Bullying: aspectos, consequências e formas de combatê-lo

Colégio Santa Amália

24 de junho de 2019 | 12h28

Quando criança, todos aprendemos e tentamos reproduzir a ideia de que,para conviver harmoniosamente em sociedade,devemos respeitar o próximo, assim como as diferenças que nos tornam singulares. Entretanto, essa noção de tolerância vem sendo ameaçada pelo bullying, prática de violência que deve ser combatida com esforços da escola e das famílias.

Em primeiro lugar, é importante reconhecer o bullying como uma forma de agressão. Criado em 1980, o termo diz respeito à violência intencional e desempenhada por uma ou mais pessoas, conhecidas como “bullies”, contra um determinado indivíduo, sendo capaz de intimidá-lo e humilhá-lo por meio verbal, físico, ou pela internet.

Nesse sentido, os ataques verbais acontecem em forma de piadas, insultos e xingamentos, enquanto a agressão exercida na internet ocorre com a ajuda das redes sociais que, muitas vezes, impulsionam a difamação e as ofensas.

Além disso, é necessário compreender que essas formas de violência podem evoluir para a coerção física e, muito mais do que machucados superficiais, deixam marcas na alma daqueles que vivem na pele o peso e as dores causadas pelas provocações.

Assim, atinge-se a percepção de que as vítimas do bullying podem desenvolver sérios danos à saúde mental, como a depressão, o transtorno de ansiedade, a fobia social e a síndrome do pânico, uma vez que os períodos da infância e da adolescência são de extrema importância para o desenvolvimento cognitivo, processo em que, de acordo com Jean Piaget, em seu estudo acerca da evolução intelectual conduzido em 1972, o indivíduo torna-se capaz de compreender a si, o ambiente e os fatos que ocorrem à sua volta.

Do mesmo modo, Dan Olweus, professor de psicologia da Universidade da Noruega e pioneiro na pesquisa relacionada ao bullying, realizou um estudo, em 1994, que comparava a conexão entre as tendências suicidas e o fenômeno do bullying, chamando atenção para suas graves consequências.

Nesse sentido, para evitar que as agressões evoluam, é imprescindível que os pais, os responsáveis e a escola estejam sempre atentos aos sinais do bullying, como a perda de interesse em questões escolares, isolamento, baixa autoestima, medo de ir para o colégio, choro e mudanças de humor sem causa aparente.

Ademais, a identificação do bullying como um real problema é fundamental, pois, muitas vezes, a questão é vista como brincadeira, ou até mesmo como frescura. Isso pode fazer com que a vítima não se sinta à vontade para conversar a respeito do que está acontecendo e sobre seus verdadeiros sentimentos, pois está com vergonha, receio, pavor e em profundo sofrimento.

Dessa forma, a família corresponde a uma parte muito significativa no combate e prevenção ao bullying, uma vez que possui grande responsabilidade no processo de socialização da criança e do adolescente, devendo orientar, acolher, supervisionar e proteger.

Outrossim, cabe à justiça, de acordo com a cartilha “Bullying não é legal”, emitida pelo Ministério Público em parceria com o Centro de Apoio Operacional Cível e de Tutela Educativa Educação e com a Associação Paulista do Ministério Público, impedir e refrear as infrações que coloquem em risco a integridade da criança e do adolescente.

Por fim, cabe à escola a fiscalização para que atos de agressão moral, psicológica e física não aconteçam. A instituição também deve fornecer o apoio e amparo necessários para que os alunos se sintam confortáveis em falar sobre seus sentimentos.

Pensando nisso e em outras questões socio-educacionais, o Colégio Santa Amália, na busca por uma educação humanista, estabelece, no Ensino Fundamental I, o ensino de Valores e Cultura, ampliando a capacidade de convivência dos alunos por meio do aprofundamento de temas como a ética, a justiça, a tolerância e a solidariedade.

Um dos maiores objetivos é desenvolver condições para que as crianças e os jovens participem da vida em sociedade de forma crítica e autônoma, e sejam capazes de se indignarem com as injustiças sociais e desejarem uma vida digna para si mesmo e para a sociedade.

Da mesma maneira, no Ensino Fundamental II e Ensino Médio, o Colégio desenvolve a Tutoria, matéria que tem como objetivo a construção da identidade do grupo por meio de discussões, aulas interativas e jogos educativos, buscando maior diálogo entre escola e aluno.

A palavra tutoria vem do latim tueiri, que significa proteger, ter cuidado com. Neste sentido, o professor-tutor é encarregado de tomar conta de outra pessoa, de zelar por ela e de ajudar, se for preciso, a superar dificuldades.

A tutoria proporciona momentos de trocas de conhecimentos por meio da oralidade, de explicações sobre um determinado assunto e favorece a expressão de angústias e sofrimentos próprios deste momento de formação,com o objetivo de prevenir que atos como o bullying aconteçam, formando, assim, cidadãos socialmente responsáveis na busca por um mundo melhor.

Professora Sirlene Serpa Lamim Babinska

Colégio Santa Amália 

 

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