Os desafios dos nativos digitais: a Geração Z!

Os desafios dos nativos digitais: a Geração Z!

Liceu Jardim

12 Abril 2017 | 14h11

Foto Artigo 4_12Abril

Por Ana Claudia Bertolani de Andrade

Ano de 2017, aos 50 anos de idade olho para trás e revejo minha trajetória profissional. São 28 anos trabalhando em grandes colégios. Observo as mudanças que ocorreram dentro e fora da escola: a maneira como a sala de aula teve que se reorganizar ao longo desse tempo, o modo como o professor teve que se adaptar ao “novo alunado” e, o mais impressionante, a mudança ocorrida no modo como os alunos passaram a se relacionar com a escola e com o mundo que os cerca.

Lembro-me do meu primeiro dia de aula como professora numa 3ª série do Ensino Fundamental. Ao pedir que os alunos colocassem o material em cima da mesa, vejo um estojo repleto de botões. Ao apertar um botão, abria-se um compartimento com a borracha, apertando outro, surgia um apontador… Lembro-me bem da cena porque aquele estojo era bem diferente do que tive no “primário”: um estojo de madeira. Lembro-me, até hoje, do cheiro daquele estojo, carrego essa memória afetiva.

O que não sabia e nem imaginava é que aquele estojo todo moderno era apenas o início de grandes mudanças que estavam por vir.

Neste tempo, uma nova geração estava sendo gestada e, na metade dos anos 90 até o ano de 2010, nascia a Geração Z, também conhecida como iGeneration.

O termo “Z” está ligado a palavra zapear, ou seja, trocar os canais da televisão de maneira rápida e constante com o controle remoto, em busca de algo interessante. “Zap”, no inglês, significa fazer algo rapidamente. Costumamos ver esses termos em onomatopeias de gibis, indicando rapidez de uma personagem.

E é exatamente isso o que ocorre com os nascidos nessa geração. Eles não conheceram o mundo sem internet, não imaginam a vida off-line.

Esses jovens têm acesso a um mundo de informações ao simples toque na tela. São nativos digitais, usam internet, celulares, ipads, ipods, smartphones, jogos eletrônicos. Estão conectados nas redes sociais e são apaixonados por tecnologia.

A geração Z é formada não só por pessoas de mesma idade ou nascidas numa mesma época, trata-se de pessoas que foram constituídas por um mesmo tipo de influência educativa, política ou cultural, a que se pode chamar de “consciência de geração”.

Com uma maneira própria e distinta, essa geração tem fortemente algumas características:

– São dinâmicos e inovadores: principalmente no que se refere ao uso de toda e qualquer tecnologia. Quem já não se espantou com uma criança ou um jovem “dominando” um controle remoto ou a tela de um smartphone.

– Convivem com a tecnologia como nativos: os aparelhos parecem ser extensão de seu próprio corpo.

– A comunicação entre esses jovens é instantânea, interativa e individualizada.

– Executam diversas tarefas ao mesmo tempo: estudam, ouvem música, “conversam” teclando para o amigo.

– São imediatistas: não sabem e nem conseguem esperar, querem tudo rápido como se a própria vida fizesse parte do mundo virtual e que, a um simples toque, tudo pode acontecer.

– Não tem perseverança: por não saberem esperar, não têm paciência para conquistar aquilo que desejam. Se querem aprender violão, acham que, participando apenas de uma aula, sairão tocando. Não valorizam o treino e a persistência.

– São preocupados e envolvidos com as questões ambientais.

Esses são jovens diferentes daqueles com os quais iniciei minha carreira. Hoje, não são seus estojos que trazem a “modernidade”. Mas a modernidade está neles próprios e em seus outros pertences tecnológicos.

Por esse motivo, a sala de aula também teve que se transformar para acompanhar as mudanças e alcançar essa geração sem perder de vista o valor do processo da aprendizagem.

Ano de 2017, o novo descortina-se à nossa frente.

O que esperar das próximas gerações?

* Ana Claudia Bertolani de Andrade é pedagoga e psicopedagoga. Atua como diretora pedagógica do 2º ao 8º ano, no Liceu Jardim. Trabalhou mais de 20 anos como professora no ensino fundamental. É fundadora do Instituto Monsenhor Antunes, entidade sem fins lucrativos, que atua na área de acolhimento, cidadania e inserção social de crianças, adolescentes e adultos.