Estudante: um(a) aprendente no mundo em transformação!
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Estudante: um(a) aprendente no mundo em transformação!

Colégio Anália Franco

11 de agosto de 2020 | 17h44

Estudantes do Ensino Médio – Colégio Jardim Anália Franco (São Paulo-SP).

 

A educação, de uma forma geral, sofre diversas modificações com o passar dos anos, das gerações, da conclusão de novos estudos e das mudanças nos docentes e na forma de lecionar. Há não muito tempo, punições físicas e morais eram permitidas e, casualmente, utilizadas. Além da aplicação de um ensino extremamente regrado e linear, sem espaço para grandes inovações. Desse modo, os estudantes se adequavam a essa forma de “aprender”, que, na visão de alguns, deixava de ser interessante e prazerosa. Ser estudante nessas escolas era apenas escutar e absorver o que escutava, sem poder contribuir com suas próprias percepções e experiências, era o que Paulo Freire chamava de “educação bancária”, uma edução que eliminava a capacidade de crítica dos estudantes e seu papel ativo como seres pensantes em nossa sociedade.

Hoje, com a mudança das pessoas e da forma de ensinar, “ser estudante” é muito mais que ouvir. Ser estudante é, com a ajuda daqueles que atuam como facilitadores da aprendizagem (também conhecidos como professores!) e do ambiente em que se está, buscar dentro de si a essência do saber, o prazer por aprender e por descobrir os fenômenos e a história do mundo. É contribuir para a evolução do grupo em que se está inserido, com suas experiências e com seu saber, pois todos nós temos a contribuir para e com o outro. Na escola, os estudantes aprendem e ensinam, é uma “via de mão dupla”.

Aprendizagem colaborativa (Colégio Jardim Anália Franco – SP)

 

Na atualidade, os professores se mostram mais preocupados em incluírem assuntos cotidianos e, até mesmo, nossos próprios lazeres – como seriados, filmes e jogos – nas dinâmicas das aulas. São profissionais incríveis e estão mais dispostos à escuta ativa, ao diálogo e, assim, nos permitem um mundo de possibilidades, nos oportunizam “o novo” e colaboram para o desenvolvimento de nossas capacidades.

 

Protagonismo estudantil no desenvolvimento de projetos educacionais (Colégio Jardim Anália Franco – SP)

 

O uso das atividades práticas e “gamificadas” tornam o estudo menos linear e mais orgânico, propondo novos desafios e significados para o que, antes, era “só conteúdo”. Neste período de pandemia da Covid-19, as atividades práticas vivenciadas no laboratório, por exemplo, foram adaptadas para experiências “home office”, como nas aulas de fisiologia do metabolismo da professora Daniela, de Ciências, ou nos experimentos com materiais caseiros para simular o processo de difusão com a Professora Thais e, também, na aula do Ensino Fundamental I com a Professora Anna Catarina.  São nesses momentos em que somos instigados ao conhecimento a partir de elementos comuns. É um fato demonstrativo que, para o ato de aprender, a postura estudantil é essencial onde quer que estejamos.

Experiências on-line: incentivo à ciência e à criatividade (Colégio Jardim Anália Franco – SP)

Vale destacar que, neste processo histórico de adaptações do ambiente escolar que vivemos, não são todos os estudantes que usufruem do privilégio da tecnologia e têm a chance de ter uma aula on-line, conectados diretamente com o professor com ferramentas digitais que possam otimizar a aprendizagem e criando os currículos unificados com a tecnologia. Segundo os dados de 2016 do IPEA  (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada),  é possível perceber a falta de condições de recursos materiais de tecnologias da informação e comunicação (TICs) nas escolas públicas, que se tornam menores ainda quando comparadas ao grande número de alunos e professores nessas instituições, o que exige uma maior criatividade dos profissionais da educação e ressalta os problemas de desigualdade social em nosso país, onde até mesmo o direito de estudar e acesso à tecnologia na educação básica acaba sendo afetado.

