Educação Física: importância na fase de crescimento e desafios durante a pandemia

Educação Física: importância na fase de crescimento e desafios durante a pandemia

Professor explica a rotina das aulas em ambiente híbrido e remoto.

Colégio Rio Branco

10 de março de 2021 | 07h12

Após uma série de restrições impostas pela pandemia há quase um ano, muito tem se falado sobre os impactos na educação sob diferentes aspectos. Dentre os componentes regulares como Matemática, Língua Portuguesa, Ciências da Natureza está a Educação Física, que exerce um papel fundamental no desenvolvimento de crianças e jovens, inclusive, com reflexos no desempenho dessas outras áreas.

As práticas esportivas proporcionam o autoconhecimento e trabalham com valores como disciplina, respeito, autocuidado, espírito de equipe, competitividade, superação, desenvolvimento motoro e socioemocional.

Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress.

Para falar sobre o tema, o coordenador de Esportes e professor de Educação Física do Colégio Rio Branco – Unidade Granja Vianna, Eduardo Brito de Camargo, explica um mais sobre a importância de manter uma rotina saudável de atividades e os principais aspectos que envolvem esse componente curricular durante essa fase de limitações e adaptações nos ambientes híbrido e remoto de ensino:

Qual a importância da Educação Física e dos exercícios para crianças e adolescentes na fase de crescimento?
EB:
Durante o período do estirão do crescimento, o indivíduo pode ganhar até 20% da estatura final, de acordo com a individualidade de cada um. Normalmente as meninas se desenvolvem primeiro do que os meninos e nessa fase, o crescimento acontece sempre das extremidades para o centro, ou seja, crescem primeiro as mãos, os pés, os braços, as pernas e depois o tronco, o que causa um desequilíbrio corporal muito intenso nas crianças, aquela fase em que geralmente derrubam tudo, o suco na mesa, chutam a quina da cama o tempo todo. A criança pode até ser considerada desengonçada ou atrapalhada, mas a realidade é que o seu corpo está desequilibrado.

A Educação Física, a atividade física e o esporte farão um trabalho específico de coordenação motora através do desenvolvimento das aulas para que esse desequilíbrio seja amenizado, ajudando, inclusive, na melhora da autoestima, uma vez que uma criança ou um jovem coordenado, com maior habilidade para desenvolver suas tarefas, será mais confiante.

Vale alertar os pais para a chamada “dor do crescimento”, que na verdade é causada por uma atividade de alta intensidade que aparece ao final do dia, quando a musculatura tem um relaxamento. Não tendo relação com o crescimento.

Outro ponto importante: não existe uma atividade ou um esporte específico que faça com que as crianças tenham maior ou menor estatura, já que os fatores genéticos influenciam diretamente, com raras exceções. Estudos também mostram que crianças e jovens que praticam atividades físicas costumam manter essa prática saudável ao longo da vida, o que é muito importante.

Aula orienta sobre postura.

Durante a pandemia, os alunos costumam passar muito tempo no computador ou no celular, nem sempre com mobiliário adequado. Qual a recomendação para evitar problemas posturais ou dores na coluna?
EB:
Nas aulas de Educação Física do Ensino Fundamental II e Médio temos desenvolvido temas relacionados a ergonomia, com a identificação de todos os pontos importantes para a melhora do mobiliário. Não há necessidade de troca, nem compra de dispositivos caros, mas observar o ambiente para fazer adaptações, como: iluminação do ambiente adequada, ventilação, um local silencioso para a concentração (na medida do possível), a altura do monitor ou laptop e da cadeira, se estão adequados ao tamanho do aluno, a distância da tela do computador.
Temos observado que muitas crianças têm assistido às aulas deitadas na cama e até de pijama, então a orientação é para que troquem de roupa, façam toda uma preparação antes da aula remota, da mesma forma que fariam antes de uma aula normal. Acordar com antecedência, tomar o café, trocar de roupa, vestir o uniforme, não é obrigatório, mas na medida do possível, quanto maior for a preparação mais o corpo entenderá que está pronto para enfrentar a jornada de trabalho. Nas aulas de Educação Física remotas também trabalhamos a ginástica laboral por uns cinco minutos, já que é uma ginástica que traz conforto em razão da mobilidade articular, do alongamento muscular e da melhora na vascularização.

Aula presencial respeita todos os protocolos sanitários de segurança.

Como acontecem as aulas nos ambientes híbrido e remoto e quais têm sido os principais desafios nessa área?
EB: O fato de não termos a quadra e os outros espaços disponíveis, fez com que acelerássemos o processo de evolução do nosso componente curricular, nos trouxe a necessidade ou a obrigação de olhar para as nossas atividades e rever todos os nossos processos, metodologias, conteúdos e avaliação, porque tivemos que nos reinventar. Não sei mensurar quanto tempo demoraríamos para rever esses processos, então tudo isso nos propôs uma reorganização muito rápida – o que foi positivo.

Hoje, a Educação Física está inserida na perspectiva da cultura corporal, onde é preciso observar o entorno e tudo aquilo que a prática da atividade física propõe, de acordo com as unidades temáticas: a dança, a luta, os jogos, as brincadeiras, as práticas corporais de aventura, e as ginásticas. Com base nessas unidades temáticas é feito um mapeamento das crianças sobre qual é o entendimento que elas têm sobre essas atividades, e a partir daí aprofundamos o conhecimento e o desenvolvimento das temáticas nas aulas.

Tanto no ambiente híbrido como remoto, a parte do desenvolvimento corporal sempre fará parte da Educação Física. O nosso grande desafio é desenvolver aulas que tenham muita motivação, aulas que tragam efetivamente valores para as crianças dentro de espaços reduzidos, às vezes dentro de escritórios, das salas de casa, do quarto. No ambiente híbrido, mesmo tendo uma parte das crianças na escola e a outra em casa é necessária muita criatividade, mas acho que temos conseguido desenvolver bem.

Temos percebido que para as aulas híbridas é preciso investir muito no estudo da autonomia das crianças, com a participação ativa delas no processo. Aquela ideia onde o professor era o detentor do conhecimento e passava tudo para as crianças, no ambiente híbrido não funciona. É uma característica específica e muito interessante porque o professor funciona como um orientador, através de ferramentas como as metodologias ativas. Por meio dessas ferramentas, ajudamos na condução, mas a participação do aluno é muito importante e é muito mais efetiva, algo bastante interessante para refletir.

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