Liderança e educação
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Liderança e educação

Poliedro

04 Outubro 2016 | 16h04

Todas as equipes possuem um responsável pelas ações que envolvem as atribuições do grupo, os chamados líderes. Cortella e Mussak (2009) afirmam que ser líder não equivale a ser chefe, colocando que grandes líderes como Mahatma Gandhi, Martin Luther King ou Sócrates, nunca foram “chefes”, no sentido próprio da palavra, mas sim líderes que inspiraram por meio do exemplo, admiração e respeito.  Assim, as pessoas podem exercer o papel de líder independentemente da sua função.

Dentro das escolas não é diferente. Existem diversos profissionais que exercem o verdadeiro papel de líder, como, por exemplo, o professor que possui uma grande admiração dos alunos.

É preciso entendermos o cenário atual em que vivemos, comparando-o com as antigas formas de trabalho. Os professores do século XXI, por exemplo, pensam de forma distinta dos professores dos anos 80 e possuem expectativas e desejos completamente diferentes.

Um desses desejos é sentir-se participante do processo. Cortella (2016) aponta que o salário não é a principal fonte de insatisfação dos brasileiros. Mais que uma remuneração condizente com o que seria justo pelo seu trabalho, as pessoas querem ser reconhecidas e valorizadas dentro das organizações. Este olhar é muito interessante e pode auxiliar o líder na condução da equipe. O gestor escolar que promove a troca de experiências pode oportunizar novos olhares sobre o que está sendo realizado, e, assim, permitir que algo não pensado passe a fazer parte do processo.

Cortella (2016) faz uma comparação interessante entre a geração atual e a de seus pais. Antigamente, as pessoas trabalhavam com o objetivo único de sustentar a família, independentemente de estarem ou não satisfeitos com o trabalho. Os jovens de hoje enxergam isso como um “grande conformismo”. Eles buscam trabalhos que os tornem importantes, mas que também estejam ligados a afazeres que tragam satisfação e valorização.

E é neste contexto que os líderes – coordenadores e diretores, por exemplo – podem atuar de forma a angariar subsídios que otimizem o dia a dia de trabalho, utilizando isso como insumo para rever seus processos e vislumbrarem a realização de novos projetos. Mesmo que a escola não consiga ou entenda que não é possível realizar todas as sugestões, dar a oportunidade para isso já é uma forma de demonstrar que a valorização existe. O que não pode ocorrer é a centralização do “poder”, que não permite que as trocas de experiências e participação de todos ocorra de forma profícua. Furtado (2015) coloca que a necessidade do controle é um aspecto de poder que precisa ser clareado e alinhado. O autor defende o conceito de que o gestor é o responsável pelo resultado final, logo, deve ter clareza dos principais processos a serem controlados e saber em que momentos esse controle deve ser maior e menor. Caso não haja o que controlar, não há necessidade de se estabelecer uma relação de poder.

Não devemos nos esquecer que independentemente do tipo de responsabilidade ou da valorização que será estabelecida entre escola e professor/aluno, todos precisam trabalhar em prol do colégio. Ou seja, o líder não deve se posicionar como único responsável pelas conquistas, mas, também, não deve ser responsabilizado como único responsável pelos insucessos.

O mais importante a ser considerado é que independentemente da filosofia de trabalho ou a característica da gestão escolar, exista harmonia. Isso permitirá um ambiente saudável, onde as famílias e os alunos valorizarão cada ação promovida pela escola.

Por Thiago Carlos Bertolin, consultor pedagógico do Sistema de Ensino Poliedro

 

Bibliografia

Eugenio Mussak, Mario Sergio Cortella. Liderança em Foco. Editora Papirus, 2009

Júlio Furtado, Gestor, de que forma você exerce o poder? Gestão Educacional, 2015

Mário Sérgio Cortella. Por que fazemos o que fazemos? Editora Planeta do Brasil, 2016