Profissionais do futuro: investigação e reinvenção começam na escola
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Profissionais do futuro: investigação e reinvenção começam na escola

Colégio Anália Franco

01 de maio de 2020 | 08h00

Profª Raquel Toledo na orientação de alunos do Ensino Médio (Colégio Jardim Anália Franco)

Um dos assuntos mais comuns entre os jovens estudantes é a perspectiva da profissão futura. Por mais comum que seja a pergunta “o que vou ser quando crescer?”, a resposta ainda causa emoção nas novas gerações. E se isso já era inquietante quando a gama de respostas era pré-definida (médico, jornalista, engenheiro, professor, advogado), imaginem agora. Segundo o historiador Yuval Noah Harari (autor dos excelentes Homo Deus, Sapiens e 21 lições para o século XXI), os profissionais do futuro terão várias carreiras ao longo da vida adulta e – por mais incrível que pareça – muitas delas ainda não foram inventadas. Segundo o especialista, mais de 80% das atividades profissionais de 2030 não existem no momento. Diante desse cenário de inovação, como a escola pode colaborar para que o estudante consiga responder a esse anseio tão pessoal (e ao mesmo tempo tão coletivo)?

A resposta parece bem clara: treinar habilidades e competências, muito mais do que cobrar uma variedade de informações que podem ser encontradas numa rápida procura na internet e, por fim, saber como aplicar essas informações à situação imposta. Porém, na hora de assinalar a profissão que se pretende estudar nos anos universitários, é necessário olhar para si e, em seguida, olhar para a sociedade e, a partir de uma profunda reflexão, questionar-se: como posso ajudar minha comunidade a evoluir com as habilidades e competências que adquiri nos anos escolares?

O aprender possibilita escolhas, gera liberdade

Eletiva - Vocação e Carreiras

Estudar para escolher bem

Para ajudá-los a responder essa questão, é fundamental que a escola oferte aos estudantes exercícios que levem ao autoconhecimento. Atividades e momentos de reflexão sobre si trazem melhor compreensão sobre qual papel podem desenvolver numa sociedade que está sempre em mudança. Se o profissional do futuro terá várias carreiras ao longo da vida, o aluno de hoje precisa “aprender a aprender”: manter-se curioso e sensível às questões de sua comunidade, ser capaz de se reinventar diante de situações adversas e, principalmente, estar disposto a recomeçar. Se há alguns anos os estudantes eram divididos em “humanas”, “exatas” e “biológicas”, hoje vivemos a interdisciplinaridade para que eles possam circular com segurança num mundo de pontes, e não de muros.

E para que nossos alunos saiam seguros do Ensino Médio, no Colégio Jardim Anália Franco oferecemos um componente em formato de eletiva intitulado “Vocação e Carreiras”. Nele, debatemos sobre a importância de pensar o futuro como algo a ser construído, e não imposto, e também estudamos questões fundamentais de nossa sociedade.

Diálogo sobre anseios e expectativas dos estudantes em suas escolhas futuras.

Neste processo, o alunos vivenciam uma imersão em áreas de interesse pessoal e dialogam com experiências alheias por intermédio de compartilhamento de pesquisas, entrevistas e leituras da realidade, refletindo sobre argumentos que lhes ajudem a pensar as suas escolhas futuras. Além disso, a realização de um breve estudo de mercado colabora para descontruir visões deturpadas de profissões em detrimento às potencialidades de cada jovem.

Eletiva - Vocação e Carreiras

Troca de experiências entre os estudantes após pesquisas. (Colégio Jardim Anália Franco)

Considerando que diversas profissões ainda estão para ser inventadas, serão justamente os jovens que as inventarão. Portanto, conhecer as vantagens criativas e as questões desafiadoras do empreendedorismo são parte fundamental do currículo da eletiva. Exercícios de mapeamento do “eu” (conhecer suas maiores habilidades, para onde apontam seus interesses e quais questões sociais mais trazem motivação) também são fundamentais, afinal o autoconhecimento define os valores que são caros aos estudantes e apoia decisões inteligentes. Mas, acima de tudo, o autoconhecimento forma cidadãos conscientes e capazes de criar a inovação numa sociedade tão complexa, que se modifica cada vez mais rápido e cheia de oportunidades, como a que vivemos.

Professora Raquel Toledo
Mestra em Literatura Russa
Colégio Jardim Anália Franco

 

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