Design Thinking: É possível inovar na formação de professores

Design Thinking: É possível inovar na formação de professores

Um verdadeiro guia sobre a aplicação de novos conceitos de ensino e aprendizagem aliados à tecnologia para professores, educadores e gestores da área, por uma das mais renomadas especialistas no assunto *Solange Giardino

Colégio Rio Branco

25 Agosto 2016 | 10h44

ux-thinkstockphotos-480398115_design_thinkingO que é Design Thinking? Como definição, é um novo jeito de abordar e enfrentar problemas, ou ainda um modelo de pensamento centrado nas pessoas. Design Thinking, na tradução literal para o Português, seria Pensamento de Criação.

Mas, afinal, que metodologia é essa? É uma abordagem focada no design, centrada nas pessoas para gerar inovação, que adaptamos para a formação de professores, buscando potencializar soluções vindas dos próprios educadores.

A tecnologia digital surgiu há muito tempo na educação brasileira, mas a metodologia tradicional ainda se mantém, nos espaços, tempos e formatos.A simples aquisição de dispositivos móveis, ou o uso de aplicativos na sala de aula, por si só, não gera inovação na educação.

Inovação é fruto da criatividade colocada em prática, com o intuito de gerar resultado positivo na vida, no ensino e na aprendizagem dos estudantes.

O que dá sustentação a um projeto de uso de tecnologia em sala de aula é o fato de a maioria dos professores estar engajada em seu uso também, pois um ponto importante a ressaltar é que o professor, não importa o quão engajado e talentoso seja, não promove ou sustenta a mudança de paradigma sozinho.

O que desejamos é o aluno protagonista, responsável pelo seu processo de aprendizagem e respeitado no seu ritmo de apropriação do conhecimento.

Sabemos que pessoas aprendem de formas diversas e em tempos diferentes, com base em seus conhecimentos prévios. O uso de tecnologia em sala de aula pode facilitar a coleta e a análise de informações sobre como os alunos aprendem e permitir a transparência desse processo ao professor, que pode reorganizar os processos de ensino, personalizando a aprendizagem de seus estudantes.

Se focarmos no uso dos dispositivos visando à aprendizagem, e não para simplesmente transmitir informações, podemos maximizar o processo de apropriação do conhecimento com sentido, a partir da experimentação e da aplicação por meio de inúmeros aplicativos educacionais.

O sentido do uso do Design Thinking é gerar opções de uso de aplicativos, que nos levarão a encontrar um caminho, e não escolher primeiro um caminho e então gerar as opções de uso.

A ideia na qual nos baseamos é a de criar com as pessoas, e não para as pessoas. Dessa forma empoderamos o professor para que faça sua escolhas a partir de seus conhecimentos prévios, experiências e concepções educacionais.

Em vez de utilizarmos o modelo top-down, no qual um profissional apresenta novas ferramentas tecnológicas aos professores, buscamos a cocriação e a colaboração, em que as descobertas e ideias possam ser elaboradas por eles.

Como não partimos de soluções prontas, mas conduzimos a descoberta, podemos trabalhar, em um mesmo momento de formação, com professores que atendam a diversas faixas etárias, assim como de diversas áreas do conhecimento, pois, quanto maior a diversidade, maiores também as possibilidades de inovação a partir da troca e do enriquecimento entre eles.

Acreditamos que a aprendizagem se constrói pela colaboração no grupo, mas também com a possibilidade de cada um percorrer o seu roteiro pessoal, de acordo com suas características e interesses. A colaboração entre os professores e o “diálogo”  de cada um consigo mesmo são, no fundo, o que determina a elaboração e a reelaboração das ideias.

A proposta de formação utilizando a abordagem do Design Thinking se divide em dois encontros presenciais, entremeados pela aplicação, em sala de aula, das ideias geradas no primeiro encontro.

Dividimos a proposta, de acordo com a abordagem Design Thinking, em cinco fases distintas:

1- Descoberta – o grupo de formadores seleciona um número de aplicativos que permita que cada grupo de professores possam selecionar de uma forma intuitiva e sem julgamentos prévios e descubram as funções e possibilidades de cada um dos programas.

2- Interpretação – Apresentação dos aplicativos ao grupo e escolha de um deles para a criação de uma sequência didática.

3- Ideação – Construção de um mapa de empatia com as características dos estudantes a que se destina a prática pedagógica, com o intuito de refletirem sobre a eficácia do projeto para a aprendizagem.

4- Experimentação – Aplicar com os estudantes a sequência criada.

5- Evolução – Compartilhar com os colegas as atividades com o intuito de mensurar o desenvolvimento das ideias aplicadas em sala de aula, refletindo sobre as expectativas , os ganhos e os principais entraves.

Quando levamos os professores a pensar sobre as estratégias que usam para aprender, conseguimos fazer com que compreendam melhor os possíveis caminhos de aprendizagem abertos para os seus estudantes.

Se os professores compreendem seu próprio processo de aprendizagem, estão praticando a metaprendizagem, que é a consciência e o conhecimento que desenvolvem acerca de como são ensinados e dos processos de aprendizagem que vivenciam. Quando os professores apreciam a forma de aprender que lhes é proporcionada, essa consciência reforça neles a capacidade de aprenderem mais e melhor e a reproduzir essas práticas com seus estudantes.

O uso da abordagem do Design Thinking na formação de educadores para o uso de tecnologia na escola pretende que o professor compreenda seu próprio processo de aprendizagem e que o leve a refletir e a inventar novos caminhos para seus estudantes.

O que pudemos perceber foi que, ao trabalharmos com essa abordagem, aprimoramos a colaboração entre os professores, em um processo dinâmico e divertido, focado na autonomia. Obtivemos como resultado maneiras efetivas de engajar os estudantes no uso de tecnologia, por meio de soluções que atendem à especificidade de uma sala de aula, de uma escola ou de uma comunidade.

Ao olharmos para as experiências vivenciadas pelos professores, em suas diferentes perspectivas, podemos encontrar inúmeras maneiras inovadoras de uso dos iPads na educação.

A partir do Design Thinking, colocamos o aluno como centro do pensamento dos professores ao criar as atividades pedagógicas, garantindo uma prática criativa e participativa, garantidas pelo engajamento do grupo de educadores envolvidos e pelo compartilhamento de ideias e vivências, que se transformam em ações concretas.

* Solange Giardino é assessora pedagógica do Colégio Rio Branco, com foco na utilização de recursos digitais para a melhoria de resultados acadêmicos. Atua como professora convidada no lato sensu de Tecnologia Educacional na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É Apple Distinguished Educator e Apple Professional Development. Colunista do Portal NetEducação para identificação pedagógica de Apps e ferramentas da web 2.0. Possui graduação em Psicologia; é especialista em Informática Aplicada à Educação pela PUC-SP, e em Educação à Distância pela FGV. É Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.