Crianças e jovens surdos na educação: inclusão deve ir além de inseri-los nas escolas

Crianças e jovens surdos na educação: inclusão deve ir além de inseri-los nas escolas

assessoriaimprensa

04 de abril de 2022 | 19h00

Crianças e jovens surdos na educação

Foto: Colégio Rio Branco

Além da importância da representatividade, exemplificada no Oscar 2022, professora ressalta algumas das principais ações que podem ser realizadas para um ambiente inclusivo

A interação na sociedade, majoritariamente ouvinte, carrega uma série de desafios para pessoas surdas ou com deficiência auditiva. A lista de obstáculos engloba a privação da informação, da piada, de convites e, até mesmo, situações nas quais a comunicação desse grupo é confundida com mímica ou ignorada.

Reflexo desse contexto, as referências culturais, políticas e educacionais excluíam, quase integralmente, os surdos. No Oscar de 2022, o cenário finalmente expressou alguma mudança. O filme Coda – No ritmo do coração, que retrata o tema da surdez, levou a principal estatueta da noite, de Melhor Filme, enquanto o ator Troy Kotsur, surdo, foi consagrado como Melhor Ator Coadjuvante.

A professora do Colégio Rio Branco, Silvia Helena do Império, aponta a relevância do destaque internacional: “Um jovem que se vê assim representado tende a ressignificar seu olhar sobre si e sobre sua comunidade”. Ela completa que é gerada uma motivação para o indivíduo surdo se sentir empoderado e capaz de realizar seus sonhos.

No objetivo de promover um corpo social mais inclusivo, a educação desempenha função indispensável. O primeiro passo é entender que não basta apenas inserir alunos surdos nas escolas, sendo necessário incluí-los adequadamente nas dinâmicas. “No Colégio Rio Branco, buscamos variar as estratégias de trabalho, para que todos tenham seu lugar de fala e se sintam representados. Há inúmeros momentos em que surdos e ouvintes são desafiados a realizar atividades de forma conjunta, aprendendo uns com os outros”, conta Silvia.

Com essas trocas, a sala de aula inteira sai em vantagem, entrando em contato com um mundo mais diverso e, claro, desenvolvendo habilidades como empatia e respeito. No Rio Branco, a inclusão dos estudantes surdos acontece a partir do 6º ano, com a presença de tradutores e intérpretes de Libras em todas as aulas, além de materiais adaptados, projetos interdisciplinares e um currículo que compreende o português como segunda língua do grupo.

Antes de ingressarem no 6º ano do Ensino Fundamental do Colégio Rio Branco, os alunos frequentam o Centro de Educação para Surdos Rio Branco, que atende bebês e crianças surdas, até o 5º ano do Ensino Fundamental. Assim, é estruturada uma linguagem compatível com a faixa etária, priorizando a comunicação em Libras e a socialização dos alunos. A professora conclui: “A valorização da língua de sinais, a ampliação das possibilidades de comunicação e o fortalecimento da identidade do indivíduo surdo o preparam para assumir um papel de protagonista nos mais diversos ambientes pelos quais haverá de circular”.

Saiba mais sobre o trabalho do Centro de Educação para Surdos Rio Branco: https://www.ces.org.br/Site/Default.aspx

O filme Coda – No ritmo do coração está disponível no canai de streaming Prime Video, da Amazon: https://www.primevideo.com/detail/Coda/0NGHQZ30LKKJU738BAQHVHHU4Y

 

 

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