A escola como uma rede de conversas: a importância das competências conversacionais

A escola como uma rede de conversas: a importância das competências conversacionais

Colégio Rio Branco

01 de julho de 2019 | 13h25

Ilustração

Por Luciana Martinelli e Adriana Martinelli*

A compreensão da escola como uma rede de conversas traz uma nova perspectiva para o desenvolvimento dos profissionais da educação. Diretores, professores, alunos, pais e demais membros da comunidade escolar estão envolvidos diariamente em conversas que buscam colaboração e a aprendizagem do aluno.  Uma aula é uma conversa entre alunos e professor. O planejamento de uma escola é resultado de um conjunto de conversas entre direção, professores, alunos e pais. Uma reunião de pais é uma conversa entre escola e familiares dos alunos. Os corredores e o pátio da escola estão repletos de conversas.

Todas essas conversas geram resultados. A qualidade delas impacta na aprendizagem dos alunos, na satisfação e envolvimento dos professores, na coesão e sintonia do grupo gestor e sobretudo, na capacidade da escola cultivar a confiança e respeito como base das relações entre as pessoas.

O desafio se coloca quando percebemos que por muitas vezes essas conversas não produzem os resultados que desejamos. Professores com dificuldade de se engajar em  projetos colaborativos, planejamentos e atividades com baixa adesão, dificuldade de envolvimento dos pais, alunos insatisfeitos e desmotivados, sensação de impotência e frustração.

Frente a esses desafios uma pergunta nos possibilita abrir um novo espaço de reflexão: o que eu preciso aprender para melhorar a forma como converso e assim, melhorar os resultados que tenho a partir das conversas que faço?

Conversar não nos exige competências técnicas como conhecimento de matemática, história ou línguas. Mas, para dar uma aula sobre esses temas é necessário para o professor saber escutar seus alunos, indagar para compreender seu universo, reconhecer e desenhar emocionalidades que possibilitem a aprendizagem.

O mesmo acontece com um grupo gestor de uma escola, que além de ter que saber um conjunto de conhecimentos técnicos relacionados à gestão e educação, precisa coordenar ações entre pessoas que pensam e agem de forma diferente, lidar com expectativas, fazer a gestão dos limites e possibilidades da escola, saber desenhar emocionalidades que mantenham o grupo engajado em projetos de futuro.

Essas são as competências que se relacionam diretamente com a forma como conversamos. O primeiro passo para desenvolvê-las é cada um se dar conta da forma como conversa e quais as suas áreas de aprendizagem.

Como escuto meus alunos?

Como abro espaço para as demandas dos professores?

Quando me sinto escutado na escola?

Como lido quando as coisas não acontecem como gostaria?

Com que emoção entro na sala de aula?

O que me impede de fazer diferente?

Esse reconhecimento possibilita a abertura para o desenvolvimento das competências conversacionais, tais como escutar, desenhar emocionalidades, fundamentar juízos, coordenar ações, fazer processos de mudanças e assim transformar as conversas mesmo as mais cotidianas em poderosos momentos de aprendizagem e mudança.

Nas memórias da nossa época escolar, conversas que tivemos com professores ou diretores são marcantes e significativas. Aprendizados que, ainda que tenham ocorrido no passado, permanecem presentes até os dias de hoje. Assim são as conversas em nossas vidas: oportunidades de aprendizados. Se reconhecemos seu impacto na vida do aluno, no cotidiano dos professores e demais membros da comunidade escolar, por que não investir em fazê-las da melhor forma possível?

Luciana Martinelli
Consultora de Desenvolvimento Institucional, com experiência nacional e internacional, e especialização nas áreas de processos grupais e planejamento estratégico. Coach Ontológica Sênior, formada pela Newfield Consulting (Chile).

 

Adriana Martinelli
Formada em Fonoaudiologia, pela PUC-SP, com especialização em Psicopedagogia e em Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação, pela Escola do Futuro – USP. Foi coordenadora da Área de Educação e Tecnologia do Instituto Ayrton Senna, de 1999 até 2013. Certificada em Life Coaching, pela SLAC Sociedade Latino Americana de Coaching, e coordenadora do curso de pós-graduação em Gestão da Aprendizagem no Centro Universitário Braz Cubas.

Recentemente as especialistas da Dialógica – Desenvolvimento Institucional e Humano ministraram palestras abertas para o público, no Colégio Rio Branco, durante o evento “Encontro com a Direção” sobre otema.

 

Tendências: