Dia do adolescente e seus desafios
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Dia do adolescente e seus desafios

Colégio Salesiano

21 de setembro de 2020 | 16h12

*Por Fábio Aurélio de Moraes

Hoje, comemoramos uma data muito especial: o dia do adolescente. Data instituída “em 1996 por intermédio de um projeto de lei do deputado Horácio de Matos Neto, sendo comemorado oficialmente no dia 21 de setembro no nosso país”. Neste ano, a festa deve ser comemorada em dobro, pois o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa seus 30 anos de existência.
A história revela que, por muito tempo, a infância e a adolescência eram fases de desenvolvimento sem expressividade e identidade social. O historiador Philippe Ariès corrobora esse pensamento quando apresenta duas teses: “na primeira, afirma que a sociedade tradicional da Idade Média não via a criança como ser distinto do adulto. Na segunda, indica a transformação pela qual a criança e a família passam, ocupando um lugar central na dinâmica social”. Portanto, observou-se, na virada do século XIII, uma mudança de concepção – a criança passou a ocupar um espaço de identidade no seio familiar e na sociedade.


Assim como em outros países, o Brasil demorou bastante para definir suas condutas para o efetivo acompanhamento dos adolescentes. Mas, em 2010, o Ministério da Saúde do Brasil lançou as Diretrizes Nacionais de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes na Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde. “Essas diretrizes buscam sensibilizar gestores para a visão holística e abordagem sistêmica das necessidades dessa população, procurando também apontar a importância da construção de estratégias que contribuam para a modificação do quadro nacional de vulnerabilidade de adolescentes e jovens, influindo no desenvolvimento saudável desse grupo populacional”.
O Brasil, ainda, apresenta um contexto complexo para o desenvolvimento dos adolescentes. Infelizmente, enfrentamos um crescente cenário de vulnerabilidades, desigualdades, doenças mentais, drogadição, analfabetismo e desestruturação familiar.
Em suma, o País necessita de políticas públicas, evidências científicas, saúde e educação voltadas ao desenvolvimento integral dos adolescentes. É essencial desenvolver uma mediação assertiva e proporcionar espaços para que participem ativamente da sociedade. “Na perspectiva da promoção da saúde e prevenção de agravos na adolescência, é essencial estimular o protagonismo juvenil, engajando-o em projetos nos quais ele mesmo crie, assuma e administre. É fundamental propiciar ao adolescente autonomia e apoio para que ele possa usar seu potencial de energia em atividades comunitárias que propiciem autoconhecimento e altruísmo”, defende a Dra. Alda Elizabeth B. I. Azevedo, médica pediatra, presidente do Departamento Científico de Adolescência (SBP).

REFERÊNCIA
ARIÈS, P. A História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara, 1978.
AZEVEDO, Alda Elizabeth B. I. Dia do Adolescente 2020: Celebrando o marco legal para atenção integral à saúde dos adolescentes: 30 anos do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. SBP, 2020.

*Fábio Aurélio de Moraes é coordenador do Ensino Fundamental II e Médio do Liceu Coração de Jesus. Filósofo, Pedagogo, especialista em Gestão Educacional e Neurociência aplicada à Educação e mestrando em Saúde da Comunicação Humana.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: