Mais humanidade, por favor!

Mais humanidade, por favor!

Em tempos de obscurantismo, o Coletivo Humana Mente se aprofunda em temas de relevância cultural, histórica, socioambiental e coleciona prêmios e homenagens.

Colégio Rio Branco

04 de setembro de 2019 | 17h15

Há sete anos, o Colégio Rio Branco e o Centro de Educação para Surdos Rio Branco deram início a discussões e trabalhos cujos temas propõem reflexões em grupo para a análise aprofundada de períodos históricos e conflitos atuais, discutindo temas nacionais e globais em torno de questões sociais, humanas, de gênero e inclusão, ambientais e culturais.

O professor Caio conduz os trabalhos

O Coletivo Humana Mente é uma atividade extracurricular multidisciplinar, gratuita e opcional, com encontros semanais que acontecem na unidade Granja Vianna, com a participação de alunos do 9° ano Ensino Fundamental a 3° série do Ensino Médio, professores, orientadores e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Todos os anos um tema central é elencado pelo grupo para o desenvolvimento de projetos que podem envolver recursos audiovisuais e tecnológicos, artesanais, teatro, música e interpretação.

Sob a coordenação dos professores e idealizadores do projeto, Caio Mendes, de História, Camila Vilar, de Inglês, e Lívia Villas Boas, intérprete de Libras, os trabalhos já foram destaque em diferentes lugares e vem recebendo homenagens e premiações.

A releitura dos horrores da Ditadura Militar no Brasil ganharam exposição no MAM, em 2014

Em 2014, por exemplo, refletindo sobre os 50 anos do regime ditatorial brasileiro, foram produzidas uma série de 50 fotografias, uma para cada ano desde o Golpe de 1964. Cada imagem foi associada a uma produção – poesia, música, dança, desempenho ou animação – acessível ao público surdo e ouvinte. A exposição fotográfica ganhou exibição no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, durante a V Semana Cultural de Sinais na Arte.

A crise mundial migratória também foi tema de projeto que propôs a construção de um barco de 4,1 metros de comprimento confeccionado com folhas de jornais que estampavam notícias sobre refugiados da época, em 2015.

Nessa mesma perspectiva, 1.200 alunos participaram da construção da instalação artística  de um “Hipocampo Coletivo”,  onde a  palavra “lembrança” foi escrita a partir da colagem de cerca de 4.800 adesivos na parede, ocupando uma área aproximada de 7,5 m².

Os trabalhos também ganharam visibilidade em ações da Organização das Nações Unidas (ONU), como o vídeo Como seria o mundo…? que abordou a desigualdade entre gêneros, vencendo o prêmio da ONU  Mulheres em 2016. O trabalho foi o mais votado na página do concurso “O Valente não é Violento”, com mais de 2.100 votos, levando as categorias Júri Especializado e Júri Popular.

No ano seguinte, o curta-metragem Alfabeto da Intolerância que trabalhou diversos tipos de intolerâncias também integrou a campanha mundial dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, organizada pela ONU Mulheres.

Baleia construída com copos plásticos atenta para a saúde dos mares e do meio ambiente

A escultura de uma baleia de 6,5 metros de comprimento, confeccionada com cerca de 4 mil copos plásticos coletados na escola durante duas semanas, chamou a atenção da comunidade interna e externa.  O objetivo foi a conscientização do abuso do uso de embalagens plásticas e seu impacto no meio ambiente e na vida marítima.  A escultura ficou exposta na entrada da escola e em outros locais públicos, em 2017 e 2018.

Desafio Criativos na Escola 2019

Nesse mês, o Coletivo Humana Mente recebeu Menção Honrosa no “Desafio Criativos na Escola 2019”, pelo conjunto da obra e todo o trabalho realizado nos últimos sete anos no Colégio Rio Branco.

O projeto é uma iniciativa do Instituto Alana e do movimento global Design For Change que celebra e premia projetos protagonizados por crianças e jovens de todo o país que, apoiados por seus educadores e educadoras, estão transformando suas escolas, comunidades e municípios.

Em 2019, foram inscritos 1.443 projetos enviados de todos os estados do Brasil e a organização selecionou projetos que mais se destacaram nos critérios: protagonismo, empatia, criatividade, trabalho em equipe e potencial de transformação social.

Após um criterioso processo de avaliação, o grupo de onze jurados convidados pelo Criativos escolheu projetos que vão desde a utilização da Floresta Amazônica como alternativa à falta de laboratório na escola, até ações de combate a preconceitos, valorização da cultura local e criação de alternativas criativas para a redução da evasão escolar. Conheça os projetos e escolas finalistas.

Os trabalhos selecionados irão compor a delegação do Brasil em Roma, na Itália, durante a Conferência de Crianças e Jovens “Eu posso” (I Can), com a presença do Papa Francisco, artistas e demais lideranças mundiais.

Representando todas as iniciativas inscritas, os 7 grupos encontrarão mais de 2 mil outras crianças e jovens que também estão transformando suas realidades e que vêm de países integrantes do movimento Design for Change – do qual o Criativos da Escola faz parte.

Em uma época de revisionismo histórico e negação da ciência e da cultura, projetos como o Coletivo Humana Mente se fazem cada vez mais imprescindíveis e urgentes, já que sua concepção baseia-se, entre outros aspectos, em quatro importantes pilares: colaboração, autenticidade, sensibilidade e acessibilidade.

Conheça mais sobre o Coletivo Humana Mente do Colégio Rio Branco em gg.gg/humanamente

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