Aluna do Colégio Poliedro cria projeto para estimular a presença e a liderança das mulheres nas áreas de ciência e tecnologia
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Aluna do Colégio Poliedro cria projeto para estimular a presença e a liderança das mulheres nas áreas de ciência e tecnologia

Poliedro

06 de março de 2020 | 10h11

Com perfil empreendedor e trajetória de destaque em olimpíadas científicas, Briza Matsumura, de apenas 16 anos, é uma das fundadoras do projeto “elaSTEMpoder”

A aluna Briza Matsumura, criadora do projeto ElaSTEMpoder

Para muitos, ainda hoje, não é fácil lembrar de referências femininas quando o assunto é ciência, tecnologia ou área de exatas.

Um estudo da Unesco publicado em 2018 mostra que as mulheres representam menos de 30% dos cientistas do mundo. Na USP, umas das principais universidades do Brasil, um levantamento realizado entre os anos de 2013 e 2018 mostrou que apenas 9% dos alunos formados no curso de Ciências de Computação eram mulheres; no bacharelado em Sistemas de Informação, foram 10%; e em Engenharia de Computação, 6%.

Mas, se depender da estudante Briza Matsumura, essa realidade vai mudar. Aluna do Ensino Médio do Colégio Poliedro de São José dos Campos, Briza é uma das fundadoras do ElaSTEMpoder (@elastempoder), um projeto criado por ela e outros jovens durante um workshop na III Conferência de Protagonismo Juvenil.

“Criamos uma conta do projeto no Instagram para falarmos sobre mulheres inspiradoras e as consequências da desigualdade de gênero, além de divulgarmos oportunidades para as meninas”, comenta a estudante. “Infelizmente, o incentivo para nós costuma ser tardio. O Poliedro nos estimula em todas as áreas e me apoia nas iniciativas, mas o ideal é que o incentivo começasse bem antes, já em casa”, avalia.

Outro objetivo do projeto é o desenvolvimento de um curso de soft skills (habilidades e competências) para encorajar meninas do Ensino Fundamental e Médio a tentarem uma carreira em áreas ocupadas majoritariamente por homens, como é o caso das áreas de STEM (sigla em inglês que representa as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

“A ideia do curso é desenvolver habilidades que fortaleçam as meninas para que elas se tornem protagonistas nas áreas e posições que desejarem, incluindo as áreas de ciência e exatas”, explica Briza.

“Ter uma aluna como a Briza é uma alegria para qualquer educador e também para o Poliedro. Ela é um exemplo de que a Educação pode e deve ir muito além da transmissão de conhecimentos. Como escola, nossa missão é valorizar o potencial de cada uma de nossas alunas para que sejam protagonistas de sua aprendizagem e de sua história, fomentando ideias, projetos e ações que sejam transformadores da sociedade”, comenta Andrea Godinho, coordenadora pedagógica do Ensino Médio do Colégio Poliedro.

A jovem estudante desenvolveu sua primeira startup aos 13 anos e foi a pessoa mais jovem a participar do programa ProLíder, uma iniciativa da Fundação Estudar que visa estimular o empreendedorismo de impacto social.

Briza também é destaque em olimpíadas científicas e hoje acumula um total de 36 medalhas em diversas competições. A primeira delas foi conquistada enquanto ainda era estudante de uma escola pública, quando então foi medalhista de Prata na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas). Dessa forma, ela entende bem a realidade das meninas na ciência e competições do conhecimento, sendo essa sua maior motivação em fazer o projeto dar certo.

Atualmente, a estudante também participa de outros projetos, entre eles o PoliONU (maior simulação estudantil da ONU no Brasil organizada por estudantes da Educação Básica) e o programa Ação Jovem Poliedro.

 

Mais iniciativas

Além de Briza, outras alunas também buscam iniciativas dentro do ambiente escolar. A coordenadora Andrea destaca a importância do apoio do Colégio nesse momento. “Desde o ano passado, tivemos várias iniciativas de nossas alunas buscando mais representatividade e acolhimento da diversidade, e uma dela é o PoliELAS – o coletivo feminista do Colégio Poliedro – que trouxe como primeira pauta de 2020 a campanha global da ONU Mulheres, o HeForShe, que convida homens e meninos para que também se engajem na luta pela igualdade de gênero. Falamos de uma geração mais empoderada e questionadora de sua realidade, e a escola, como o espaço privilegiado para a aprendizagem, tem também que apoiá-las nessa construção com ética, responsabilidade e respeito aos valores democráticos”, explica a coordenadora.

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