Janeiro Branco: campanha em prol da nossa saúde mental

Janeiro Branco: campanha em prol da nossa saúde mental

Em 2018 a Organização Mundial de Saúde estimou que a depressão seria a doença mais incapacitante do mundo, alertando para a importância dos cuidados com a Saúde Mental. À época, o que não estava previsto era uma pandemia que, desde o início de 2020, transformou nossas vidas e cujos índices em relação à ansiedade, depressão e estresse reforçam a importância de zelar pelas nossas emoções.

Colégio Rio Branco

31 de janeiro de 2022 | 17h19

Último dia do primeiro mês do ano, Janeiro. Um mês que possui aroma de esperança, daqueles que sentimos em jardins vivos, coloridos e que possuem passarinhos encarregados pelo som de pano de fundo. A sensação é de que pode-se começar tudo outra vez, trocar o lado do disco que está a tocar na vitrola – ele é o mesmo, mas quem sabe não seriam as canções mais alegres dessa vez.

Desde 2014, a Organização Mundial de Saúde iniciou uma importante campanha de conscientização acerca da importância dos cuidados com a nossa saúde mental e Janeiro não foi escolhido ao acaso. Existe uma associação proposital entre este mês, que inaugura o novo ano, com uma “página em branco”. Imagino uma grande tela prestes a receber as pinceladas com novas histórias, metas e sonhos numa busca contínua pela sensação de bem-estar – mesmo em um momento em que o mundo nos apresenta uma paleta de cores incertas e, por vezes, até mais escuras que o habitual.

Em 2018 a Organização Mundial de Saúde estimou que a depressão seria a doença mais incapacitante do mundo, alertando para a importância dos cuidados com a Saúde Mental. À época, o que não estava previsto era uma pandemia que, desde o início de 2020, transformou nossas vidas e cujos índices em relação à ansiedade, depressão e estresse reforçam a importância de zelar pelas nossas emoções.

A 9ª edição dessa campanha leva em consideração o momento que estamos atravessando: O MUNDO PEDE SAÚDE MENTAL. É inegável o impacto desse período na vida de cada um de nós. Contudo, se por um lado essa a batalha contra a Covid-19 colocou os cuidados com a saúde mental em evidência, por outro, a verdade é que ela talvez tenha dado voz ao nó que já estava engasgado na garganta de muitas pessoas.

Vocês se recordam do que ocorreu nas últimas olimpíadas? Simone Biles é, sem dúvida, uma grande ginasta. Medalhas não faltam no seu percurso, mas em meio aos jogos olímpicos de 2021, foi preciso parar, respeitar os limites físico e psicológico que se impuseram. Sim, algumas vezes a pressão é intensa em demasia e a necessidade de perfeição transforma o prazer em um nível tão elevado de estresse que o sentido do fazer se perde pelo caminho. Essa realidade pode até se tornar mais evidente numa competição entre atletas de alta performance, porém, podemos fazer um paralelo com o dia a dia de trabalho de cada um de nós.

Espero que  a experiência vivenciada por Biles não tenha caído no córrego dos acontecimentos que rapidamente esquecemos e que ela possa ser para nós como um lembrete, um sinal de alerta que anuncia o valor do  autoconhecimento, da capacidade de se identificar os próprios limites e de perceber quando se deve parar ou seguir.

Quantas vezes aceleramos o passo, pulamos degraus, tropeçamos, sentamos e, cansados, chegamos a pensar: será que isso vai dar certo?! Confesso que a ansiedade já me fez desejar pular alguns, correr para pegar impulso, esticar as pernas no limite: um, dois, três e… Quem nunca? Mas sejamos ponderados, tanto na vida pessoal ou profissional: “um passo de cada vez”. Assim temos tempo para admirar a paisagem, assim respeitamos a nós mesmos, assim não perdemos o fôlego, assim chegamos a qualquer destino.

A importância de campanhas como o Janeiro Branco está na necessidade de sensibilizar, informar, desmistificar, trocar, conversar. Como você cuida da sua saúde mental? Não existe uma lista de autocuidado única – seria impossível algo comum a todos, mas algumas condições podem nos ajudar a traçar novas trilhas em situações adversas. Tratam-se dos fatores de proteção para a Saúde Mental.

Dentre eles, temos aspectos pessoais, familiares e comunitários: ser uma pessoa com temperamento fácil, boa convivência familiar, fazer parte de algum grupo social – como um time de alguma prática esportiva, oportunidades de lazer, prática de atividade física, senso de humor, comportamento sociável etc.

Os fatores protetores favorecem a “resiliência” – capacidade tão mencionada e necessária nos dias atuais. Resiliência corresponde à capacidade de lidarmos com os problemas, nos adaptarmos às mudanças, superarmos obstáculos ou resistirmos à pressão de situações difíceis.

O que você tem feito para “proteger” sua saúde mental? A tela está em branco outra vez, com quais cores você irá preenchê-la? Mas lembre-se, é preciso que os cuidados, ultrapassem esses primeiros 31 dias do ano e se mantenham pelos próximos 334, quando completamos mais uma volta da Terra ao redor do Sol.


Juliana Góis é Orientadora Educacional de Apoio à Aprendizagem no Colégio Rio Branco, psicóloga e psicopedagoga, especialista em Neuropsicologia e mestre em Neurociência. Atua na área clínica e educacional.

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