Folclore: cultura pulsante na escola
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Folclore: cultura pulsante na escola

Colégio Anália Franco

18 de agosto de 2020 | 17h31

Atuação docente: valorização e vivência cultural (Colégio Jardim Anália Franco)

É muito difícil pensar no folclore como sendo um simples nome multifuncional. Na verdade, trata-se de uma imensidão de informações que suprem uma cultura tão rica como a do Brasil. A diversidade encontrada em nosso país, seja pelo regionalismo, pela mistura de etnias, ou pelo simples sotaque, vem há muito tempo alimentando nossas tradições e ensinamentos e nutrindo grandes estudiosos de nossa cultura.

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Apresentando-se historicamente na forma de um conjunto de tradições e manifestações culturais, esta multiplicidade de informações do folclore brasileiro é marcada por atributos das culturas portuguesas, africanas e indígenas, e nos traz uma grande riqueza em mitos, lendas, brincadeiras, cantigas de roda, danças, festas, comidas típicas e demais costumes. Todos, de alguma forma, têm sido introduzidos já na educação infantil.

Corpo, Movimento e Cultura na Educação Básica (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

O folclore é expressão da cultura popular e apresenta grande importância na criação de sua identidade. É de suma importância que as manifestações culturais sejam transmitidas através das gerações para a manutenção das tradições regionais e compreensão da história como um todo.

E falando-se em propagação de conhecimento, o professor tem o grande desafio de ensinar aos alunos que os elementos da sua própria cultura e o aprendizado adquirido ao longo da vida, também fazem parte do folclore, como diz Cristina Wolffenbüttel em seu livro Folclore e música folclórica: “O folclore, como uma das formas de manifestações existentes no universo cultural, também está presente na vida dos alunos. (…) Nesse sentido, os indivíduos são portadores de folclore.”.

Vale destacar que, desde o século XIX, o folclore começou a firmar-se como temática acadêmica na Europa e nos Estados Unidos. O termo “Folclore” foi cunhado pelo arqueólogo William John Thoms, quando em carta ao periódico inglês Athenaeum, em 1846, sugeriu que o conjunto de tradições ou “antiguidades” populares fosse definido pela palavra “folklore” [em inglês “folklore”: “folk” (povo) e “lore” (instrução, aprendizado)], ganhando dimensões ampliadas com Johann Gottfried von Herder e os irmãos Grimm.

Já no Brasil, dentre os estudiosos que se destacaram na explanação desse tema, nomes como Luís Câmara Cascudo, Mário de Andrade, Florestan Fernandes e Monteiro Lobato evidenciaram a relevância do folclore para compreensão de um povo e da cultura. Com a Carta do Folclore (1951), aquilo que era do senso comum passou a ganhar o reconhecimento de estudiosos e se transformou em recurso conceitual para auxiliar na construção da cultura brasileira. Atualmente, o folclore tem, inclusive, “um dia” para ser celebrado (22 de agosto), mas o imaginário popular é resgatado constantemente quando, sobretudo, nos deparamos com narrativas tradicionais (com mitos e lendas populares), costumes tradicionais expostos nas festas populares, crenças e superstições com saberes relacionados à magia, por exemplo, e linguagem popular nos dialetos e os jargões populares encontrados no cotidiano das pessoas e chegam, com naturalidade, às salas de aula pela própria formação familiar que as crianças estão inseridas.

O ato de aprender sobre narrativas que possuem uma “origem anônima”, que chegaram aos nossos dias, sobretudo, graças à “oralidade” e se popularizam coletivamente e de maneira espontânea, permite que a inclusão do folclore em sala de aula, desde cedo, estimule nos estudantes o interesse e a curiosidade sobre os povos e seus costumes históricos das distintas regiões do Brasil. Nesse sentido, possibilitar que a criança conheça, por meio de vivências, as diversas manifestações culturais que se expressam em festas populares, lendas, músicas, danças, cantigas de roda, jogos e brincadeiras, possibilita que a educação se torne mais significativa e que o estudante construa uma aprendizagem para toda a vida.

Em sala de aula, o trabalho do folclore com as crianças viabiliza benefícios de reconhecimento do passado, criação de identidade cultural e o respeito pela história. Além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) possibilita exemplificar situações específicas de práticas e elementos da cultura folclórica sobre os campos de experiências. Veja a imagem:

A implementação da BNCC já é realidade em diversas escolas espalhadas pelo Brasil. Na Educação Infantil, por exemplo, um trabalho que chama a atenção é o do Colégio Jardim Anália Franco, escola da Zona Leste de São Paulo (região do Tatuapé). Nele, o planejamento de atividades relacionadas ao folclore está presente no cotidiano escolar, incluindo projetos que visam valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, principalmente as nacionais, assim como nos processos criativos que promovem a criação de objetos, vestuários e cenários e, posteriormente, a apresentação teatral.

Manifestações culturais: o incentivo à criatividade começa na escola (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

Esta atuação na Educação Infantil trabalha diversos objetos de aprendizagem levando em conta as necessidades e interesses da faixa etária. Para tanto, as docentes do segmento desenvolvem brincadeiras cantadas e cantigas de roda em aulas, por exemplo. São propostas que instigam o processo lógico, a linguagem e a imaginação, pois, geralmente, contam pequenas histórias e auxiliam no desenvolvimento da oralidade, dos movimentos e interações. Essas estratégias pedagógicas aplicadas no Colégio Jardim Anália Franco, trazem para a sala de aula uma carga afetiva positiva, pois os familiares, muitas vezes, usam essa herança cultural em seus próprios lares, cantando as mesmas músicas junto às crianças.

É necessário destacar que a criança se expressa por meio de seu corpo. Quando ela canta, bate palmas, bate os pés, brinca de roda, se arrasta imitando um animal, ela está utilizando o seu corpo para trabalhar os aspectos psicomotores (emocionais, cognitivos e motores), fundamentais para seu desenvolvimento integral. Quando relacionadas ao folclore, essas práticas diárias se entrelaçam nas rodas de conversa, nas brincadeiras coletivas (pega-pega, ciranda, passa-anel), contação de histórias folclóricas (Saci-pererê, Curupira), parlendas, trava-línguas, adivinhas, danças e cantigas etc.

Arte, interação e criatividade na educação infantil (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

No “Anália”, como é conhecido o colégio, diversos projetos educacionais incluem elementos do folclore brasileiro. Um exemplo disso, é o projeto “Cada Conto Aumenta Um Ponto”, que insere em suas etapas de aprendizagem a contação e dramatização de histórias, envolvimento e protagonismo das crianças no processo e participação em peças de teatro com Lendas, como a Cuca, a Iara, entre outros. Com isso e demais estratégias pedagógicas, os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento são trabalhados na Educação Infantil: conhecer-se, expressar, explorar, brincar, participar e conviver. E o folclore, com sua riqueza de interações e brincadeiras, auxilia para garantir estes direitos e formar estudantes investigativos, interativos e íntegros que valorizam a cultura e a vida em suas diferentes manifestações.

 

Rita Aparecida Aléo Martins

Graduada em Pedagogia

Professora do Colégio Jardim Anália Franco

 

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