O Poder da Pedagogia: alfabetizar para ler os livros e o mundo
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O Poder da Pedagogia: alfabetizar para ler os livros e o mundo

Colégio Anália Franco

20 de maio de 2020 | 09h55

Vivências diversas para aprender a ler o mundo (Colégio Jardim Anália Franco)

 

Tenho muito claro em minha memória o dia em que escrevi minha primeira palavra: pássaro. Foi em uma lousa de giz, em pé no quintal e olhando espantada para ver se estava acompanhada. Fiquei muito satisfeita com aquela conquista e o desejo de escrever outras palavras só aumentava. Porém, o processo de letramento e alfabetização não parecia tão espontâneo quanto aquele momento. A pergunta “por que se lê e escreve?” ganhava outro questionamento: “como se lê e escreve?”. À medida que ia vivendo o processo, percebia o quanto esse caminho poderia ser diferente para cada um, dependendo de suas vivências e/ou região de morada, por exemplo. Afinal, para que ler e escrever?

Aprender a ler é um processo (Colégio Jardim Anália Franco)

 

“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão” (Paulo Freire).

 

Não é recente o debate a respeito da participação ativa do sujeito em comunidade, uma vez que lidamos cotidianamente com situações-problema que demandam um olhar crítico para tomada de decisões e a proposição de possíveis soluções, seja em pequena ou grande proporção. Nosso cenário atual em meio a uma pandemia, nos coloca escancaradamente nessas posições de reflexões e escolhas, seja no nosso pequeno núcleo (família), seja no maior núcleo (coletivo, sociedade).

Alfabetizar para ler a realidade no Ensino Fundamental (Colégio Jardim Anália Franco)

 

Este caráter ativo é essencial para que o ser humano se constitua, como um instinto de sobrevivência. Podemos pensar na herança deixada por nossos antepassados primitivos que desenvolveram tecnologias para melhorar suas vidas, como a invenção da roda. Tanto conhecimento acumulado através das gerações e o nosso acesso a ele está ligado ao desenvolvimento da escrita. A partir daqui, percebemos a função social da escrita: comunicar!

Investigação e Interação para aprender a ler o mundo (Colégio Jardim Anália Franco)


Somos seres sociáveis e nos comunicamos constantemente. Logo, a escrita, acompanhada da competência leitora, nos habilita para participação efetiva nos processos mais variados da vida. Porém, não nascemos com estas competências, mas podemos aprendê-las. E aqui, novamente, o questionamento da minha criança de 6 anos pulsa: como ler e escrever?

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra” (Paulo Freire)


Paulo Freire, em “A importância do ato de ler” (1988), discute a leitura do mundo como precedente à leitura da palavra e, esta, como ampliação daquela. Ler o mundo é um ato. Nele, associamos, interpretamos, assimilamos situações, damos significado às figuras e aos contextos, mesmo antes de nos alfabetizarmos. Um exemplo disso é o ato de perceber a possibilidade de chuva quando olhamos para o céu e vemos nuvens carregadas. Como leitores da palavra, podemos ampliar nossa leitura de mundo: compreender o processo de formação da chuva e o ciclo da água com a utilização dos livros (grandes veículos do saber construído socialmente) e, assim, podemos dar continuidade à construção de novos conhecimentos e/ou propor soluções e tomar decisões mais embasadas frente aos desafios de conservação e/ou preservação ambientais, por exemplo.

Alfabetização passa por vivências diversas (Colégio Jardim Anália Franco)

 

A partir da leitura de mundo, o processo de alfabetização se dá de modo significativo: há campo rico para a leitura da palavra, há aprendizagem. Assim, damos significado para a escrita e o querer escrever. Oportunizar um ambiente com olhar para leitura de mundo, amplia repertórios e transfere para as palavras uma unidade de sentido. 

 

Vivências de leitura (Colégio Jardim Anália Franco)



Promover ambiente letrado, momentos de olhar para o meio, troca de ideias entre pares e uso da escrita como forma de comunicação (seja na formulação de hipóteses escritas ou consolidação de textos discursivos), colabora para a formação de indivíduos investigativos, íntegros e interativos. No Colégio Jardim Anália Franco, por exemplo, a alfabetização se verifica com o aluno comunicando seu mundo para, depois, se comunicar com o mundo, em um processo de crescimento interno e externo, individual e coletivo. É, desde cedo, um aprender para vida!


Processos escolares que alfabetizam no Ensino Fundamental (Colégio Jardim Anália Franco)



Hoje, no dia do Pedagogo, retorno para a minha criança e com tranquilidade, tendo escolhido a Pedagogia como profissão, asseguro-lhe que seu processo de alfabetização respeitou sua leitura de mundo e que seu pássaro nada mais era que a representação de sua realidade e, hoje, auxilia a alcançar grandes voos, junto a diversos profissionais e colegas de profissão.

Parabéns, pedagog@as, pelas suas trajetórias!

 

Profª Gabriela Rossi Viana

Mestranda em Educação, pedagoga pós-graduada em Neurociência para Educação e Formação Integral

Colégio Jardim Anália Franco

 

 

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