Saci Pererê ou Halloween? Precisamos mesmo escolher?
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Saci Pererê ou Halloween? Precisamos mesmo escolher?

Colégio Anália Franco

31 de outubro de 2020 | 16h20

Brincar e Aprender em Inglês: vivência formativa na escola  (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

Hoje, 31 de outubro, é celebrado o Halloween, uma tradição que nos remete à cultura americana, mas que, na verdade, surgiu no Reino Unido. Seja por seu local de origem, seja pelo país onde se popularizou, o fato é que não é possível pensar em aprender inglês e não celebrar, ou pelo menos, estudar a data, já que língua e cultura são indissociáveis.

Assim como o nosso folclore, as origens do que se traduziu como o “Dia das Bruxas”, também remetem às festas populares e tradições antigas – o termo folclore vem do próprio inglês (folk significa povo e lore, conhecimento, saber). A palavra Halloween vem de All Hallow’s Eve, a véspera do Dia de Todos os Santos, que era celebrado em 1º de novembro. E o que provavelmente se iniciou como uma celebração celta e pagã, com o passar do tempo foi se transformando e ressignificando suas práticas até chegar à América do Norte e ser o Halloween moderno que conhecemos hoje, que pouco remete à religião, mas sempre nos faz pensar em fantasias e doces.

Cultura, Interação, Aprendizagem em diversos segmentos (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

Aprender um idioma é viver uma cultura, enxergar o mundo através do filtro do outro. E assim, com as escolas de inglês, a celebração se popularizou e extrapolou os cursos de idiomas, sendo também comemorado em outros contextos. Tanto que “incomodou” e foi criado por aqui o “Dia do Saci”, também celebrado em 31 de outubro, numa tentativa de chamar atenção para as tradições nacionais. Por outro lado, temos o dia específico para celebração do nosso próprio folclore e histórias tradicionais, o 22 de agosto, e a presença de uma cultura estrangeira não significa competir com a nacional, elas podem coexistir. Assim como outras tradições que foram incorporadas e, hoje, coexistem com as nossas (Coelhinho da Páscoa, Papai Noel dentre outras), o Halloween pode e deve fazer parte desta coletânea de tradições que enriquecem o diálogo intercultural e propõe discussões relevantes sobre a diversidade e (des)construção da cultura em determinada sociedade.

Nosso papel como educadores é proporcionar saberes e oportunidades de conhecimentos  diversos aos estudantes, sejam de outras culturas, sejam da nossa. No Colégio Jardim Anália Franco (o “Anália”), por exemplo, o ensino de inglês é assim: instrumento para o conhecimento e não o fim em si! Através da metodologia CLIL (Content and Language Integrated Learning), que consiste basicamente no ensino de outro idioma integrado a um conteúdo, os alunos não aprendem apenas uma língua estrangeira, mas sempre algum conteúdo por meio dela, tornando seu aprendizado mais amplo, com conhecimento sobre aspectos variados da realidade global. E, ao vivenciar essa diversidade cultural em inglês, a aprendizagem ocorre de forma significativa. É um conhecimento para a vida toda!

O lúdico como estratégica para a aprendizagem significativa (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

E nesta época do ano, o Halloween é o pano de fundo para o uso da língua inglesa e a compreensão cultural dos países que o celebram. Porém, esta é a regra durante o ano todo: o ensino de inglês deve agregar conhecimento e ampliar o arcabouço cultural do estudante, tal como estruturado no material adotado no Anália (UNO Internacional), que traz um currículo completo para aprendizagem multicultural. Além disso, a proposta pedagógica do colégio, ao fugir do modelo tradicional de ensino da língua com um fim em si mesmo, oportuniza práticas metodológicas ativas para que as crianças e os adolescentes possam vivenciar a educação estudada. Ao final, fica a grande inquietação: aprendemos um idioma pelo simples fato de sabê-lo ou para que ele potencialize nossa comunicação para compreender o mundo e protagonizar a vida ao nosso redor? Certamente, saber mais e viver aquilo que se sabe nunca é demais!

 

Beatriz Moreira Guedes

Docente do Colégio Jardim Anália Franco
Bacharel e Licenciada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP)
Mestranda em Educação e Globalização pela Universidade de Oulu, Finlândia
Certificada pela Universidade de Cambridge (CAE & CELTA)

 

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