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Interpretação de obras de arte incentiva senso crítico de alunos

Colégio Salesiano

01 de junho de 2020 | 18h40

Técnica utilizada por uma das professoras de Língua Portuguesa do Liceu Coração de Jesus desenvolve interpretação de textos e a formação de cidadãos críticos

 

O papel do professor é fundamental na formação de leitores críticos – afinal, em grande parte dos casos, é na escola que se inicia o processo de aprendizagem de interpretação de textos na prática. E, quando falamos em texto, não podemos esquecer que também existem os textos não-verbais, histórias contadas por meio de pinturas, esculturas, espetáculos de dança, intervenções, entre tantas outras formas de expressão artística.

A análise de obras de arte, despertando a curiosidade e o olhar crítico de estudantes, é uma das técnicas utilizadas por Analu Pandorf Mercante, professora do Ensino Fudamental II, do Liceu Coração de Jesus. Ela pede que os alunos contem a história por trás de determinadas peças artísticas, investigando aspectos estéticos, o contexto em que a obra foi criada e muitas vezes até pesquisas mais aprofundadas. É claro que tudo isso também passa pelo filtro de cada um dos estudantes, que, com suas impressões e visões únicas de mundo, acabam enxergando detalhes diferentes, muitas vezes, com interpretações variadas de uma única peça.

“A interpretação de obras de artes faz parte do desenvolvimento do senso crítico, pois a arte reproduz o que sentimos, o que vivemos, o nosso estado de espírito. É nossa função, como professores, mostrar aos estudantes que uma pintura também é um texto, pois cumpre um papel social; que a escolha de determinada cor em detrimento de outra, por exemplo, pode transmitir uma mensagem específica, nos impactar e causar sensações diferentes”, explica Analu.

A mescla de códigos e o uso de diversas expressões textuais para incentivar o senso crítico dos jovens, também, estão presentes nos trabalhos criados por Analu. Muitas vezes, a leitura de um livro resulta em apresentações teatrais, podcasts, fóruns, contações de histórias ou representações artísticas. “Os próprios alunos dizem que aprendem muito mais com os trabalhos do que com as provas. É uma forma de despertar a curiosidade deles, porque é um processo que exige que eles busquem mais informações, pesquisem e se envolvam com a história”, conta a professora.

Isso tudo faz parte de um planejamento muito mais amplo, que também envolve um cuidado especial na escolha dos livros apresentados em sala de aula e a forma como essas leituras são passadas. “Eu dou muita liberdade para os alunos dizerem que não gostam de um texto. Mas sempre questiono o porquê de eles gostarem mais de um do que de outro, porque eles precisam saber argumentar e questionar, até para descobrirem do que eles realmente gostam. Nessa fase, é muito importante que eles entendam que um texto é algo bom, que cumpre uma função comunicativa e social”, finaliza Analu.

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