Fios Solidários: alunos do Colégio Rio Branco arrecadam doações de cabelo durante o Outubro Rosa

Fios Solidários: alunos do Colégio Rio Branco arrecadam doações de cabelo durante o Outubro Rosa

Além da coleta de material destinado à confecção de perucas para vítimas do câncer, esse ano a ação também busca ajudar a economia local da região de Cotia, durante a pandemia. Segue o fio.

Colégio Rio Branco

24 de outubro de 2020 | 00h57

Imagem: reprodução/Internet.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), órgão auxiliar do Ministério da Saúde, o câncer de mama é o segundo tipo da doença que mais acomete as mulheres brasileiras, representando cerca de 20,9% de todos os cânceres que afetam o sexo feminino ou 29,7%, excetuando-se o câncer de pele não melanoma.

Diante desse cenário, todos os anos a sociedade civil, a imprensa, a iniciativa privada e órgãos oficiais públicos e de saúde se unem em prol do Outubro Rosa, mês da campanha de conscientização para a prevenção e cuidados com a doença.

Mesmo com as limitações impostas pela pandemia do novo coronavírus em 2020, um grupo de alunos da unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco resolveu não ficar parado, e pelo terceiro ano consecutivo está participando do projeto Fios Solidários, realizado pelos jovens do coletivo Interact Club Granja Viana, na região de Cotia, em São Paulo.

Além da aluna do 2° ano do Ensino Médio, Giulia Klein Scurato, diretora do projeto, também participam da ação, os estudantes Isabella Fernandes Leitão de Oliveira, Mariana Martins, Felipe Bernkopf Rabelo, Ana Clara Dittrich, Letícia Maglio Miranda, Laís Campos Mendonça, Tobias Lima Fonseca e Camila Tiemi Nakamura, todos da unidade Granja Vianna do colégio.

Nos anos anteriores, foram destinados para a ação, um espaço comercial e uma sala em um shopping local, onde cabeleireiros convidados realizaram um corte simples nos doadores. O material, que precisa ter a partir de 10 cm, era ensacado individualmente e enviado pelos Correios para o Instituto Rapunzel Solidária e para o GRAACC.

“Em 2018, primeiro ano do projeto, foram arrecadados oito metros de cabelo e, em 2019, com maior adesão da campanha, cerca de 20 metros de mechas foram destinados à produção de perucas para as vítimas do câncer, que tem a queda capilar como um dos principais efeitos colaterais do tratamento, problema que afeta diretamente a autoestima de mulheres e de crianças”, conta Giulia Klein.

Esse ano, em razão das restrições de higiene e segurança para a prevenção da Covid-19 e da necessidade de readequar o projeto, os jovens tiveram a ideia de mobilizar salões de beleza e cabeleireiros autônomos para a coleta, diretamente nos estabelecimentos em que atuam. Todas as instruções e suporte estão sendo dados aos profissionais, que recebem todo o material necessário do grupo, como sacos plásticos, elástico, cola, folhetos informativos e caixas personalizadas. Depois de arrecadado um montante de cabelo, os jovens passam fazendo a recolha.

“A iniciativa desse ano também foi uma forma que encontramos de impulsionar a economia local, especialmente salões de pequeno e médio porte, além de profissionais autônomos que passam por dificuldades durante a pandemia, já que fazemos toda a divulgação do projeto e também dos estabelecimentos, pelas redes sociais e outros canais de comunicação”, explica Giulia.

Sobre a importância da ação, a estudante afirma que o objetivo principal é proporcionar uma melhora na autoestima das mulheres que passaram ou estão passando pelo processo de quimioterapia, além de impulsionar a cultura da doação de cabelo e ser um facilitador, já que o projeto Fios Solidários, em condições sanitárias normais, é realizado em locais centrais da região, de fácil acesso e grande circulação de pessoas.

“Nas edições anteriores também costumávamos passar nas escolas informando, o que facilita tanto para o doador quanto para o profissional de beleza, já que não precisam realizar os procedimentos de doação sozinhos, além de poder proporcionar um corte gratuito a doadores que muitas vezes possuem poucos recursos. Algo bastante comum e muito positivo é a adesão de grupos de amigos que se reúnem para irem juntos, então em um único dia, pode chegar a 30 o número de pessoas para doar”, explica.

A iniciativa também estimula o autoconhecimento e maiores instruções sobre a doença, além de solidarizar as pessoas, conscientizando-as sobre a importância de criar uma rede de ajuda e empatia.

“O câncer de mama representa um medo e um perigo para as mulheres e a melhor forma de estimular a prevenção é por meio do compartilhamento de informações para todas as idades. Acho que o nosso projeto tem um papel muito importante nisso, porque também desperta curiosidade, pesquisa e leitura: como a pessoa pode se tocar, se prevenir, ter mais atenção sobre a necessidade de realizar os exames, ajudar pacientes próximos e muitas vezes notar que há algo errado com o próprio corpo”, finaliza Giulia.

Bastante atuante, Giulia Klein é uma das organizadoras do projeto.

Além das ações solidárias pelo Interact Club, Giulia Klein também é uma aluna bastante participativa e ativa em projetos diversos, culturais e de reflexão do Colégio Rio Branco, como a Monitoria, o Humana Mente, o Viva Fest e atualmente o coletivo Aliteração.

A campanha Fios Solidários vai até o dia 31 de outubro (com chances de ser estendida). Todo o material arrecadado será encaminhado novamente aos institutos GRAACC e Rapunzel Solidária.

Os interessados em obter mais informações sobre o projeto ou realizar doações devem entrar em contato por mensagem, pela página do grupo no Instagram @InteractGranjaviana

Câncer de mama: prevenção e cuidados

A prática de atividades físicas e uma alimentação saudável, com manutenção do peso corporal adequado, estão associadas a um menor risco de desenvolver o câncer de mama: cerca de 30% dos casos podem ser evitados quando são adotados esses hábitos. A amamentação também é considerada um fator protetor.

Os principais sinais e sintomas da doença são: caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor; pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja, alterações no bico do peito (mamilo) e saída espontânea de líquido de um dos mamilos. Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou nas axilas.

Não há uma causa única para o câncer de mama. Diversos agentes estão relacionados ao desenvolvimento da doença entre as mulheres, como: envelhecimento (quanto mais idade, maior o risco de ter a doença), fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher (idade da primeira menstruação, ter tido ou não filhos, ter ou não amamentado, idade em que entrou na menopausa), histórico familiar de câncer de mama, consumo de álcool, excesso de peso, atividade física insuficiente e exposição à radiação ionizante.

Nos últimos anos, o INCA tem trabalhado com a população feminina a importância de “estar alerta” a qualquer alteração suspeita nas mamas (estratégia de conscientização), assim como tem desenvolvido ações com gestores e profissionais de saúde sobre a importância do rápido encaminhamento para a investigação diagnóstica de casos suspeitos e início do tratamento adequado, quando confirmado o diagnóstico.

Além de estarem atentas ao próprio corpo, mulheres de todas as idades devem fazer o autoexame e aquelas entre de 50 a 69 anos devem fazer mamografia de rastreamento, pelo menos, a cada dois anos. Esse exame pode ajudar a identificar o câncer antes de a pessoa ter sintomas. A mamografia nesta faixa etária, com periodicidade bienal, é a rotina adotada na maioria dos países que implantaram o rastreamento organizado do câncer de mama e baseia-se na evidência científica do benefício desta estratégia para a redução da mortalidade neste grupo.

Informações: Instituto Nacional de Câncer (INCA)

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