Ler e “SobreviLer”
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Ler e “SobreviLer”

Colégio Anália Franco

24 de julho de 2020 | 09h54

A leitura e o encantamento do ato de ler (Colégio Jardim Anália Franco – SP)


Que professor(a) de “Língua Portuguesa”, “Redação”, “Produção de Texto” ou quaisquer outras nomenclaturas similares nunca se deparou com um(a) jovem, angustiado(a), lhe perguntando “Como é que se faz uma boa redação?”, “O que preciso saber para produzir um bom texto?” ou, até, “Você pode me ensinar a escrever?”. Perguntas difíceis de responder, não por terem uma resposta enigmática e desconhecida, mas por sua “resposta” ser absolutamente “simples” e, ao mesmo tempo, “complexa”. “Simples”, pois é conhecida universalmente e comprovada científica e empiricamente por vários estudos.Vejam o que demonstram três deles: Segundo estudo da New School de Nova York, a leitura, sobretudo de textos ficcionais,aumenta nossa empatia;conforme avaliações da Universidade Yale, dos EUA, pessoas que dedicam mais de três horas por semana à leitura tendem a viver, pelo menos, dois anos a mais, e consoante pesquisadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido, ler por apenas seis minutos ajuda a diminuir cerca de 68% dos níveis de estresse, só para ficarmos em três exemplos de comprovações…e“complexa”, porque pouquíssimos, na atualidade, se permitem ler para além de fragmentos nas redes sociais.Mas, que tal acabarmos de vez com essa complexidade? Afinal, só depende de uma resolução pessoal: nos permitirmos, nos “doarmos” um tempo, nos disciplinarmos! E, se for em relação ao nosso filho/à nossa filha, o que podemos fazer? Podemos incentivá-lo(a), lendo para ele/ela (dependendo da idade), lendo junto ou, como um professor amigo meu faz, há anos, “trocando livros” com o filho.

A família como incentivadora da produção escrita dos estudantes em Momentos Literários (Colégio Jardim Anália Franco – SP)


Ser um(a) escritor(a) brilhante, uma “Lygia (Fagundes Telles)”, um “Machado (de Assis)” ou um “(Carlos) Drummond” talvez seja, realmente, para um seletíssimo grupo que, além de um “dom” inato, ousou, se disciplinou, aprendeu – efetivamente – a ler as palavras, os livros e a vida; entretanto, saber, com certa proficiência e segurança, “manejar” as palavras, encadeá-las, exercitando a criatividade, em uma narrativa ficcional, por exemplo, com consistência, coerência e coesão, em gêneros argumentativos/opinativos, nos pede “apenas” uma única e singela ação: Leitura! Ler, ler e ler! O quê? Tudo que nos for possível e/ou nos interessar! Em que momento da vida? O mais cedo possível! Onde? Em casa e na escola! Quem devem ser os maiores incentivadores? Os familiares e nós, professores! E orientadores/mediadores? Nós, professores! De quais componentes curriculares? Todos, pois todo professor deve ser um leitor, aliás, todo profissional, ou melhor, todas as pessoas! Afinal, quem escreve bem, certamente, leu e lê bastante! E quem assim o faz, aumenta, e muito (muito mesmo!), suas chances de sucesso nos estudos, no trabalho e na vida pessoal/afetiva. (Assista o breve testemunho do médico Drauzio Varella sobre este assunto).

Ademais, como vimos acima, além de aumentar nossa expectativa de vida, nossa capacidade de entender o outro e de diminuir nosso nível de estresse, a leitura pode, inclusive, prevenir doenças neurológicas, como o Alzheimer e outros tipos de demência, conforme afirma o neurologista André Matta, professor de neurologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Disciplina, sensibilidade e criatividade são incentivadas na formação de jovens escritores (Colégio Jardim Anália Franco – SP)



Por conseguinte, nós, professoras e professores do Colégio Jardim Anália Franco, em São Paulo-SP, sabedores de que a Leitura, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, é libertadora, fomentadora e promotora da criatividade e da emancipação intelectual e emocional de uma criança e/ou adolescente, produzimos e propomos, diariamente, atividades e projetos sempre ancorados em leitura (Português/Inglês/Espanhol), seja para uma investigação/pesquisa de determinado assunto e/ou problema, seja para a interação e confrontação de teses e argumentações, ou mesmo (e com a mesma atenção e frequência!) para fruição/entretenimento, pois somos eternos “seres aprendentes” e, pelo exercício da leitura, aprendemos a silenciar, ouvir, imaginar, criar, em suma: escrever bem as palavras, os textos e as narrativas da própria vida pessoal e/ou coletiva. (Assista à reflexão do historiador Leandro Karnal sobre este assunto).


“Ler não é caminhar sobre as letras, mas interpretar o mundo e poder lançar sua palavra sobre ele, interferir no mundo pela ação. Ler é tomar consciência. A leitura é, antes de tudo, uma interpretação do mundo em que se vive…Falar sobre ele, interpretá-lo, escrevê-lo”. (Paulo Freire)

 

A leitura pode ser instrumento para nos informar, para estudar, para investigar, para descobrir, mas nem sempre a leitura tem um objetivo acadêmico e/ou profissional, nem sempre a leitura é “séria”; muitas das vezes lemos para “viajar”, “descansar”, “alimentar” nossa mente, nossa alma e nosso coração. No entanto, em todas elas, sem exceção, aprendemos algo, e isso é o que nos move, é o que está presente em todos os planejamentos, atividades e projetos do nosso colégio. Emancipar intelectual e emocionalmente jovens, ajudando-os a serem, cada vez mais, investigativos, interativos e íntegros é a nossa missão, é o nosso compromisso!

Palavras, códigos, enigmas e muito mais são encontrados no ato de ler (Colégio Jardim Anália Franco – SP)



Desde os pequenos, o colégio incorporou um projeto de leitura que está sistematizado no contato do estudante com a obra, seguido por estratégias pedagógicas de vivências diversas e, a partir daí, visa a oportunizar ao aluno o protagonismo de intervenção na realidade, de ir além do óbvio e de não se limitar a transcrever respostas prontas. É um processo institucional gradativo e criativo para formar estudantes responsáveis para com o conhecimento humano e prontos para os desafios da vida, em que a leitura seja uma solução de enfrentamento e que a percebam como um ato necessário e prazeroso. Cremos que ser uma “escola leitora” é o caminho na promoção de grandes escritores!

Contação de histórias: aprender a ler a partir de vivências diversificadas (Colégio Jardim Anália Franco – SP)



Fica aqui nosso eterno agradecimento aos que dedicaram e dedicam horas, dias, semanas, meses, anos, uma vida a produzir poemas, romances, contos, crônicas, artigos de opinião, artigos científicos…e tantos outros gêneros que nos divertem, nos entretêm, nos fazem sonhar, nos fazem nos sentir acompanhados, nos formam, nos informam, nos “reformam” intimamente, nos fazem refletir, rever conceitos, nos emocionam…Parabéns, Escritoras e Escritores! Saibam que aqui, no “Anália”, vocês são “co-partícipes” na formação de nossas crianças e nossos jovens!


Célio Cirillo Barricelli
Licenciado em Letras (LP/Espanhol-UNIB) e pós-graduado em Língua Portuguesa (PUC-SP).
Professor de Língua Portuguesa no Colégio Jardim Anália Franco

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