A abordagem do tema “racismo” em colégios deve se fazer presente
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A abordagem do tema “racismo” em colégios deve se fazer presente

Colégio Salesiano

20 de novembro de 2020 | 11h48

Dia 20 de novembro é o Dia da Consciência Negra no Brasil. A data foi definida em referência à morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes do Quilombo dos Palmares no século XVII, considerado o maior quilombo da América Latina.

No site Memorial Parque do Quilombo dos Palmares, os quilombos são definidos como  lugares em que os “fugidos dos cafezais e das plantações de cana-de-açúcar, os negros que se recusavam à submissão, à exploração e à violência do sistema colonial escravista aglomeravam-se nas matas e formavam núcleos habitacionais com relativo grau de organização e desenvolvimento social, econômico e político”.

Em 2020, o tema do racismo e da luta negra por representatividade no mundo todo veio à tona depois do caso de George Floyd, de 40 anos, que aconteceu em Minneapolis, nos EUA. O episódio gerou uma série de protestos e muitas campanhas na internet, aquecendo a discussão sobre a importância dessa luta em nossa sociedade.

Diante de tantos manifestos e movimentos, os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio tiveram uma roda de conversa para debater o tema “Branquitude e Racismo: a palavra como manifesto”.

Marilia Facco, orientadora educacional das 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, explica que a ideia era trabalhar a vertente brasileira do movimento vidas negras importam. “Considerando os acontecimentos da época e o interesse dos alunos sobre a temática, os professores de Sociologia, Língua Portuguesa e Produção de Texto foram convidados pela coordenação pedagógica e orientação educacional da escola a realizar essa atividade para que o assunto pudesse ser discutido com os alunos.”

Marília contou ainda que, após o desenvolvimento das aulas, recebeu inúmeras devolutivas positivas, mesmo de maneira informal e destacou que é fundamental que o tema seja colocado em pauta mais vezes durante o ano letivo.

E esse projeto deu bastante resultado. A professora de produção de texto, Katya Maia, ressalta esse retorno positivo dos estudantes. “Depois que eles saíram da conversa, eles produziram textos sobre a temática e ficou muito claro no texto que o conteúdo gerou, por parte dos alunos, uma reflexão muito interessante sobre o que é o racismo estrutural”.

Para Marília, essa abordagem vem para somar sobre o processo de formação humana dos educandos. “Acredita-se que essa prática localizada em uma aula teve impactos relevantes, ensejando a abertura de mais espaços para a discussão e formação humana no tocante ao desenvolvimento da consciência racial de alunos.”

“Falar sobre branquitude é fundamental e urgente. Neste ano, tivemos mais exemplos de racismo nos EUA, que levou multidões às ruas e, no Brasil, vivenciamos vários ataques racistas. Ainda hoje, ao voltar para casa, ouvi a notícia que a primeira vereadora negra eleita na cidade de Joinville recebera ofensas racistas e ameaças de morte”, conclui Marcio Mainardi, professor de língua portuguesa.

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