A inclusão em tempos de pandemia. Uma experiência com alunos de 7 a 10 anos

Colégio Santa Amália

30 de junho de 2020 | 15h24

O cenário atual nos trouxe inúmeros desafios. Como transmitir conhecimento aos nossos alunos sem a presença física do professor, sem suas intervenções e mediação? Como identificar as dificuldades de aprendizagem? E como fazemos avaliação sem saber qual o nível de intervenção realizado no âmbito familiar?

O aprendizado não se faz somente pela deposição de conteúdos nas mentes de nossos alunos. Aprendizado é reflexão, é diálogo, é afeto.

O que antes funcionava na sala de aula presencial, é muitas vezes inútil no ensino remoto. Inúmeras estratégias de ensino foram reinventadas, ferramentas foram descobertas e mesmo em meio ao caos, a parceria constante entre professores, famílias, coordenadores e gestores está conseguindo garantir que as crianças mantenham mentes e corpos ativos, ainda que em uma situação de stress extremo.

Nesse cenário, será que estamos contemplando alunos com dificuldades ou transtornos de aprendizagem? E os alunos que estão apresentando problemas emocionais como ansiedade e depressão? E se não estamos contemplando, como fazê-lo?

Mais do que nunca se faz necessário um olhar cuidadoso, multidisciplinar e multiprofissional para o atendimento a esses alunos.

É imprescindível a elaboração de um plano de ação individualizado, respeitando o tempo de aprendizagem de cada um e simplificando conteúdos para que possamos garantir que conceitos básicos de cada matéria sejam ensinados sem sobrecarregá-los cognitivamente ou emocionalmente.

As aulas online para esses alunos também requerem mais cuidados e intervalos ao longo dos atendimentos, alternando propostas que requerem mais atenção com atividades lúdicas e/ ou de movimento.

Faz-se necessário também o preparo de atividades que tenham a finalidade de trabalhar leitura e estímulo à escrita. Essa prática além de auxiliar academicamente, ajuda os alunos a refletirem sobre realidades diferentes das que estão vivendo hoje. A escrita também pode ajudá-los a expor seus sentimentos e lidar melhor com eles.

Se o currículo já era mutável antes da pandemia, agora não é algo que se apresenta inerte nesse novo modelo de ensino-aprendizagem, especialmente para essas crianças com dificuldades, transtornos ou necessidades especiais. Muitas vezes precisamos recuar e adaptar esses conteúdos, pois percebemos que a criança está apresentando defasagem em conceitos base que irão prejudicar seu entendimento de conceitos mais complexos no futuro.

O respeito ao tempo de exposição às telas, quer seja de um computador, tablet ou celular também devem ser respeitados, pois inúmeros estudos divulgados pela OMS apontam que uma superexposição pode trazer prejuízos significativos, aumentando a irritabilidade, cansaço e problemas de saúde.

A avaliação deve ser repensada e os avanços desses alunos devem comparar o progresso do aluno para com ele mesmo no início dessa caminhada.

Nosso retorno ao modelo presencial ainda é incerto, mas queremos garantir que fizemos o melhor do que estava em nosso alcance para garantir o aprendizado destes e de todos os outros alunos.

Não existia fórmula mágica ou solução pronta para lidar com uma situação tão atípica quanto a que enfrentamos hoje e o fato é que ainda não existem. Que possamos após esse momento de crise profunda, ensinar cada vez mais nossos alunos quais as consequências da interferência do homem na natureza, a importância da manutenção do equilíbrio ecológico para sobrevivência não só da fauna e flora, mas de toda raça humana.

De agora em diante, aprender e ensinar a viver em harmonia, mudar nossa relação com o consumo e manter uma visão de Mundo que não existe apenas para satisfazer a ganância, mas sim que se destina a todos os seres vivos conviverem em equilíbrio.

 

Beatriz Ramires

Coordenadora Pedagógica do Curso Integral no Colégio Santa Amália Maple Bear Tatuapé

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