A escola e o desenvolvimento de um aluno autônomo
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A escola e o desenvolvimento de um aluno autônomo

Poliedro

10 de fevereiro de 2021 | 16h59

O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender.
(ALVIN TOFFLER)

Durante muito tempo o professor foi tido como a autoridade máxima dentro da sala de aula. Era ele que definia o assunto que seria abordado, e como ele deveria ser estudado. A troca de informação era completamente unilateral, com somente o professor falando. Dessa forma, o aluno só ouvia.

Dentro desse formato o aluno tem um papel passivo dentro do seu próprio processo de aprendizagem. Cabe a ele apenas seguir as orientações e mostrar que aprendeu minimamente aquele assunto por meio de provas e avaliações.

Mas agora os tempos são outros, e grandes mudanças acontecem a todo momento. O conhecimento que hoje é relevante amanhã pode tornar-se irrelevante. Para adaptar-se a esse novo cenário, a forma de ensinar precisa passar por mudanças. O aluno deve cada vez mais tornar-se um agente ativo e participativo em sua aprendizagem.

Nesse novo formato, o professor dá a oportunidade para o aluno explorar e entender o conteúdo da aula de sua maneira. Isso não significa deixá-lo sozinho, mas mediar o processo de aprendizagem desse aluno do início ao fim. Dentro desse novo cenário, é papel também do professor despertar o interesse dos alunos nos tópicos que precisam ser estudados. Alguns assuntos podem simplesmente não cativar o aluno, por não fazerem parte de sua realidade. Cabe ao professor engajar o aluno e auxiliá-lo durante o caminho.

Quando incentivamos os alunos a serem mais autônomos, oferecemos uma educação que durará a vida inteira, não apenas durante o período escolar. Um aluno com autonomia é um indivíduo proativo, capaz de facilmente encontrar soluções para os problemas que ele possa enfrentar, dentro e fora do ambiente escolar.

O aluno autônomo participa ativamente de aulas e tem diálogos com professores e colegas. Nesses momentos, ele tem até a oportunidade de ser o mediador daquele conhecimento para o restante da turma.

Nesse novo mundo, muito mais importante do que o conteúdo é a capacidade de os alunos de lidarem com os problemas do futuro, quaisquer que eles sejam.

Adaptações na relação Professor x Aluno

Um dos primeiros pontos que deve ser considerado pelo professor no processo de dar mais autonomia aos alunos é de que ele precisa estar ciente que precisará abrir um pouco a mão do controle que ele estava acostumado a ter sobre o curso da aprendizagem.

O professor também deve incentivar o aluno a ser autônomo. Um maneira simples de fazer isso é alterar a forma como os assuntos são abordados dentro da sala de aula, saindo de uma metodologia dedutiva, em que o professor se põe à frente da sala para trazer a explicação, para uma metodologia mais indutiva, em que os alunos são incentivados a descobrirem aquele conteúdo por meio de exemplos e questionamentos.

Tecnologia e a Sala de Aula Invertida

Com a tecnologia cada vez mais presente dentro das escolas, os professores passaram a ter ferramentas poderosas para desenvolver o aluno autônomo, tanto para oferecer conteúdos em forma de videoaulas, avaliações e simulados, quanto para extrair relatórios individuais e desenvolver atividades específicas baseadas nas dificuldades individuais de cada aluno. Mas a tecnologia precisa estar aliada à metodologia para trazer resultados.

O uso dessas tecnologias ainda permite a introdução do conceito da sala de aula invertida ou flipped classroom. Nesse modelo, o aluno é exposto ao conteúdo que será abordado antes da aula com o professor. Dessa forma, os alunos que antes só consumiam o conteúdo dentro da sala de aula agora começam a fazê-lo dentro de suas casas. Essas ferramentas tecnológicas permitem que o aluno tenha muito mais controle da sua aprendizagem.

O futuro e a tecnologia

É impossível prever o futuro. Muitas das profissões que existem hoje não existiam há 15 ou 20 anos. Mas um indivíduo autônomo será capaz de adaptar-se a essas novas realidades e aprender novas habilidades que sejam necessárias.

Engana-se quem pensa que nesse novo cenário a escola ou o professor tem um papel menos importante. Pelo contrário: cabe a eles o desenvolvimento dessas habilidades nos alunos, ajudando-os a desenvolver essa autonomia ao longo da vida escolar.

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