Fim de ano letivo com mais significado

Fim de ano letivo com mais significado

Escola substitui tradicional fase de provas finais por ciclo de projetos e oferece mais autonomia aos alunos.

Colégio Rio Branco

02 de dezembro de 2020 | 10h16

As atividades multidisciplinares ocupam todos os espaços da escola. Foto ilustração: Rio Branco 2019, anterior à pandemia.

Para muitos estudantes, os últimos meses do ano letivo são marcados por avaliações e uma corrida em busca das notas desejadas. Visando ressignificar essa fase tão importante, o Colégio Rio Branco, que conta com duas unidades em São Paulo, vem aperfeiçoando sua organização curricular.

Desde 2019, no lugar de uma divisão por bimestres, a escola oferece quatro ciclos de aprendizagem, sendo os três primeiros dedicados ao conteúdo previsto para cada série. No último ciclo, com duração de um mês, os alunos passam a fazer projetos em grupos. Sem aulas expositivas ou provas finais, eles fecham o ano dedicando-se a trabalhos ligados a sustentabilidade, direitos humanos e outros conteúdos relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que integram a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com Claudia Xavier, diretora do Colégio Rio Branco na Unidade Granja Vianna, os projetos são desenhados em conjunto com os professores a partir do mapeamento dos conteúdos essenciais e permitem a consolidação e o aprimoramento do que já foi estudado. “Nós personalizamos a aprendizagem em um ciclo síntese que engloba a metodologia de projetos por solução de problemas”, explica. Nessa etapa, as turmas são misturadas com mais significado dão lugar a dois grupos principais, um deles voltado aos alunos que precisam retomar os estudos de algum ponto específico e outro dedicado ao aprofundamento em projetos, mas ambos com foco no desenvolvimento da autonomia.

Atividade do projeto C4 realizada no final de 2019, antes da pandemia.

MUDANÇA DE MENTALIDADE

Segundo a diretora, colocar em prática essa abordagem tirou a comunidade escolar da zona de conforto. “Essa mudança esbarra em uma questão de concepção de vida, de ter como referência a escola que nós tivemos, onde o professor era a única fonte de informação. Essa nova organização quebra o paradigma e traz o professor como mentor e facilitador da aprendizagem”, explica.

Nesse cenário, alunos e famílias também precisaram se adaptar e compreender, além do boletim de notas, outros parâmetros de desenvolvimento traçados para cada indivíduo. Giulia Seroli, de 16 anos, estudante do Ensino Médio na Unidade Higienópolis, participou da estreia do projeto e relembra o momento em que a proposta foi apresentada: “No início, a gente ficou confuso, pensando como seriam nossos horários, nossas salas, ter todo mundo misturado, não teria lugar certo para sentar e a gente poderia fazer [as tarefas] em qualquer lugar da escola”.

Matriculada no Rio Branco desde o Ensino Fundamental, ela diz que se surpreendeu positivamente com a dinâmica do quarto ciclo. “Veio como uma forma de acréscimo ao aprendizado. Tudo o que a gente aprendeu no ano, a gente aprimora nessa fase. Não só como conhecimento, mas para levar e refletir sobre questões pessoais e sociais”, conta. Em um dos projetos, por exemplo, o grupo de Giulia criou uma tabela periódica acessível para surdos e cegos. “Eu acho isso importante, porque no mundo em que a gente vive muitos excluem essas pessoas, mas com um pouco de motivação, foco e criatividade, a gente consegue incluir esses grupos dentro da escola”, destaca.

ÊNFASE NO COLETIVO

Luiz Felipe Nakamura, de 16 anos, aluno do Ensino Médio na Unidade Granja Vianna, também participou do ciclo síntese em 2019 e diz que o principal aspecto positivo foi descobrir maneiras inovadoras de trabalhar em grupo. “A gente desenvolveu várias habilidades, tanto de comunicação quanto de trabalho em equipe, além de autoria e de pesquisa, porque a gente tinha que ir atrás do material”, explica.

Seu grupo criou um debate com apresentações sobre manipulação dos usuários através do controle de dados da internet e, durante um mês, recebeu apoio de professores tutores para criar ferramentas e materiais digitais e impressos que ajudaram na proposta. “A gente não estudava para provas, porque não havia, mas a gente estudava muito, trabalhava o dia todo no projeto, ficávamos cansados, mas muito interessados”, lembra.

Para Matheus Sawada, de 12 anos, aluno do Ensino Fundamental na mesma unidade, os projetos ofereceram um olhar renovado sobre a escola. Seu grupo criou um jornal com versões online e impressa, e ele diz ver mais significado nos estudos desde então. “O ciclo 4 é um projeto que você obtém as próprias informações e usa para um bem maior, por isso, memoriza de verdade e aprende como usar aquilo.”

Conteúdo originalmente publicado pelo projeto MediaLab – Estadão.

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