Entrevista: importante voz sobre o Enem, o influenciador e ex-aluno Lucas Felpi dá dicas para estudantes

Entrevista: importante voz sobre o Enem, o influenciador e ex-aluno Lucas Felpi dá dicas para estudantes

Apesar da crise envolvendo o exame, últimos dias devem servir para revisão do conteúdo necessário, descanso e organização do que será levado no dia e local da prova.

Colégio Rio Branco

19 de novembro de 2021 | 14h00

Lucas Felpi (arquivo pessoal)

Às vésperas da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (enem), que acontece no próximo domingo, 21/11, estudantes de todo o país estão se preparando para essa que é uma das principais ferramentas de inclusão na educação e ingresso para o ensino superior no Brasil – também aceita por universidades internacionais.

Desde que tirou a nota 1000 na redação do Enem em 2018, o universitário Lucas Felpi cria conteúdo gratuito para a internet em seus canais no Instagram, YouTube e TikTok, o que o transformou em uma importante voz na área da educação e sobre o Enem, com milhares de seguidores. Felpi é ex-aluno da unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco e também foi aprovado em universidades públicas nacionais e internacionais. Optou pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, onde cursa Ciência da Computação e Ciência Política.

O reconhecimento nas redes sociais foi uma oportunidade que o estudante encontrou para ajudar jovens de todo o Brasil, especialmente da rede pública de ensino, com dicas sobre estudos, provas e vestibulares.

Cartilha Redação a Mil já está na terceira edição.

Como resultado dessas iniciativas, um dos principais projetos do universitário é a “Cartilha Redação a Mil”, que todos os anos reúne uma coletânea com análises de especialistas sobre as redações que obtiveram a nota máxima na prova e é disponibilizada em formato digital e gratuito – hoje adotada por instituições, professores e estudantes em todo o país.

Confira a entrevista:

O que você espera para o futuro do Enem?
LF:
Imagino que essa edição vá sofrer, como já vem sofrendo, várias alterações no quesito conteúdo, no teor das questões e na ideologia da prova, isso pela gestão que atualmente comanda o Ministério da Educação. A longo prazo e saindo um pouco da política, imagino que a prova mudará para um formato mais digital, com os alunos indo a centros de tecnologia para a realização em computadores e não em casa, o que exigirá um plano mais longo no país, de educação tecnológica e maior acessibilidade à tecnologia, o que não é uma realidade atual ainda. Além disso, penso que a prova se tornará, e eu espero que sim, um Enem “seriado” – e já estamos vendo os primeiros passos acontecer para o futuro: um exame que o estudante não faça só uma prova no final da 3a série do ensino médio ou depois, mas, sim, três provas para cada ano do ensino médio, sendo possível melhor mensurar o aprendizado do aluno, gradualmente, e não somente o quanto estudou para uma prova específica, pois, às vezes, o dia do exame não é um dia que o candidato consegue mostrar todo o seu potencial por diferentes razões. Três provas podem ser muito mais justas, equitativas e diminuir a ansiedade e o nervosismo dos alunos.

Como os recentes acontecimentos, demissões no Inep e possíveis interferências do governo nas questões da prova podem afetar o exame e o desempenho dos candidatos? Qual o seu olhar sobre esse cenário?

LF: As demissões no Inep foram, sem dúvida, algo que abalou bastante os participantes, os alunos e deixou todo mundo preocupado, porque o que acontece dentro do instituto é o que reflete em uma prova que é decisiva para milhares de pessoas passarem para a fase universitária, para  o sonho de milhões de pessoas. A interferência do governo na prova, na redação e nas questões também preocupa e deve preocupar, não só os alunos, como todos os cidadãos sobre o que está acontecendo na educação. O governo não pode e não deveria censurar, modificar e interferir no aprendizado dos alunos. Mas, no formato da prova em si, imagino que o que veremos, especificamente, é um Enem mais neutro, focado em questões simples, de senso comum, fugindo de polêmicas e de qualquer tipo de discordância, já que para essa gestão qualquer coisa pode ser ideológica, então acho que a prova tentará fugir de tudo o que julgam “partidário” ou com “opiniões divididas”. Uma edição que cobrirá assuntos que não tenham dúvidas e opiniões parciais da sociedade, o que pode ser bom para muitos alunos, mas também pode acabar censurando e limitando conteúdos, já que várias matérias, principalmente das Ciências Humanas exigem que haja divergência de opiniões, discordância e análises críticas para que aconteça o debate histórico, científico e assim por diante.

Quais as suas dicas para os jovens que farão a prova no próximo domingo, com todas essas adversidades?
LF:
Minha melhor dica é respirar fundo, parar e pensar que não importa o que está acontecendo no país e todos os problemas do Inep, a prova vai acontecer. Vai chegar na sua mão um caderno de questões, um tema de redação e você estará pronto para fazer, independentemente do que aparecer. Confie no seu potencial, no seu aprendizado, no seu processo de estudos para chegar lá e dar o seu melhor. Você fará o seu melhor! Não deixe que ninguém e nada te abale para alcançar o que você se propuser a alcançar, então, de verdade, às vezes o que mais importa é o seu estado mental e a sua confiança para conseguir fazer a prova. Nesses últimos dias não é mais hora de estudar todos os conceitos, é hora de revisar o que for preciso e concluir o seu processo de estudos. Chegar lá com todas as estratégias, certinho, separar o que vai levar para o dia da prova: mochila, lanche, documento de identidade, caneta preta e arrasar (risos). Não se cobre demais, você já fez bastante até aqui!

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