Salve seu filho da mediocridade

Salve seu filho da mediocridade

Liceu Jardim

22 de janeiro de 2019 | 16h26

Por Daniel Contro*

 

Toda criança pode ter um futuro extraordinário. As finlandesas nascem com grande chance; as nossas, muito excepcionalmente. Não formamos nossas crianças para o extraordinário. Contenta-nos o mais ou menos… Satisfaz-nos o ser mediano, ficar aquém do que podemos. Fazer bem feito ocorre só na segunda vez, e se alguém requerer. Desacreditamos do esforço no presente como meio para usufruir um melhor futuro.

 

O mal põe sua gene já em nossas escolas da infância. Escola existe para nos fazer atingir nosso melhor, tanto que os privados de escola acabam à margem. Em nossas escolas, faz-se oposto: não cultuamos a superação, nem esmeramos a excelência. Desde cedo, condescendemos com o básico.

 

A mediocridade não nos irrita. Antes, ralhamos com os professores exigentes, que requerem capricho. Exigir refacção do dever feito com indolência soa como perseguição. Zangamo-nos com a escola que se dispõe a fazer vigir a disciplina, o bem feito, o exato. Estranhamente, contamos com a indulgência dos professores, que compactuem com a burla. Se o aluno deixou de estudar como deveria, o ônus é do professor, que elaborou uma prova injusta.

 

Apela-se a César o trabalhinho salvífico. Esforço é um substantivo que insulta. O calendário escolar é uma peça de ficção, elidido por viagens e lazer frívolo. Quando os alunos não aprendem, criamos os bônus e as cotas. E, assim, uma das 10 maiores economias do planeta tem um dos piores ensinos.

 

Do asfalto casca de ovo às lápides dos nossos antepassados, que se inundam no verão, a erva daninha do mais ou menos deita suas primeiras hastes em nossas escolas e acaba por graçar em todo solo nacional.

 

*Daniel Belluci Contro é professor de história e tem mais de 25 anos de experiência na área da Educação, com passagem pelo sistema público estadual como professor e, na esfera do ensino privado, em todos os níveis, como professor, coordenador e gestor. Foi diretor de Educação na gestão do ex-prefeito Luiz Tortorello (1989-1992) e Secretário da Educação de São Caetano do Sul (2014). É membro da Academia de Letras da Grande São Paulo.