Dia das Crianças é dia de ganhar brinquedo ou é dia de brincar?

Dia das Crianças é dia de ganhar brinquedo ou é dia de brincar?

Por Valquiria dos Santos Rodrigues

Colégio Rio Branco

11 de outubro de 2019 | 15h48

Quem não se lembra daquele brinquedo que te acompanhava em todos os lugares durante a infância? Quem não se lembra da brincadeira favorita: o pega-pega, a barra manteiga, brincadeiras de quintal e de rua, dos segredos compartilhados com a melhor amiga ou amigo?  Nossas memórias são constituídas por histórias da infância que nos visitam e trazem consigo uma carga afetiva imensurável.

O brinquedo ocupa um lugar de destaque na relação com as crianças. Com um brinquedo nas mãos,  supõe-se que a criança não precisa de mais nada, uma vez que, ele é por si só, objeto de diversão, entretenimento, conhecimento e relação da criança com o mundo. Ele é tão completo que às vezes parece “fazer tudo sozinho”. Esses elementos associados à dinâmica familiar contemporânea e a falta de tempo dos adultos podem nos levar a considerar o brinquedo como a única forma de aprendizagem na relação da criança com o mundo.

Atualmente os brinquedos são cada vez mais atrativos e cada vez mais completos, passando a ideia, em alguns momentos, de que podem assumir o papel educativo das crianças.  Na verdade, são instrumentos valiosos desse processo, entretanto, fornecer referências e inserir a criança no mundo em que vive faz parte da responsabilidade dos adultos.  

O brincar tem um papel importantíssimo na formação da criança. Quando o adulto interage com a criança pelo brincar, possibilita experiências repletas de valores de uma determinada sociedade e apresenta à ela a cultura da qual ambos fazem parte. O brincar estabelece uma rede de relações e significações fundamentais para a constituição do ser humano.

O brinquedo é o elemento da simbolização, tão importante quanto a linguagem. Existem vários tipos de brinquedos que levam ao brincar. São eles, os brinquedos para imaginar que possibilitam o desenvolvimento das famosas brincadeiras de faz de conta, brinquedos para jogar que conduzem e orientam a ação da criança por meio de desafios de diferentes ordens, brinquedos para brincar que possibilitam a expressão em diferentes linguagens,  brinquedos para descobrir são aqueles que apresentam uma experiência perceptiva, sensorial ou cognitiva. Temos aqueles para sorrir, para contar, para distrair, para descansar, ou seja, uma infinidade de opções que atendem às necessidades da criança e promovem a interação entre elas e o adulto. São ricas as oportunidades de constituição do indivíduo. Isso é um investimento na humanização das crianças para que se tornem adultos mais saudáveis em todos os aspectos. 

Nesse sentido, aproveite o Dia das Crianças para simplesmente brincar e deixar as crianças brincarem. Faça um passeio no parque, fique descalço, sinta a umidade da terra nos seus pés, ouça o barulho do silêncio, o canto dos passarinhos, sinta a brisa no seu rosto  e o sol na sua pele. Volte a ser criança!

Sugestão de brinquedos por faixa etária:

0 a 2 anos – Brinquedos  para manipular, coloridos e atrativos aos quais a criança pequena possa pegar, observar,  nomear, que produza diferentes sons, formas, texturas, pesos. Brinquedos que possam ser arrastados ou puxados e que permitem movimentos específicos como girar, rosquear, empilhar  e criar.

3 a 4 anos – Nessa faixa etária a representação simbólica está presente nas brincadeiras. As crianças adoram  ouvir e contar histórias e geralmente pedem para repetir a mesma por diversas vezes, também produzem desenhos  incansavelmente. Vibram com desafios que promovam a coragem e a disposição para correr. Brinquedos que favorecem a vida real: bonecos e bonecas, meios de transporte, ferramentas, utensílios da casa e instrumentos musicais. 

5 e 6 anos ou mais – A partir dessa idade, a criança já possui maior capacidade de compreender as relações e acontecimentos do mundo, nesse sentido,  procura construir uma rede lógica de regras e explicações que definem aquilo que vê e sente. As inquietantes perguntas criam a experiência e possibilitam as descobertas: como os dinossauros apareceram na terra? A terra é redonda? Quem mora na Lua? entre tantas outras. Brinquedos para descobrir são ideias, jogos de tabuleiros, kits de cientista e mágica, e livros.

Valquiria dos Santos Rodrigues
Pedagoga, mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Integrou o grupo de Pesquisa LACE da PUC-SP, participando do projeto Aprendendo Brincando Equipe Diretiva. Diretora assistente da unidade Higienópolis do Colégio Rio Branco, integrante e colaboradora de grupos de trabalho e formação de educadores nas Instituições de Ensino Rio Branco.

Fonte:
Piorski, Gandhy
Brinquedos de Chão: a natureza, o imaginário  e o brincar.
São Paulo – SP,   Peirópolis 2018.

Girotto, Daniela
Brincadeira em todo o canto: reflexões e propostas de uma educação lúdica.
São Paulo – SP,   Peirópolis 2013.

 

       

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