Documento

Já nas aulas on-line daqueles que possuem esse privilégio, é difícil estabelecer um diálogo similar àqueles realizados em aulas presenciais, pois problemas de conexão podem atrapalhar o desempenho individual e as vozes, ansiedades e saudades se misturam. A falta do encontro presencial e do próprio espaço escolar afetam a forma de aprender de cada um, mas essa situação nos ensinará, ainda mais, sobre “ser um estudante” e a enfrentar o que o mundo trará com tantas novidades e a possibilidade de novos paradigmas. Nesse ponto, escolas como o Colégio Jardim Anália Franco (São Paulo-SP) que olham e trabalham o lado socioemocional, ajudam a desenvolver resiliência e autoconhecimento também em momentos de crise. Como afirma o diretor pedagógico Prof. Sérgio da Costa Bortolim: “Uma proposta pedagógica deve ser alicerce para o desenvolvimento pleno do estudante no tempo presente e, além disso, para formá-lo ao novo, àquilo que ninguém conhece, nem mesmo a escola do presente. Uma educação transformadora é aquela que inova todos os dias olhando, inteligentemente, para o ser humano e para a história que, com ele, é produzida”.

Atividades diversificadas no trabalho com habilidades socioemocionais (Colégio Jardim Anália Franco – SP)

 

Refletindo sobre o tema, arrisco-me a dizer que não somos estudantes apenas na escola ou faculdade, nem deixamos de ser após nos formarmos. Somos eternos estudantes! Aprender é um ato diário e isso ocorre nos trabalhos cotidianos e nas orientações de nossos professores ou familiares a cada um de nós, desde pequenos, nos encorajando ao “novo” ou mesmo em conversas que nos mostram “o outro lado” e geram uma reflexão. Afinal, o que nos torna estudantes, é o próprio ato de aprender, de conviver e de não desistir diante as dificuldades. E aprender faz parte da biologia interna do ser humano, é inato! O ser humano é um constante aprendiz desde a sua concepção.

Assim como tudo na vida nos traz desafios, compreender os fenômenos que nos são apresentados e as situações que passamos pode ser algo difícil, ainda mais quando há pressão sobre os aprendizes. Os desafios do estudante vão desde lembrar aquela fórmula de física até decidir o curso que irá mudar sua vida depois do “terceirão”. Inseguranças surgirão, especialmente nesse período de amadurecimento da educação básica, mas é necessário lembrar que não precisamos passar por isso sozinhos. É importante formar laços durante esse processo: com os colegas, os professores e com o próprio ato de aprender.

Preparação ao vestibular: disciplina e concentração (Colégio Jardim Anália Franco – SP)

 

O ser humano, desde os primórdios, busca evoluir e conhecer o mundo coletivamente. Antigamente, por uma questão de sobrevivência e, atualmente, porque percebeu que não consegue viver sozinho. É naquele “ombro amigo” que, muitas vezes, o estudante encontra “uma luz no fim do túnel”. E, considerando o método socrático da ironia e, sobretudo, da maiêutica, podemos afirmar que não é possível aprender sem o diálogo. Logo, não é possível aprender sem o outro, para te instigar e, consequentemente, auxiliar na descoberta do conhecimento. É do encontro com o outro que formamos quem somos, nos tornamos completos, críticos, seres plenamente aprendentes!

Como estudante, afirmo que poder frequentar uma escola atualmente é um privilégio. Poder presenciar o ensino atual e suas diversas mudanças é uma honra. A liberdade no ambiente escolar, as atividades lúdicas, a convivência com pessoas (colegas, professores e demais funcionários) dispostas a dar, e também a receber, é surreal. Ser vista como alguém capaz de agregar ao ambiente onde estou torna o “aprender” mais leve e mais prazeroso, assim como deveria ser desde sempre em todos os lugares.

Drielly de Moraes Guerreiro

Estudante do Ensino Médio do Colégio Jardim Anália Franco

 

 

 

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: