A educação em tempos remotos

Colégio Santa Maria

05 de junho de 2020 | 07h30

Para que entendamos o sentido da educação em tempos de pandemia, é fundamental reconhecer que vivemos em um momento excepcional, que se impôs às escolas e à educação em todas as partes do mundo afetadas pela doença. Trata-se, portanto, de compreender que nenhuma estratégia ou metodologia pode apagar o ineditismo do momento e as dificuldades de sua emergência, bem como não perder de vista que a vida é o bem maior a ser preservado nesse contexto.

Partimos, portanto de um ponto fundamental: uma educação à distância para o nível básico deve se atentar aos limites e desafios de uma educação que, momentaneamente, deixa de contar com uma de suas características mais importantes: a relação, as relações humanas entre pessoas, saberes e afetos.

Fomos obrigados a repensar, em velocidade recorde, planejamentos que contavam com o uso de diversas tecnologias inovadoras, mas que em seu tempo eram pensadas presencialmente e em etapas. Como a situação se impôs, passamos a planejar, em isolamento, mas não sozinhas/os, como garantir aprendizagens e conhecimentos nessa conjuntura.

No Colégio Santa Maria, a utilização de novas metodologias e tecnologias estavam em pauta antes mesmo do isolamento, através do contrato e parcerias com instituições voltadas a essas práticas. Respeitando particularidades das diversas áreas do conhecimento, replanejamos à luz da emergência, mas com grande solidariedade entre os pares, essa educação a distância, como uma possibilidade para manter educandos/as e famílias próximas/os a um ambiente de conhecimento, mesmo reconhecendo todos os seus limites e problemas.

Para as Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, as discussões giraram em torno de que saberes, conceitos, habilidades e competências poderiam ser exploradas nessa contingência.

Alguns processos históricos mostraram-se fundamentais para não só garantir conhecimentos que compõem o quadro de conteúdos e habilidades que são parte da BNCC, bem como elementos para compreender o mundo que estamos inseridos, suas desigualdades, seus avanços e retrocessos.

A pandemia abriu um importante diálogo com experiências traumáticas de outros tempos, como a gripe espanhola, a peste negra, as conquistas e genocídios dos povos originais da América, com a tragédias da escravidão africana e epidemias que tomaram corpo nos últimos séculos. Debates sobre as ciências, sobre movimentos negacionistas, anti-intelectuais, e respostas de Estados e populações a esses processos, também abrem espaço para um debates que são fundamentais para nossa sobrevivência e futuro que se avizinha.

Conceitos como necropolítica, biopoder, genocídio, revolução, eurocentrismo, etnocentrismo, raça, gênero, resistência, imperialismo, globalização e “globalismo”, modernidade, atraso, ciência, pandemia, todos ganharam luz diante da urgência da vida e da história.

Esses processos e conhecimentos ganham mais sentido quando articulados ao desenvolvimento de habilidades e competências da leitura, da análise crítica de documentos escritos e iconográficos, produzidos em diferentes temporalidades e que alicerçam aprendizados significativos.

A distância não impossibilita que alunas/os mantenham um programa de estudos, evidentemente reconhecendo que as disparidades sociais e econômicas foram e são um grande entrave para a educação a distância. Falamos, infelizmente de condições de existência muito diferentes e desiguais, mesmo entre educandos/as de escolas particulares.

Mesmo reconhecendo que se trata de momento de exceção, com todos os limites impostos, é importante para os/as próprias alunos/as a manutenção de práticas de estudos, agora até mesmo mais autônomas, quando se trata de Ensino Médio, inclusive para entender o mundo que os/as cerca e que se apresenta tão complexo.

Tudo o que sabemos sobre:

Colégio Santa Maria

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.