A importância das acolhidas em Colégios
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A importância das acolhidas em Colégios

Colégio Salesiano

19 de novembro de 2020 | 09h46

Ficar longe das pessoas e dos lugares que amamos é sempre difícil. Quando isso é feito de maneira tão repentina e sem a chance de escolha, fica ainda mais complicado. Mas quando a oportunidade de estar junto novamente aparece, muita gente se entrega a ela. Durante os meses de outubro e novembro, os Colégios Salesiano Santa Teresinha e Liceu Coração de Jesus reabriram as portas para receber os pais e alunos depois de meses com o Ensino Remoto. A iniciativa contou com a presença dos setores pedagógicos, Pastoral e com a participação da psicóloga escolar, Claudia Zanchin, para que tudo fosse feito de maneira segura e, ao mesmo tempo, a mais acolhedora possível.

Para Claudia, que atua nos dois Colégios, a acolhida é importante tanto para os alunos quanto para os professores, pois nestes tempos de distanciamento traz não somente a possibilidade de juntar todos novamente como também “resgata a possibilidade do contato e do afeto por meio do olhar, do acolhimento e da escuta. Resgata também o sentimento de pertencimento, do aconchego do Colégio, das lembranças felizes e das memórias afetivas da convivência com as pessoas na comunidade escolar. Outro aspecto importante é a possibilidade de expressar seus sentimentos, ouvir seus colegas e compreender a perspectiva do outro numa atitude empática.”

 

Acolher com segurança e carinho a todos

Todos os cuidados para que este momento fosse o mais seguro e prazeroso possível foram tomados. Desde os protocolos sanitários até o olhar cuidadoso com a saúde emocional não só dos pais e alunos, mas também dos colaboradores que participaram. “Como passamos por momentos de muitas adaptações, o retorno também é uma readaptação. Por isso a necessidade de ter espaços onde a acolhida se faz por meio da escuta e do convívio e, para isso, é necessário que as equipes estejam psicologicamente preparadas e fortalecidas para acolher os alunos, compreender suas necessidades coletivas e individuais e readaptá-los à nova rotina escolar”, ressalta Claudia

A psicóloga também destaca que o retorno das aulas presenciais trará questões que precisarão de atenção e cuidado após este período de incertezas, perdas, medos e desafios. “Precisamos lembrar que todos fomos afetados pela pandemia da Covid-19 e por essa razão o cuidado com a comunidade escolar é fundamental para que possamos também cuidar das necessidades apresentadas pelos alunos.”

Para acolher bem, é preciso se preparar bem

Preocupados com tudo isso, o Colégio trouxe o Projeto Conexão já no início do período de quarentena, com o objetivo cuidar e preparar seus colaboradores durante o isolamento por meio de encontros semanais com temas diversos que, segundo Claudia, “fortaleceram e desenvolveram competências profissionais, além de promover com essa ação espaços de acolhimento e desenvolvimento da saúde emocional, além dos momentos de formação humana orientada pelos princípios da pedagogia salesiana”.

Mas esse retorno ainda acontece aos poucos. Mesmo com esses momentos de reencontro e acolhida, nem todos estão participando já que, mesmo sabendo da importância de se reunir novamente, é uma atividade ainda facultativa. Para Claudia, o melhor caminho é “entender que cada família apresenta necessidades diferentes e respeitar o tempo de cada uma”. Para ela, esses momentos de iniciativas de acolhida e até mesmo os drives com os alunos e professores trazem a possibilidade de novos olhares para a segurança e confiança para o retorno.

E lembra ainda que “é importante não esquecer da continuidade dos processos preventivos, bem como do cumprimento dos protocolos para a diminuição do contágio, que mesmo em menor escala, ainda existe e que é necessário fortalecer os cuidados para a plena saúde de todos”.  

Mesmo longe, ainda aprendemos muito

E mesmo diante de um cenário de cuidados e incertezas, Claudia reforça que a pandemia também trouxe muito aprendizado, principalmente sobre as relações. “Neste período, entendemos o quanto é importante a presença de quem amamos, a convivência com pessoas queridas, a importância de vivermos intensamente cada escolha de nossas vidas, a dar valor a nossa liberdade e que precisamos de pouco, muito pouco para ter uma vida tranquila”. E trouxe ainda um relato marcante que aconteceu durante um momento de acolhida.

“Em uma das acolhidas ouvi algo que me tocou verdadeiramente. Um aluno do 3º ano do Ensino Fundamental disse que a melhor coisa que tinha acontecido durante a quarentena era a certeza do amor de seus pais por ele. E abrindo os abraços expressou assim: ‘o amor deles por mim é tão grande, mas tão grande, que é maior que meu tamanho’ e caiu na risada. E nós, naquele momento, também fomos atravessados por esse amor tão grande e tão sincero que reforçam as palavras de Dom Bosco quando diz ‘não basta que os jovens sejam amados, mas que eles sintam que são amados’. Esses e outros exemplos nos dão condições de seguir em frente, de continuar nosso trabalho e de fortalecer aquilo que é essencial para todas as pessoas: a convivência com empatia, respeito, carinho e afeto.”

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