Mudar paradigmas: este é o desafio
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Mudar paradigmas: este é o desafio

Poliedro

24 Novembro 2015 | 11h22

Hoje, vemos, lemos e ouvimos em todos os canais de comunicação abordagens que colocam a questão da tecnologia na educação como a nova “tábua de salvação” dos estudantes. Algumas abordagens consideram como formas “revolucionárias” de ensino a utilização de tablets, smartphones e lousas digitais. Por esse motivo, escolas, educadores e o próprio mercado se sentem propelidos a seguir nessa direção, como se fosse um caminho sem volta. Assim, investem em equipamentos, softwares e em uma gama sem fim de recursos para potencializar a sala de aula e o repertório do professor, como se bastasse clicar e pronto.

Pronto?

Creio que chegamos ao ponto chave dessa equação: para se elaborar um programa de implementação de tecnologia em uma escola, é fundamental estabelecer como prioridade o professor. É necessário prepará-lo, envolvê-lo, pois com o discurso corrente de “aluno protagonista” e “sala de aula invertida”, devemos pensar: como fica a mente de um professor (por mais jovem que seja) que teve uma vida acadêmica e prática calcada no molde expositivo e que realmente acredita nesse modelo (até porque foi o único que conheceu)? Como podemos simplesmente pedir para ele “mudar sua crença”?

Preparar um professor não é simplesmente propiciar cursos de capacitação para utilização de um equipamento ou software. É bem mais que isso.

Tem que ser no dia a dia, para uma real constatação de que os paradigmas do aprendizado estão mudando e a tecnologia é apenas uma ferramenta que existe para auxiliá-lo (e não o contrário). E, com o diálogo sincero entre escola, aluno e professor, podemos ter a utilização de ferramentas tecnológicas inseridas como um objeto educacional efetivo, e não como uma mera ilustração ou “pirotecnia”.

Foto 03

Há três anos, escolhemos esse caminho e conseguimos conquistas significativas, marcadas pelo engajamento de professores e alunos. Mas isso só aconteceu (e está acontecendo) porque houve internamente diálogo e uma verdadeira interação.

Em nosso colégio, estamos acostumados a buscar soluções efetivas para enfrentar os desafios, e nossa experiência com o uso da tecnologia em sala de aula nos mostra que devemos continuar caminhando rumo a esse novo horizonte, que pode ser brilhante e realmente fazer a diferença se o foco continuar no lugar certo.

Foto 05

Talvez, o nosso maior passo tenha sido a criação de uma estrutura de “amparo” ao professor nessa caminhada com a tecnologia. Essa estrutura começou com apenas uma pessoa – no caso eu – que tinha como principal função estabelecer o suporte e treinamentos constantes para utilização da lousa digital, que foi a primeira grande mudança de paradigma.

Uma coisa é simplesmente imaginar esse recurso como “upgrade” do giz, e outra é realmente usufruir das inúmeras possibilidades que essa tecnologia oferece, seja em recursos, interatividade ou participação dos alunos, que permite, enfim, a exploração de um novo universo. Seja pela insegurança, falta de tempo ou mesmo descrença, o fato de ter alguém só para auxiliá-lo no uso da ferramenta, sugerir atividades e concretizar atividades ou objetos educacionais é o que fez a diferença e foi um divisor de águas para a adesão de nossos professores.

A partir do momento em que o professor descobre a efetividade da tecnologia em suas aulas, ele se torna um ávido consumidor. Por isso, diante da constante necessidade de pesquisa de recursos, tornou-se necessária uma outra frente voltada à pesquisa e desenvolvimento, capaz de atender às novas demandas do professor.

Essa frente, que agora é o Departamento de Tecnologia e Inovação e do qual tenho orgulho de fazer parte, continua em busca de novas ferramentas com o objetivo de, junto com os professores, desenvolver novas metodologias para que os recursos sejam utilizados da melhor forma possível, sempre com foco no objetivo principal, que é fazer com que o ensino faça sentido para o aluno e contribua de forma decisiva em seu desenvolvimento.

Massayuki Onishi Yamamoto

Consultor de Tecnologia Educacional do Colégio Poliedro

 

Todos os projetos e exemplos mencionados neste blog referem-se às Unidades Sedes do Poliedro.