Pedagogia e tecnologia: perspectivas para uma educação de engajamento.
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Pedagogia e tecnologia: perspectivas para uma educação de engajamento.

Colégio Anália Franco

20 de maio de 2021 | 17h48

Atuação docente no processo de alfabetização (Colégio Jardim Anália Franco – SP)

Hoje, dia 20 de maio, é celebrado o dia do pedagogo! Para muitos, esta data pode ser um dia comum ou até passar despercebida pela sociedade, mas para nós, profissionais da educação, é um momento muito significativo. É um período para refletirmos sobre o nosso papel de educadores, lembrarmos a importância que temos na vida dos aprendentes em uma escola e reabastecer nossas forças para continuarmos na luta para a construção de uma sociedade baseada nos princípios da ciência, da cidadania e de outras esferas possibilitadoras da formação de excelência ao ser humano.

Nosso ofício vai além de ensinar as letras do alfabeto, relação de número e quantidade ou os estados físicos da matéria. Nosso objetivo, também, é proporcionar aos educandos um ambiente saudável, pacífico e justo. Mais do que ensinar ou expor algum conteúdo, nosso movimento educacional é voltado para a formação de valorosos seres humanos para a transformação do mundo. A sala de aula é nosso palco principal, mas as possibilidades são infinitas nos bastidores de um ambiente escolar.

“O educador se eterniza em cada ser que educa” Paulo Freire

Apesar dos nossos esforços diários e dedicação contínua, é de conhecimento de todos que a profissão do educador no Brasil é desvalorizada, não somente no contexto escolar, mas também pelos próprios agentes da sociedade. O desprestígio se manifesta em vários desafios a serem superados, como baixa remuneração (se comparada a outros profissionais com Ensino Superior e pós-graduação), salas de aula com excedente de um número ideal de alunos para um trabalho qualitativo, desprezo de grande parte da classe política que é constatado por políticas públicas de educação pouco efetivas para a melhoria de nossa sociedade etc. Mas, o desafio mais recente foi gerado pelo período de pandemia da COVID-19 que se instalou em março de 2020 e tem continuidade até os dias de hoje em nosso país.

O distanciamento social fez com que os educadores deixassem fisicamente a sala de aula, por tempo indeterminado. Porém, rapidamente as instituições dedicaram-se em criar estratégias para garantir a educação dos estudantes, mesmo à distância. Os professores tornaram suas casas o seu mais novo ambiente de trabalho. Entraram timidamente nas residências dos educandos de forma síncrona ou assíncrona. E, assim, pisamos em terras completamente novas e desconhecidas no âmbito da educação. Foi necessário se reinventar, pesquisar e continuar o processo de atualização profissional para auxiliar da melhor forma possível a aprendizagem dos estudantes. A tecnologia, que já era presente na vida pessoal das famílias, tornou-se a maior aliada na construção do conhecimento.

Pedagogia atuante para além dos muros escolares (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

Diversos teóricos vêm provando em seus estudos que as instituições que incluem vivências tecnológicas em seus currículos ampliam as habilidades cognitivas de seus estudantes. Além de colaborarem com o ensino-aprendizagem, elas promovem processos colaborativos e o desenvolvimento da autonomia.

 

“Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.” Rubens Alves.

Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, reflete em sua obra “Pedagogia da autonomia – saberes necessários à prática educativa” que os docentes devem adotar condutas que ajudem a desenvolver discentes ativos, criadores, instigadores e curiosos. Caso exemplar disso são os estímulos que já faziam parte da realidade do Colégio Jardim Anália Franco (o “Anália”), situado na zona leste de São Paulo, que possui uma proposta pedagógica inovadora e uma cultura educacional que vivencia tecnologias digitais na formação dos estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Os estudantes do Anália são instigados frequentemente a diferentes experiências tecnológicas com metodologias ativas pautadas na intencionalidade pedagógica do projeto escolar da instituição.  É uma prática recorrente dos professores adotarem ferramentas diversificadas como plataformas digitais, aplicativos, mídias sociais etc, para expandirem o conhecimento dos discentes e tornarem a aprendizagem mais interessante, interativa e vivencial.  Por estas práticas serem frequentes no colégio, a implantação do novo formato de educação teve menor dificuldade para estes estudantes, por já estarem habituados com o manuseio de recursos e ambientes tecnológicos de ensino.

Rotinas escolares com uso de tecnologia (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

São inúmeras as possibilidades de interações tecnológicas utilizadas em todos os segmentos do Anália. Além de acesso a sites, vídeos interativos e jogos, os discentes também usufruem de recursos como murais virtuais colaborativos, construção de mapas mentais digitais, quiz interativo, nuvem de palavras, criação de Podcasts etc. Além disso, o colégio tem à disposição ferramentas do sistema de gerenciamento da empresa Google para facilitar a comunicação entre família-escola e professor-aluno. Todos esses artifícios são operados com o objetivo de contribuir ao processo de ensino-aprendizagem e tornar as práticas pedagógicas mais envolventes e efetivas entre os estudantes.

Em umas das propostas do 1º ano do ensino fundamental, por exemplo, foi utilizado o site “Padlet” para potencializar a discussão do livro paradidático “O sanduíche da Maricota” (de Avelino Guedes) e estimular a alfabetização. As crianças prepararam com suas famílias um delicioso sanduíche e compartilharam uma foto com os demais colegas por meio do mural interativo, onde também, puderam refletir sobre as hipóteses de escrita criando uma lista dos ingredientes preferidos por elas.

“O sanduíche da Maricota” – Vivências e aprendizagens (1ºano do Ensino Fundamental do Colégio Jardim Anália Franco-SP)

Como docente do Colégio Jardim Anália Franco, sinto-me afortunada em ter ao meu dispor instrumentos tecnológicos que intensificam o processo de aprendizagem dos estudantes. No entanto, sabe-se que, infelizmente, essa não é a realidade de todas as escolas brasileiras. É notória a desigualdade educacional que vivemos em nosso país. Há muitas barreiras a serem ultrapassadas para garantir o direito a uma educação de qualidade, principalmente, ao acesso e otimização de ferramentas tecnológicas. Mesmo em meio à tempestade, os educadores e pedagogos dedicam-se assiduamente para a transformação do futuro de nossas crianças e jovens.

Sinto que no último ano, devido às mudanças ocorridas na área da educação, as famílias dos alunos têm olhado com mais carinho e admiração para nossa atuação. Elas, também, têm demonstrado sua gratidão aos profissionais, por estarem acompanhando mais de perto o trabalho pedagógico desenvolvido. Meu desejo é que, não somente nesse período crítico que estamos vivendo, mas por toda nossa trajetória, esses olhares se expandam cada vez mais, gerando mais admiração e respeito por esta área profissional incrível que é a Pedagogia. É por intermédio dela que a formação integral dos estudantes para o enfrentamento dos desafios do mundo global acontece. É uma jornada compartilhada por muitas pessoas! A criança formada hoje por nossas mãos se constituirá no profissional do amanhã e uma pessoa capaz de continuar a transformar o mundo!

Profª Bruna Takako Nakamoto Rodrigues

Graduada em Pedagogia – USP

Pós-graduanda em Psicopedagogia – IBFE.

Docente no Colégio Jardim Anália Franco

 

 

Referência bibliográfica:

Freire P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra; 2004.

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