Inclusão: estudante surda de SP destaque no Enem é aprovada em universidade federal pelo Sisu

Inclusão: estudante surda de SP destaque no Enem é aprovada em universidade federal pelo Sisu

Colégio Rio Branco

11 de fevereiro de 2020 | 16h13

Foto: arquivo pessoal.

No final de 2019, a estudante Amanda Ayumi Mikami , 18, aluna da unidade Granja Vianna, do Colégio Rio Branco, foi uma entre os milhares de jovens de todo o Brasil que prestaram o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Amanda é surda e além de poder usar os recursos de acessibilidade da prova disponíveis desde as últimas edições, a estudante teve mais uma importante conquista: Amanda tirou 920 pontos na redação! Uma nota alta e acima da média geral dos estudantes nesse quesito. Além da redação, ela também obteve boa pontuação em outras áreas do exame.

Sobre o tema da redação “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, ela explica a escolha da sua abordagem, “como o tema foi sobre a democracia no cinema, citei a falta de inclusão e a acessibilidade para os deficientes. Eu desenvolvi meu texto baseado na falta de preocupação com a inclusão de todos os tipos de deficiências, tal como a carência de disponibilidade das legendas para os surdos e de áudio descrição para as pessoas com deficiência visual, na maioria dos cinemas brasileiros”.

Notas da estudante Amanda, no Enem 2019. Imagem: reprodução.

Amanda iniciou sua vida escolar no Centro de Educação para Surdos Rio Branco (CES) e depois completou os ensinos Fundamental II e Médio no Colégio Rio Branco, unidade Granja Vianna. “Estudar no CES foi muito importante para a minha vida, pois foi lá que desenvolvi a minha língua materna, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e foi lá que pude conhecer realmente o mundo dos surdos”, explica.

Aos 12 anos de idade, Amanda foi para o Programa de Continuidade de Escolaridade, no qual os alunos surdos são incluídos junto aos ouvintes em salas regulares do Colégio Rio Branco, sempre com um intérprete de Libras à disposição em sala de aula.

“A escola possui uma estrutura que as escolas públicas não oferecem como as aulas de Português exclusivas para os surdos. Tem professores especializados que entendem a cultura e as dificuldades dos surdos devido às diferenças entre a Libras ( nossa língua materna) e a Língua Portuguesa escrita. Os docentes ajudam os alunos a desenvolver a escrita na Língua Portuguesa”, diz Amanda.

“Além disso, o colégio oferece os simulados preparados pelo sistema de Ari de Sá, que contém as questões relacionadas à atualidade. Tudo isso foi fundamental para o resultado do Enem, para os vestibulares e também o futuro dos alunos surdos”, completa.

Além dos bons resultados no Enem, Amanda Ayumi Mikami, foi aprovada no curso de Administração na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), divulgado recentemente.

Para o futuro, a expectativa dela é ver uma maior inclusão e aceitação de surdos em todos os espaços, como na universidade, que marca essa nova fase da sua vida, e no mercado de trabalho numa próxima etapa. “Mesmo existindo a lei de inclusão que determina o respeito dos surdos em lugares públicos, em muitos lugares ela ainda não é respeitada”, finaliza Amanda com o olhar voltado para o social e a garantia dos direitos das minorias.

Como acontece a formação educacional de surdos no Rio Branco?

Qualquer criança surda a partir de zero ano de idade (bebês) pode ingressar no Centro de Educação para Surdos Rio Branco (CES), passar pelas fases de estimulação do desenvolvimento e cursar os níveis escolares até o 5° ano do Ensino Fundamental.  O trabalho bilíngue é todo realizado na Língua Brasileira de Sinais (Libras), adotada como a primeira língua no ensino e na aprendizagem, seguido da Língua Portuguesa, na modalidade escrita.

A partir do 6° ano do Ensino Fundamental,  já com a autoestima e a identidade surda fortalecida, os estudantes são incluídos nas salas de aula regulares, junto aos alunos ouvintes do Colégio Rio Branco, por meio do Programa Continuidade de Escolaridade – com o acompanhamento diário de tradutores intérpretes de Libras e Língua Portuguesa em todas as aulas, além de orientação pedagógica personalizada até a conclusão do Ensino Médio.

O Colégio Rio Branco também oferece a possibilidade dos alunos ouvintes de todas as faixas etárias, assim como seus familiares, participarem de oficinas de Libras.

Esse amplo trabalho dedicado aos estudantes surdos, que acontece há mais de 40 anos, além do atendimento e suporte às famílias, integra um dos principais braços sociais da instituição ao contemplar mais de 100 alunos beneficiados surdos com bolsas de estudos, mediante análise socioeconômica.

A valorização da cultura surda, o respeito à diversidade sociocultural e linguística da minoria surda fazem parte do principal projeto de inclusão da instituição. É uma de suas marcas e está na natureza do seu dia a dia, sendo um grande orgulho, já que alunos, educadores e colaboradores convivem harmoniosamente, aprendendo juntos e mutuamente.

O Centro de Educação para Surdos Rio Branco foi criado em 1977, pela Fundação de Rotarianos de São Paulo e conta com uma equipe altamente qualificada de profissionais e educadores, surdos e ouvintes, fluentes em Língua Portuguesa e na Língua Brasileira de Sinais.

O CES também trabalha com a campanha “Mãos Fazendo História”, aberta para receber voluntários e doações para a ampliação dos trabalhos de excelência nesta importante área da educação.

Mais informações: www.ces.org.br