A importância da comunicação sonora e visual em sala de aula

Colégio Santa Amália

03 de maio de 2019 | 15h01

Houve um tempo em que o professor, para chamar a atenção dos alunos, seja para explicar algo ou pedir aos alunos que se deslocassem de um local para o outro, utilizava sua própria voz – no maior tom possível –, batia com o apagador no quadro negro ou até mesmo chamava um coordenador para ajudá-lo nessa tarefa, que, por vezes, é exaustiva.

Em grande parte, essas técnicas funcionavam, uma vez que os alunos tinham medo do professor e sabiam que, se chegassem ao ponto de exigir medidas mais enérgicas, haviam passado do limite. Entretanto, o efeito de tais estratégias durava um intervalo de tempo curto. Essas técnicas não possuíam um significado maior, algo que fizesse os alunos entenderem o porquê do silêncio naquele momento, e sim somente que deveriam ficar quietos e prestar atenção.

Com o passar dos anos, algumas práticas foram sendo excluídas do dia a dia e outras aprimoradas, de acordo com a nova realidade das escolas. Contudo, algumas ainda estão sendo utilizadas de forma errônea, como o aumento de voz, o que pode gerar uma mensagem equivocada de autoridade forçada ou grosseria.

Hoje em dia, com todas as mudanças que vêm ocorrendo, o reforço e a necessidade de o aluno ser o protagonista da aprendizagem e o professor condutor desse processo levaram à modificação das técnicas, não só em consideração à nova geração, mas também às necessidades dentro de sala de aula, muito influenciada principalmente pelo acesso atual à tecnologia.

Uma das técnicas que mais funciona, e que muitas escolas adotam – principalmente aquelas com embasamento no ensino praticado fora do Brasil, como, por exemplo, os colégios de origem americana e canadense – é a da comunicação sonora e visual.

Comunicação sonora e visual é aquela que traz a mensagem para o aluno a respeito do que deve ser feito naquele momento, sem precisar da utilização da voz ou de qualquer outro ruído que não seja a música ou os sinais com as mãos. Funciona da seguinte forma: para os comandos sonoros, o professor deve escolher algumas músicas (sejam elas infantis ou músicas instrumentais – ou até mesmo sons da natureza, como passarinhos, trovões, sons do mar); e, para os comandos manuais, deve escolher simples movimentos com as mãos e trazer um significado para eles.Dessa forma, quando tocado determinado som ou feito certo sinal, o aluno sabe exatamente o que fazer.

Os comandos que mais necessitam de atenção são: entrada na sala, intervalo, organização do ambiente e saída. Há também, em muitos casos, a necessidade de se comandar o tempo para realizações das atividades (individuais ou em centros), pois assim os alunos conseguem se organizar, sabendo exatamente quanto tempo terão para cada exercício proposto.

Vale ressaltar que os comandos manuais também podem ser utilizados partindo da necessidade do aluno, quando necessitam ir ao banheiro ou pedir ajuda com algum exercício. Dessa forma, ao invés de se levantar ou chamar o professor do lugar (causando mais ruído), o aluno pode simplesmente levantar a mão, chamando a atenção do professor e executando o comando estipulado.

Entretanto, tais técnicas devem ser organizadas de forma clara e, imprescindivelmente, exercitadas todos os dias nas primeiras semanas de aula, a fim de orientar os alunos sobre os comandos estipulados. Partimos do princípio de que se leva em torno de 2 a 3 semanas para os alunos se habituarem à rotina que lhes é proposta. Temos um resultado extremamente positivo quando o processo é executado da forma correta, já que, depois de um período, os combinados acabam sendo executados de forma natural e tranquila.

Infelizmente, mesmo com o conhecimento dessas técnicas, alguns professores não as utilizam, seja por não estarem habituados ou por não terem a paciência demandada no início do aluno letivo para que os alunos se acostumem com elas. É necessário, então, o diálogo entre coordenação e professores, explicando, de forma clara e objetiva, os motivos de se executar os comandos, mostrando principalmente os benefícios que essa prática proporciona.

Sendo assim, é importante as escolas tenham conversas, em forma de palestras, reuniões ou treinamento, de modo a salientar a importância e a eficácia da adoção de novas práticas, uma vez que melhorará não só o ambiente como um todo, mas também poupará o desgaste gerado por, algumas vezes, não se conseguir a atenção dos alunos quando é necessário.

Portanto, temos que nos adequar à nova realidade dentro das nossas escolas, para, assim, haver harmonia no ambiente e também no relacionamento e na aproximação com os alunos, pois, uma vez que deixamos de utilizar o alto tom da voz para conseguira atenção desejada, o pedido de se fazer algo ou quando o aluno necessita de alguma coisa, e passamos a utilizar as comunicações de forma natural, descontraída e singela, teremos um resultado positivo e significativo em nosso dia. Nossos alunos se sentirão mais contentes ao decorrer do ano letivo, e pouparemos nosso maior bem como professores: a voz!

 

Professora Gabriela Fonsati

Colégio Santa Amália

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