Com prédio histórico tombado na região central de SP, Liceu Coração de Jesus comemora 135 anos
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Com prédio histórico tombado na região central de SP, Liceu Coração de Jesus comemora 135 anos

Colégio Salesiano

23 de junho de 2020 | 12h18

Primeiros alunos do colégio foram filhos de escravos libertos e de imigrantes italianos; complexo construído em estilo renascentista em 1885 tem imagem do Sagrado Coração de Jesus vinda da Europa

O Liceu Coração de Jesus completou 135 anos no mês de junho. Localizado na região central da capital paulista e tombado pelo Condephaat, o prédio remete a momentos históricos de São Paulo, abrigando um dos colégios mais antigos ainda em funcionamento na cidade. A instituição foi inaugurada pelos primeiros padres salesianos que desembarcaram em São Paulo, em 1885, sob o nome Liceu de Artes, Ofícios e Comércio.

Marcada pela tradição e pela presença religiosa, a escola também ajuda a remontar momentos importantes da história de São Paulo. Seus primeiros alunos foram filhos de escravos libertos e de imigrantes italianos, que procuravam pelos cursos profissionalizantes de tipografa, impressão, alfaiataria, entre tantos outros. Hoje a escola disponibiliza Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

O conjunto arquitetônico, que ocupa um quarteirão inteiro no bairro dos Campos Elíseos, também inclui a igreja do Santuário Sagrado, construída para abrigar a imagem do Sagrado Coração de Jesus, vinda da Europa, e o Teatro Grande Otelo. Um dos pontos de destaque da construção, o teatro foi restaurado e reaberto em 2011, com apresentações de peças consagradas.

Tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) em 2013, o complexo mantém as características arquitetônicas originais. O Santuário, construído em estilo renascentista e em forma de basílica também possui a mesma planta retangular de sua inauguração.

Ao longo dos anos, o Liceu conseguiu preservar suas características históricas e tradições e, ao mesmo tempo, se pautar pela inovação, tendo como pilares a liberdade, o incentivo ao pensamento crítico e a valorização humana.

O colégio ainda conta com o Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB), com mais de 40 mil objetos colecionados desde o início do século XX. O MOSB é o centro de memória do Colégio Liceu Coração de Jesus e promove exposições temporárias e visitas educativas.

 

Curiosidades

  • Pelas salas de aula do colégio passaram personalidades brasileiras ilustres como os atores Sérgio Cardoso, Grande Otelo (que deu nome ao teatro do Liceu) e Fúlvio Stefanini e o cantor Toquinho.
  • O colégio adotou a instrução militar na época da campanha lançada em 1908 pelo Marechal Hermes da Fonseca, para que o ensino militar fosse obrigatório no país, com foco na formação de caráter, no patriotismo e no civismo. Depois dos estudos, os alunos recebiam caderneta reservista do Exército, ficando assim isentos do serviço militar do quartel.
  • A música sempre esteve presente no colégio. Os Canarinhos do Liceu Coração de Jesus ganharam grande notoriedade e passaram a ser conhecidos mundialmente, com destaque para duas figuras ilustres que fizeram parte do coral: o maestro Roberto Tibiriçá, titular da cadeira de nº 5 da Academia Brasileira de Música desde 26 de março de 2003 e membro Honorário da Academia Nacional de Música, Rio de Janeiro desde 2018; e o tenor lírico Thiago Aracam, famoso por se apresentam em diversos teatros no mundo.
  • O colégio foi atingido por um bombardeio da Revolução de 1924, conhecida como segundo movimento tenentista do país, pedindo o fim do governo da República Velha, reformas no ensino público, voto secreto, poder político ao exército, fim da corrupção e destituição do presidente Artur Bernardes. A revolução ficou conhecida como o maior bombardeio ocorrido na cidade de São Paulo: diversos prédios e casas foram destruídos, principalmente em áreas operárias. O bombardeio atingiu a torre e os portões do Santuário do Sagrado Coração de Jesus – as marcas estão visíveis até hoje para quem passa pela Alameda Glete. Também é possível ver os fragmentos das bombas, expostos no Museu da Obra Salesiana no Brasil (MOSB).

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