar, produzir, reproduzir e transformar as formas culturais da atividade física (o jogo, o esporte, a dança, a luta, a ginástica etc.), mesmo porque cada uma dessas manifestações terá uma identidade cultural, sentido e significado diferentes na cultura na qual ocorrem” (BRASIL, 1997)[1].

 

Com essa abordagem, podemos destacar o trabalho da Educação Física do Colégio Santa Maria, que tem como objeto e reflexão de estudo a relação entre corpo, movimento e cultura. A concepção de ensino transcende a dimensão biológica do corpo, pois entende-se que o foco da alfabetização corporal está no desenvolvimento de um processo que facilite e oportunize o diálogo e a comunicação desse corpo pensante com o mundo.

 

Ao entendermos a proposta assim, valorizamos uma educação que tematiza, significa e contextualiza seus conteúdos e, dessa forma, fica fácil falarmos também em trabalho multi e interdisciplinar. O 4º ano tem valorizado esse diálogo existente entre a Educação Física e os demais componentes. Algumas ações nos mostram isso, como foi na ocasião do Dia Mundial da Água, em que as polivalentes, juntamente com os alunos, relacionaram esse tema com o Projeto Santo Lacre e Santa Tampinha, como um compromisso do cidadão em não poluir os rios, oceanos, represas, lagos etc. A Educação Física trouxe uma reflexão sobre a importância de se preservar o meio ambiente para que se possa realizar, de forma consciente e sustentável, práticas esportivas nos diversos meios líquidos existentes no planeta (surfe, natação, esqui aquático, rafting, entre outras manifestações da cultura corporal). Foram abordadas, ainda nessa temática, as diversas atividades aquáticas que eram praticadas no rio Tietê e que hoje, infelizmente, não é mais possível por encontrar-se poluído.

 

Um outro caráter multidisciplinar foi abordado no momento em que as professoras oportunizaram a leitura do livro “Amizade Impossível” em classe, trazendo um pouco da cultura indígena e abordando a questão da miscigenação na formação da nossa população. A Educação Física, por sua vez, tendo as brincadeiras indígenas como um dos seus objetos de conhecimento, resgatou em aula diversas atividades dessa matriz ameríndia.

 

Contudo, ao incorporar os conhecimentos da cultura corporal que os alunos já dominam e os que ainda precisam se apropriar, o professor dará um novo sentido aos conteúdos curriculares da Educação Física, proporcionando melhores condições para que esses educandos compreendam o mundo em que vivem.

 

Por fim, a Educação Física pode também ser entendida como uma prática social, construída culturalmente e reproduzida tradicionalmente ou informalmente em diversos ambientes e espaços em que nós estamos inseridos.

 

 

[1] BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Educação Física/ Secretaria de Educação  Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

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