Força das ideias: o domínio da linguagem na redação do ENEM
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Força das ideias: o domínio da linguagem na redação do ENEM

Poliedro

20 Outubro 2015 | 11h16

Ideias são como nuvens: tão reais quanto impalpáveis. É preciso, por essa razão, encarar o papel como uma solução para a ideia. Na verdade, a palavra precisa ser vista como tal, uma vez que é a ponte a qual liga a ideia e a ação; que transforma o abstrato em concreto; que organiza e dá sentido ao tema alvo de reflexão.

É isso o que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) esperará de seus candidatos com relação ao texto a ser produzido no próximo domingo para a prova de Redação. É exatamente isso o que tentamos fazer ao comparar nuvens a chumaços de algodão.

Ainda sobre a palavra, é preciso ter em mente sua função de ímã. Ela atrai outras e, assim, torna-se possível dar formas fluidas e comunicativas às reflexões inicialmente individuais. Aliás, ainda que o aluno já tenha vivenciado a situação ou pensado sobre ela em outros momentos da vida, é na transformação para o campo da linguagem que esses pensamentos se organizam, seja via discurso oral ou escrito. O propósito da redação do ENEM é perceber a concretização de ideias dos alunos concluintes do Ensino Médio brasileiro. Os candidatos são chamados, na prova, a mostrar suas competências e a força de suas ideias por meio das palavras escritas.

Em função desse grande potencial de análise, muitos alunos temem a prova. Esse temor não se sustenta. Afinal, os candidatos já se prepararam por toda a vida escolar: aprenderam a ler e a escrever com um grande domínio e treinaram essas capacidades, principalmente no último ano, dentro do molde dissertativo, conforme solicita a prova do ENEM.

Mochila

A preparação aconteceu por partes: a cada semana, uma nova bagagem cultural ou técnica era incluída na mochila que acompanhará os alunos por esta travessia que é o processo das provas de fim de ano. No entanto, o todo da preparação se efetivará apenas na prova, durante a elaboração da versão final do texto. Na correção das produções escritas, os candidatos serão avaliados pelo todo e também pela parte.

Na avaliação do texto, serão percebidas características dos candidatos tais como: o domínio da norma padrão da língua portuguesa (Competência 1); a capacidade de apreensão do tema e de assimilação do gênero dissertativo-argumentativo (Competência 2); o repertório cultural cultivado – livros que leram, filósofos que acessaram – e como utilizarão essas referências para a comprovação de seus pontos de vista sobre a questão proposta (Competência 3); a organização e a transformação das ideias pessoais em um texto organizado (Competência 4); a concretização de soluções para os problemas sociais apresentados (Competência 5).

A tranquilidade deve vir, então, ao saber que o candidato trabalha com essas competências durante o ano todo ou, mais propriamente, durante toda a vida escolar. O foco da prova deve ser mostrar, na prática, com pressão e pouco tempo, segurança na resolução desses desafios. É preciso organizar o tempo da prova, ter tranquilidade na leitura da coletânea para perceber que há textos motivadores que encaminharão para a compreensão do tema, para a reflexão sobre ele e para a elaboração de uma proposta de intervenção coerente com a temática e com o seu desenvolvimento.

Grupo

O candidato não estará sozinho em sua travessia. Ele tem caminhos que foram trilhados ao longo de todo o ano e tem sua mochila, preparada ao longo de semanas, cheia de boas referências. Os candidatos, esforçados e dedicados, têm a base necessária para encarar uma prova desse porte.  Ela é, certamente, suficiente para resolver as 180 questões e escrever a redação com propriedade, independentemente do tema solicitado na proposta de redação. É crucial, portanto, confiar na mochila; relembrar as partes, sem titubear durante os minutos dirigidos à elaboração do texto. Somente com a tranquilidade provinda dessa confiança em si e nos caminhos já percorridos é que o candidato conseguirá mostrar suas noções de autoria e domínio textual em mais essa travessia, isto é: fazer da nuvem um chumaço de algodão.

 

Maria Catarina Rabelo Bózio

Coordenadora e Professora de Redação do Ensino Médio

Fabiula Neubern

Coordenadora e Professora de Redação do Curso Pré-Vestibular

 

Todos os projetos e exemplos mencionados neste blog referem-se às Unidades Sedes do Poliedro.