Avaliação como processo de aprendizagem
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Avaliação como processo de aprendizagem

Colégio Salesiano

06 Agosto 2018 | 11h54

Por Camila Gabriela de Souza Xavier e Mônica Regina Duarte Peinado *

A palavra “avaliar” tem como definição pelo Dicionário Aurélio (2018) determinar valor ou conhecer o valor de algo. Nessa conceituação usamos provas como uma das formas de medir o conhecimento adquirido pelo educando. Porém, acreditamos que a avaliação pode ir além de determinar valor a algo. Entendemos que ela também pode ser usada como um instrumento de aprendizagem.

Quando tocamos na palavra “avaliação”, a reação imediata dos alunos é sempre negativa, pois os remete à tensão, ao medo e ao nervosismo.

Por esse motivo, sentimos a necessidade de repensar o processo de avaliação de forma a incluir nele um momento mais sereno, que desperte sorrisos e sentimentos de prazer, criando, dessa forma, memórias afetivas que contribuam para tornar duradouro tanto o momento quanto os conceitos abordados.

Para tanto, montamos para as primeiras séries do Ensino Médio um vídeo com trechos de filmes e documentários conhecidos e divertidos, que remetessem a lembranças de vivências pessoais, como “Procurando Nemo”, “Vida de inseto”, “Rei Leão”, entre outros. A intenção é que, por meio de estratégias involuntárias de memorização, os educandos formem redes conceituais que aumentem a probabilidade de se estabelecer estratégias de fixação do tema e assim gerar uma memória de longo prazo, além propiciar uma aprendizagem significativa.

O estudante deveria assistir às cenas selecionadas e associá-las aos tipos de relações ecológicas existentes na natureza, as quais foram conhecidas em aulas expositivas na disciplina de biologia e, em seguida, deveria escrevê-las na folha de resposta.

O mais interessante foi observar o comportamento dos alunos durante o momento da avaliação, pois uma ocasião que costuma ser traumática, cheia de expressões de angústia e nervosismo tornou-se divertida e tranquila.

Em torno de um mês após esse teste, os alunos foram submetidos a uma prova trimestral com formato tradicional. Dentre os conteúdos abordados, estava “relações ecológicas”, o mesmo cobrado na avaliação-filme. Posterior à correção e análise dos resultados, pudemos observar que houve um maior número de acertos nas questões que continham o assunto abordado na prova-filme do que nas perguntas sobre outros conteúdos abordados durante o trimestre.

Acreditamos que esse resultado deve-se ao fato de que ao submetermos os alunos a rever conceitos dados em aulas expositivas, fazendo relações de situações prazerosas da vida pessoal com a situação criada em sala de aula, o educando tece uma rede involuntária de memórias que o leva a uma melhor compreensão do assunto desenvolvendo uma memória flexível, ou seja, o motiva à reflexão, momento em que ele entende a aplicabilidade da situação estudada e com isso obtém um aprendizado mais afetivo.

*Camila Gabriela de Souza Xavier leciona ciências e biologia no Colégio Salesiano Santa Teresinha. Possui formação em ciências biológicas pela PUC – SP e pós-graduação em gestão ambiental pelo SENAC. Atualmente realiza pós-graduação em neurociência.

Mônica Regina Duarte Peinado é formada em ciências biológicas pela Universidade São Judas Tadeu, possui pós-graduação em ecologia, em educação especial e educação inclusiva. Atua como professora de biologia do Ensino Médio no Colégio Salesiano Santa Teresinha SP e como consultora científica especialista junior da Editora Saraiva para a plataforma virtual Ensino Fundamental I e especialista senior para o Ensino Fundamental II.