PoliONU: o maior modelo de simulação interna da ONU no Brasil
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PoliONU: o maior modelo de simulação interna da ONU no Brasil

Poliedro

26 Abril 2016 | 15h24

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Imagine a seguinte situação: Alunos de ensino médio que abrem mão do feriado de Corpus Christi para participar de um projeto estudantil. Difícil de acreditar? Pois é isso que acontece há mais de 10 anos no Poliedro, em sua unidade localizada em São José dos Campos, tendo como motivação o maior modelo de simulação interna da ONU no Brasil, o PoliONU, evento reconhecido pela própria Organização das Nações Unidas.

Todos os anos, desde 2006, ano de início desta grande iniciativa promovida pelo Poliedro, os alunos abrem as atividades de forma oficial na quinta-feira,  e, nos dias seguintes, até domingo, ficam dentro do colégio participando de intensas sessões, em comitês que replicam as agências da ONU, discutindo temas como saúde, educação, guerras, fome, meio-ambiente e tantos outros de igual vulto e interesse para todo o mundo.

O evento, no entanto, não se realiza somente nos dias do Corpus Christi de cada ano letivo. Seu início real ocorre ao final da edição realizada no ano anterior, quando os alunos que fizeram parte do comitê organizador daquela edição escolhem seus sucessores para todo o trabalho de preparação rumo ao PoliONU do ano seguinte. Alguns deles permanecem no comitê, pois sua experiência é muito importante para a condução dos trabalhos, que conta com o apoio integral dos coordenadores e professores do Poliedro, além da equipe de organização de eventos do Colégio e do Sistema de Ensino.

São selecionados para compor o grupo de organizadores do PoliONU os alunos que se destacaram nos comitês, participando de forma ativa, elevando a qualidade dos debates, promovendo simulações ao nível mais próximo possível daquele proposto pelos professores e alunos que pensaram as temáticas colocadas em pauta.

Para participação nas representações dos países há espaço também para as delegações com alunos das unidades parceiras do Sistema de Ensino Poliedro, cuja participação aumenta a cada ano.

Da primeira edição do PoliONU até hoje, o salto no número de participantes foi notável, em âmbito geral, passando de cerca de 120 inscritos em 2006 para 470 participantes registrados em 2015.

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No início de cada evento forma-se uma mesa composta por alunos do comitê organizador, o mantenedor do Colégio Poliedro e do Sistema de Ensino, professor Nicolau Arbex Sarkis, os gestores do Colégio e por convidados externos que fazem palestras de abertura focadas em temas relacionados às questões que serão trabalhadas nas discussões ao longo do evento.

No final de cada dia há algum evento festivo, como o coquetel na quarta-feira à noite, logo após a abertura, celebrando o início das atividades, e a festa temática que ocorre aos sábados, também à noite, após dois dias de exaustivos trabalhos. Às sextas-feiras ocorre a atividade programada, como uma grande gincana, envolvendo todos os participantes em práticas artísticas, esportivas ou em brincadeiras que fazem grande sucesso.

Segundo Thaís de Almeida e Silva Machado, ex-aluna do Poliedro que participou em três edições do evento e em duas delas esteve no comitê organizador, as impressões que ficam para os envolvidos são muito fortes e marcantes, conforme é possível verificar em seu relato apresentado a seguir:

“O PoliONU foi uma experiência muito importante para minha formação, pois eu cresci como pessoa ao passar dois anos organizando o evento. Tive a oportunidade de estudar problemas internacionais, alguns dos quais eu nem conhecia antes do evento, e também de ter a responsabilidade de criar um material de estudo para os outros alunos que participaram de algum dos comitês que fui parte da mesa diretora. O processo de organização dura o ano inteiro, e me orgulho de ter passado esse tempo ajudando meus colegas a realizar o PoliONU. Conheci muitas pessoas maravilhosas, superei dificuldades e me diverti. É uma das minhas melhores lembranças do ensino médio, e sei que de alguns amigos meus também”.

Com o passar dos anos o evento foi crescendo, assim como a procura pelos alunos e a intensidade da disputa no momento em que se formam as equipes que irão representar os países. Nações como Estados Unidos, Rússia, China e Brasil são muito concorridas pelos participantes, visto que geralmente são protagonistas nas principais discussões promovidas nos diferentes comitês.

O advento de comissões em inglês e de uma corte internacional também despertaram grande interesse e pedem por parte dos alunos nelas engajados tanto fluência na língua inglesa quanto algum preparo para discutir questões jurídicas internacionais, relativas a pendências que estiveram ou estão presentes nas manchetes de importantes jornais do mundo inteiro.

