A pesquisa como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem
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A pesquisa como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem

Colégio Salesiano

22 de março de 2019 | 17h11

Por Valter Pereira*

O século XXI trouxe consigo uma infinidade de possibilidades e um vasto mundo de informações e notícias propagadas a cada milésimo de segundo nas redes sociais. A cada dia aumenta a quantidade de sites, blogs, páginas, podcasts e afins que tem como finalidade a divulgação de informações. Muitas vezes não escolhemos que tipo de informação que nos é apresentada. No caso das redes sociais, por exemplo, uma complexa combinação de algoritmos faz com que uma programação dotada de uma certa Inteligência artificial selecione o que devo e o que não devo ter acesso. Essa seleção não-natural das informações faz com que a cada dia fiquemos mais isolados em nossas bolhas sociais, lendo, assistindo e ouvindo apenas o que essa sofisticada tecnologia nos oferece.

As informações que nos chegam via redes sociais, vêm em escala exponencial, sem filtro de verossimilhança e, muitas vezes, sem análise prévia. Ao receberem como tarefa alguma atividade que requeira qualquer tipo de pesquisa, é esse cenário que os alunos encontram. Um universo de informações desencontradas, sem filtro, sem checagem, sem criticidade e muitas vezes sem qualidade. Mas como orientar os alunos a realizarem um trabalho de pesquisa sólido e consistente?

O educador Paulo Freire, em seu livro A Pedagogia da Pergunta, afirma que “o conhecer surge como resposta a uma pergunta”. O passo mais importante no trabalho de pesquisa em sala de aula é a elaboração da pergunta. Por meio da pergunta é que estimulamos a curiosidade e o desejo de conhecimento de nosso aluno. O início do interesse pela pesquisa surge na apresentação de um problema. Problema esse que deve ser apresentado de maneira contextualizada. Não basta apresentarmos um mero problema de resolução lógico, onde o aluno simplesmente aplica as operações básicas. É fundamental que esse problema esteja diretamente relacionado ao cotidiano da sociedade em que vivemos.

Uma das etapas que merecem maior atenção no trabalho de estímulo à pesquisa é a problematização do conhecimento, pois a erudição por si só é inócua. É necessário trabalhar a crítica, o questionamento, a indagação, a problematização, o viés da informação, bem como o contexto em que a informação foi produzida. Problematizar o conhecimento irá promover um envolvimento ativo e reflexivo por parte dos alunos, que poderão, a partir desse processo, organizar melhor seus argumentos para a discussão de temas que exigem uma complexidade maior de raciocínio.

Portanto, o papel fundamental nesse processo de produção de conhecimento é ocupado pelo professor que, diferente de décadas atrás, não é mais somente o transmissor de informações. A nova demanda escolar exige que o professor seja um facilitador no processo de ensino-aprendizagem. Uma espécie de ligação, que tem o dever de estimular a curiosidade do aluno, além de provocar inquietação.

 

* Valter Pereira leciona há quinze anos na rede particular de ensino da cidade de São Paulo. Professor de História e Sociologia especializou-se em Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas. É professor de História no 9ª ano e Ensino Médio no Colégio Salesiano Santa Teresinha e no Liceu Coração de Jesus. Atualmente vem aprofundando estudos em metodologias ativas de ensino-aprendizagem e metodologias de ensino baseada em análise e resolução de problemas.

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