Aluna surda do Colégio Rio Branco tem uma das notas mais altas na redação do Enem 2017

Aluna surda do Colégio Rio Branco tem uma das notas mais altas na redação do Enem 2017

Estudante conquista 880 pontos com tema que abordou justamente os desafios educacionais para surdos no Brasil

Colégio Rio Branco

29 Janeiro 2018 | 16h28

A aluna Karina de Souza Fabiano: 880 na redação do Enem!

No final de 2017, a estudante Karina de Souza Fabiano, 17, foi uma entre os milhares de jovens de todo o Brasil que prestaram o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pela primeira vez.

A escolha do tema da redação “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil” foi uma surpresa especial para Karina, que nasceu surda após sua mãe contrair rubéola durante a gestação. Por experiência própria, a jovem conhece todas as dificuldades e desafios que norteiam o universo da temática definida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Na última edição, a prova também inovou  ao disponibilizar um recurso importante para a minoria surdo: a opção de vídeo prova com acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Com a divulgação dos resultados do Enem 2017 nos últimos dias, a estudante teve mais uma conquista incrível: Karina tirou 880 pontos na redação! Uma nota alta, muito acima da média e bastante satisfatória frente ao desempenho geral dos estudantes nessa edição.

“A escolha do tema foi muito importante para fazer as pessoas refletirem e provar que nós surdos somos capazes. A Libras é a nossa primeira língua, é a nossa própria comunicação e acessibilidade, por isso o novo formato da prova também foi uma grande conquista. Eu tenho muito orgulho de ser surda e estou muito feliz!”, explica Karina.

Karina, que pretende cursar Medicina, estudou na unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco desde criança. Cursou a primeira etapa de alfabetização e aprendizagem no Centro de Educação para Surdos Rio Branco (CES), e a partir do 6° ano do Ensino Fundamental foi incluída nas salas regulares com os demais estudantes, entre surdos e ouvintes, sempre com a presença de um intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) em sala de aula.

Muito estudiosa e dedicada, sempre participou dos grupos de estudos e plantões de dúvidas, fator ao qual também credita seu excelente desempenho no exame.

O Centro de Educação para Surdos Rio Branco (CES) e o Colégio Rio Branco, reconhecidos nacional e internacionalmente como referência na ?formação ?de? crianças e jovens surdos???, acolheram de forma muito positiva, o tema escolhido para a redação da prova do Enem 2017 – pela importância das temáticas de inclusão das pessoas com deficiência nas agendas políticas e sociais, especialmente nas esferas educacionais.

Como acontece a formação educacional de surdos no Rio Branco?  


Crianças surdas a partir de zero ano de idade (bebês) podem ingressar no CES, passar pelas fases de estimulação do desenvolvimento e, a partir de então, cursar os  níveis escolares até o 5° ano do Ensino Fundamental.  O trabalho bilíngue é todo realizado em Libras, adotada como a primeira língua no ensino e na aprendizagem, seguido da Língua Portuguesa, na modalidade escrita.

A partir do 6° ano,  já com a autoestima e a identidade surda fortalecidas, os estudantes são incluídos, em grupos, nas salas de aula junto aos alunos ouvintes  do Colégio Rio Branco – com o acompanhamento diário de tradutores intérpretes de Libras e Língua Portuguesa até a conclusão do Ensino Médio.

O Colégio Rio Branco também oferece a possibilidade dos alunos ouvintes de todas as faixas etárias, assim como seus familiares, participarem de oficinas de Libras.

Esse amplo trabalho dedicado aos estudantes surdos há mais de 40 anos, além do atendimento e suporte às suas famílias, integra um dos principais braços sociais da instituição, ao contemplar mais de 100 alunos beneficiados por bolsas de estudos, mediante análise socioeconômica.

Muitas crianças começam a estudar no CES e depois no Colégio Rio Branco, tendo como opção, ainda, completar seus estudos nas Faculdades Integradas Rio Branco.

A valorização da cultura surda, o respeito à diversidade sociocultural e linguística da minoria surda fazem parte do principal projeto de inclusão da instituição. É uma de suas marcas e está na natureza do seu dia a dia, sendo um grande orgulho, já que alunos, educadores e colaboradores convivem harmoniosamente, aprendendo juntos e mutuamente.

O Centro de Educação para Surdos Rio Branco foi criado em 1977, pela Fundação de Rotarianos de São Paulo e conta com uma equipe altamente qualificada de profissionais e educadores, surdos e ouvintes, fluentes em Língua Portuguesa e na Língua Brasileira de Sinais.

Recentemente, o CES lançou a campanha “Mãos Fazendo História”, na qual a instituição está aberta para receber voluntários e doações para a ampliação e continuidade dos trabalhos de excelência nesta importante área da educação.

Mais informações: www.ces.org.br