Viagem Educacional: o que a Alemanha e a Estônia têm a ensinar

Viagem Educacional: o que a Alemanha e a Estônia têm a ensinar

Liceu Jardim

02 de julho de 2019 | 10h04

*Por Daniel Contro

 

Na companhia de diretores de algumas das melhores escolas brasileiras, voltei à Alemanha e fui à Estônia, dias atrás. Na Alemanha, conheci escolas em Stuttgart e Frankfurt. Na Estônia, escolas na capital Talínn.

O sistema alemão é reconhecido pela sua diversidade, incluindo cursos técnicos de alta excelência e a rígida disciplina de todo sistema. Sempre muito bem avaliado em todos os rankings internacionais, após a queda do Muro de Berlim e consequente unificação, o país perdeu posições no PISA, curva já revertida. Uma característica singular do sistema alemão consiste na separação dos alunos a partir do 6° ano. Mediante o desempenho do aluno até ali, é dirigido para o itinerário acadêmico ou técnico. Nesse novo ciclo, os alunos com melhor desempenho formam as classes acadêmicas. A Estônia, por seu turno, desvencilhada das algemas do comunismo, vive notável ascensão econômica, galgada à condição de nova estrela candente do ensino mundial. É a primeira colocada da Europa no PISA, 3a no mundo em ciência , interrompendo a longeva hegemonia da Finlândia, após ser ajudada pelos amigos finlandeses.

 

Da Alemanha ressalta-se, além da sua disciplina, o rigor em todos os seus processos, avaliações internas e externas permanentes, metas muito bem definidas e rigorosamente supervisionadas pelos diferentes níveis de gestores. As províncias têm autonomia para definir seus modelos de ensino, mas a unidade e a qualidade são garantidas pelos exames nacionais mandatórios para todas as escolas. As metas são altas e sustentadas pelo jeito alemão de fazer. Na Estônia, o salto espetacular na qualidade das suas escolas é explicado pelo próprio Ministro da Educação, que nos recebeu em seu gabinete, invocando três fatores principais: alto desempenho para todos os agentes da escola, incluindo forte volume de lição e rico repertório de leitura, meritocracia na gestão das unidades escolares e sensibilização das famílias para apoio aos professores.

Em rápido desvio na rota, fiquei um dia na “SIS Swiss International School”, instituição Suíça, uma das melhores da Europa. Ali tudo é muito parecido com o modelo alemão, com ênfase para idiomas e matemática.

O sistema de meritocracia da Estônia merece destaque. Os professores têm um salário-base, significativamente bonificado conforme o desempenho dos alunos nos exames nacionais. Diretores e professores podem ser demitidos, caso sua unidade escolar repita maus resultados. Há um orgulho nacional da qualidade das escolas.

Repetem exaustivamente: “educação é nossa religião”. O embaixador brasileiro, que nos acompanhou em boa parte do roteiro, após passar pela embaixada da Coreia do Norte, explicou que neste país a disciplina escolar é férrea, porém, estudar mesmo, seu filho, de 16 anos, estudava na Estônia. “Quando sobra um pedaço do final de semana para lazer, celebramos”, disse o diplomata.

Apesar de serem nações prósperas, suas escolas são simples e sem pirotecnia tecnológica. Mesmo na Estônia, que endeusa a tecnologia. Como em todos os lugares do melhor ensino, inexistem atalhos e artifícios. Rememorando Amanda Ripley, em seu best seller “As Crianças Mais Inteligentes Do Mundo”: não há educação de qualidade sem rigor.

 

 

 

*Daniel Belluci Contro é professor de história e tem mais de 25 anos de experiência na área da Educação, com passagem pelo sistema público estadual como professor e, na esfera do ensino privado, como professor, coordenador e gestor. Foi diretor de Educação na gestão do ex-prefeito Luiz Tortorello (1989-1992) e Secretário da Educação de São Caetano do Sul (2014). É membro da Academia de Letras da Grande São Paulo e diretor presidente do Liceu Jardim (3ª melhor escola do estado de São Paulo e 12º no país no ranking Enem 2018 entre as escolas de grande porte).

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