O evento conta com a cobertura da imprensa local (jornais e emissoras de rádio e televisão), mas também conta com a Central de Imprensa dos próprios alunos que, ao longo dos dias de PoliONU, traz informações atualizadas sobre os debates, as simulações e tudo o que acontece nos bastidores.

Segue-se todo o protocolo nos comitês e, durante o evento, a elegância dos participantes é algo que chama muito a atenção de todos. As meninas vestem tailleurs e os garotos estão todos de ternos, em ambos os casos, impecáveis, já parecendo profissionais atuando no mercado.

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A experiência remete a organização, trabalho em equipe, estudo sobre questões de interesse global, leitura sempre em dia de temas atuais (o que auxilia, e muito, na preparação para o Enem e os principais vestibulares), capacidade de articulação para falar em público, entre outros benefícios.

Para a edição de 2016 do PoliONU, que acontecerá entre os dias 26 e 29 de maio, os comitês trazem à tona assuntos de grande relevância, como por exemplo a crise econômica que afeta os países emergentes, como o Brasil, que será debatido pelo ECOSOC (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas), conforme nos explica o aluno Samuel Ribeiro Soares, diretor do comitê em questão:

“Dentro do nosso assunto é importante discutir aspectos da economia que levam um país a cortar programa sociais ou dar maior força a inclusão de certos grupos na sociedade e prezar iniciativas de caráter mais humanitário. É fundamental discutir o tema, pois esse é um assunto global e, por isso, é importante entender o impacto na vida cotidiana e nas relações internacionais”.

Outro exemplo da atualidade dos temas trabalhados no PoliONU 2016 é o colocado em destaque na UNGA (United Nations General Assembly/Assembleia Geral das Nações Unidas), com foco na questão dos direitos humanos no Oriente Médio, que serão conduzidas em inglês, conforme nos explica Louise Thomé, diretora deste comitê:

“Vamos discutir sobre os direitos humanos nas guerras civis do Oriente Médio, porque na maioria das vezes as pessoas falam mais sobre os motivos políticos e interesses econômicos do que nas questões humanitárias presentes nos conflitos dessa região. Vamos focar as discussões sobre as guerras que estão acontecendo no Iêmen, no Afeganistão e na Síria. Esse também é um comitê diferente porque todas as discussões serão feitas em inglês.”

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A edição de 2016 traz como novidade um Projeto Social a ser realizado pelos alunos durante o evento: a doação de livros. Os materiais obtidos serão doados e, para estimular os alunos, farão parte da atividade programada, ou seja, quem doar mais ganhará mais pontos e poderá, com isso, garantir vantagem nesta competição.

A professora Luaê Carregari, que atua em conjunto com a escola e os alunos na organização da PoliONU, destaca os aspectos positivos para os alunos e para a comunidade escolar:

“Costumo dizer que o PoliONU tem a capacidade de transformar vidas, a experiência de participar dessa simulação é tão intensa que os alunos ficam encantados pelo evento. Durante quatro dias os alunos assumem o papel de representantes das mais diversas nações, muitas vezes tendo que defender um ponto de vista completamente diferente da sua opinião pessoal. Pensar nos grandes problemas da humanidade, se colocar no lugar do outro, trabalhar para a construção de um mundo mais justo e solidário são alguns dos objetivos do evento. O PoliONU tem um impacto enorme na nossa comunidade escolar e tem despertado um olhar mais sensível e atento aos problemas do mundo atual, contribuindo para a formação de jovens que se importam em transformar a realidade ao seu redor”.

A importância do PoliONU para todos os envolvidos é assim resumida pela coordenadora de eventos do Colégio Poliedro, Larissa Félix dos Reis Ferreira, responsável por dar todo o apoio e suporte para a realização desta grande simulação:

“O PoliONU é um evento que estimula os nossos jovens a refletirem sobre os problemas do mundo. É uma experiência única que agrega valores culturais imensuráveis na vida desses estudantes, proporcionando um momento em que eles adquirirão maturidade, postura para se apresentar em público e como trabalhar com seriedade e responsabilidade em várias situações que encontrarão futuramente.  São meses de organização que se resumem em quatro dias de muita emoção, em que os alunos realmente vestem a camisa e realizam uma ótima simulação. É com grande satisfação que faço parte dessa equipe PoliONU”. 

Por João Luís de Almeida Machado

Supervisor pedagógico em Tecnologia Educacional e curador do projeto YouTube Edu

 

Todos os projetos e exemplos mencionados neste blog referem-se às Unidades Sedes do Poliedro.