Aprendendo História com música
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Aprendendo História com música

Colégio Salesiano

11 de julho de 2019 | 09h42

Por Valter Pereira*

Um dos grandes desafios para o professor em sala de aula tem sido como prender a atenção dos alunos. Essa tarefa torna-se cada dia mais árdua, tendo em vista a precariedade do sistema educacional brasileiro, além dos inúmeros concorrentes que o professor tem que enfrentar em seu cotidiano, como celulares, tablets e afins. Quanto maior a diversidade de recursos utilizados em sala maior a possibilidade de conseguir algum retorno positivo por parte dos estudantes.

Há algum tempo as plataformas digitais oferecem uma infinidade de conteúdos relacionados aos temas abordados em várias disciplinas. A partir daí começamos a trabalhar em sala de aula a interpretação e análise de músicas temáticas nas aulas de História. As músicas são escolhidas a partir do repertório de bandas conhecidas e, geralmente, do gênero rock. Um exemplo dessa utilização podemos observar na abordagem de uma música da banda Rush, que trata sobre alguns aspectos da Revolução Francesa.

Rock é História

Apesar de ter vivido momentos de glória no Reino Unido, entre as décadas de 1960 e 1970, o rock, como um polvo, lançou seus tentáculos a outras partes do planeta. De um dos lugares mais improváveis, surge, em 1968, o Rush, uma das mais influentes bandas de rock de todos os tempos. O trio canadense, composto por Geddy Lee (vocalista, baixista e tecladista), Alex Lifeson (guitarrista) e o gênio Neil Peart (um dos maiores bateristas de todos os tempos), lança seu primeiro álbum em 1974 e já mostra toda sua habilidade instrumental. O Rush já demonstrava uma grande influência do hard rock e do rock progressivo. Bandas como Metallica, Smashing Punpkins e Dream Theater constantemente citam o trio como suas grandes influências musicais.

Bastille Day é a primeira faixa do disco Caress of Steel, lançado em 1975 (terceiro álbum de estúdio da banda). A música fala de uma das maiores revoluções ocorridas em todos os tempos: a Revolução Francesa, que abalou profundamente o modelo monárquico europeu, dando fim à Idade Moderna e iniciando o período conhecido como Idade Contemporânea.

No início do século XVIII, após ter participado da Guerra dos Sete Anos, a França ainda não havia conseguido se recuperar financeiramente dos gastos do conflito. Via sua economia arrasada e os setores sociais em frangalhos. Mesmo com a família real vivendo em Versalhes, a cerca de vinte quilômetros de Paris e totalmente alheio à crise que se instalara em solo francês, Luis XVI, rei da França, resolve, com o apoio de Jacques Necker, primeiro ministro das Finanças, convocar os Estados Gerais para tentar encontrar uma solução para o caos social e econômico pelo qual vivia o povo francês.

A estrutura social da França era dividida em três partes: na base da pirâmide social estava o Terceiro Estado, composto por artesãos, comerciantes e trabalhadores em geral que representavam a imensa maioria da população. No meio estava o Segundo Estado, uma minoria que compreendia a nobreza francesa, dotada de privilégios. E no alto da pirâmide está o Primeiro Estado representado por membros da Igreja Católica, também dotada de privilégios, era uma espécie de sustentáculo do regime absolutista francês.

Na Assembleia dos Estados Gerais, os representantes do Terceiro Estado, que era composto por cerca de 96% da população, não aceitam o sistema de votação, em que Primeiro e Segundo Estados votavam juntos, mesmo tendo a minoria dos deputados. O Terceiro Estado exigia que os votos fossem contabilizados per capita, ou seja, por pessoa e não por Estado. Retiram-se dos Estados Gerais e se fecham em Assembleia Nacional, visando à criação de uma nova Constituição. Luis XVI tenta resistir, mas acaba reconhecendo a Assembleia Nacional. Diante da resistência dos deputados a população adere ao movimento. Os revoltosos invadem a Bastilha, uma fortaleza medieval, que era utilizada como prisão e mantinha em seu subsolo um depósito de armas e munição. Apesar de abrigar apenas 7 prisioneiros no dia 14/07/1789, a Tomada da Bastilha é considerada o marco do início da Revolução Francesa. Bastille Day fala sobre esse importante evento histórico, que abalou as estruturas das monarquias em todo o mundo. Acompanhe um trecho e VIVA O ROCK!

 

Ooh, there’s no bread, let them eat cake

There’s no end to what they’ll take

Flaunt the fruits of noble birth

Wash the salt into the earth

 

But they’re marching to Bastille Day

La guillotine will claim her bloody prize

Free the dungeons of the innocent

The king will kneel, and let his kingdom rise

 

Não há pão, deixe-os comer bolo

Não há fim para o que eles irão receber

Ostentam os frutos do nascimento nobre

Lavam o sal dentro da terra

 

Mas eles estão marchando para o Dia da Bastilha

A guilhotina irá reclamar seu prêmio sangrento

Livre os inocentes das masmorras

O rei irá se ajoelhar, e deixar seu reino erguer

 

* Valter Pereira leciona há quinze anos na rede particular de ensino da cidade de São Paulo. Professor de História e Sociologia especializou-se em Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas. É professor de História no 9ª ano e Ensino Médio no Colégio Salesiano Santa Teresinha e no Liceu Coração de Jesus. Atualmente vem aprofundando estudos em metodologias ativas de ensino-aprendizagem e metodologias de ensino baseada em análise e resolução de problemas.

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