Escola que aprende é escola que liberta!
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Escola que aprende é escola que liberta!

Colégio Anália Franco

28 de abril de 2021 | 17h12

Aprender de forma significativa desde cedo (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

Viver um período de pandemia perpassando por crises econômicas, políticas e morais em uma sociedade permeada de oposições, nos dá a oportunidade de refletir sobre o sentido das relações humanas para além de dimensões fragmentadas. Pensar sobre o tempo e sobre os princípios que manifestamos no cotidiano são requisitos necessários para a superação do reducionismo de uma época pautada por dicotomias, especialmente aquela composta: de um lado, pela ignorância que desvaloriza os conhecimentos históricos construídos e as teorias científicas investigadas e, por outro lado, a capacidade crítica do ser humano que potencializa sua própria essência. Nessa perspectiva, a educação se encontra precisamente no processo de significação da existência humana, permitindo ao humano ser livre, como diria Jean Paul Sartre. Compreendemos, assim, que a liberdade compõe a essência humana e exige de sua prática cotidiana a responsabilidade por suas deliberações.

A obra “O Homem Moderno – a luta contra o vazio” (Enrique Rojas) evidencia um contexto nefasto para o ser humano, ao apresentar a modernidade como um período em que o indivíduo está exposto a uma tendência que valoriza o individualismo, o pragmatismo, o hedonismo, o consumismo e o materialismo. Todavia, mesmo com estes “ismos” pulsantes na influência das decisões humanas, é por intermédio do processo educacional que o ser humano é capaz de transpor a lógica da submissão a este reducionismo do senso de liberdade e projetar-se como protagonista de si mesmo.

Para tanto, é necessário que a leitura (das palavras, das mídias e da realidade) possibilite a oportunidade da liberdade, de ver para além do óbvio, de ser para além dos padrões estabelecidos. E, pela Escola, a capacidade de ler palavras, mídias e a própria vida é ensinada como técnica e potencializada pelo projeto pedagógico como ato de emancipação do ser humano diante dele mesmo e perante o mundo.

Ensino Híbrido: a educação dinâmica em todos os lugares (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

Nesse sentido, com tantos entraves existentes à educação emancipadora, lembramos de Paulo Freire – patrono da educação brasileira – que, em 2021, tem seu centenário celebrado de forma a evidenciar que o ensino é um recurso que favorece à libertação do pensamento crítico do estudante na realidade em que está inserido. Assim, a construção da consciência social do estudante é condição para seja alcançada sua autonomia. Para isso, a ação cultural produzida na sociedade deve ser voltada para a liberdade, semelhante àquela instigada por Djavan que propõe “caetanear o que há de bom”, podemos parafraseá-lo dizendo que o processo educacional precisa “freirear o que somos de bom”.

Nós somos! Vale destacar que verbo “ser” conjugado na 1ª pessoa do plural (nós somos) necessita da compreensão dos valores existentes quando o conjugamos na 1ª pessoa do singular (eu sou), pois a composição do que “Somos” carece de uma consciência daquele que “Sou”. Podemos “Ser Mais” se, “cada um for mais” na consciência responsável de sua individualidade.

Projetos escolares colaborativos desde a Educação Infantil (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

A pandemia da Covid-19, exemplo da proposição do “eu” (indivíduo), diante do “nós” (coletivo social), trouxe demandas extras à educação e evidenciou o poder da Escola e da força de seu projeto político pedagógico para dialogar com nosso tempo. Para além da “correria cotidiana” que assola os processos reflexivos, as instituições escolares precisaram se reinventar, redescobrir e aprender a ver, a pensar, a agir, a rever e a ser. Tudo o que as instituições de ensino promoviam em seus aprendizes nas práticas cotidianas, precisou de um novo olhar: as rotinas, as parcerias e os procedimentos foram repensados e ressignificaram a Escola que precisou, novamente, aprender a aprender.

A Escola não é um espaço “parado no tempo”. A escola é uma instituição dialética que transforma o mundo (e a ela mesma) pela emancipação das pessoas. De nada adianta ensinar a “decorar” um conceito se a vivência da realidade exige competências que colocam as pessoas frente a frente com a necessidade do conhecimento para o enfrentamento das problemáticas que vão surgindo. Na pandemia está sendo assim! E a educação está para evidenciar a diferença entre aprender para uma “prova” ou criar uma autonomia que promova a liberdade, ensine o estudante a vivenciar os pilares da educação: “aprender a conhecer”, “aprender a fazer”, “aprender a conviver” e “aprender a ser” (Unesco).

Construção da autonomia: autoconhecimento e percepção do mundo (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

A Escola “pulou seus próprios muros” e adentrou nos diversos lares de nossa sociedade. Ela se tornou mais próxima das famílias. Mostrou seus limites, suas amarras e sua ineficiência. Todavia, teve a oportunidade de potencializar sua excelência em diversas localidades, destacando que o ato de educar existe para ensinar as habilidades e competências para viver no mundo em constante transformação.

Desta forma, a estrutura física e os processos escolares foram remodelados pelas instituições de ensino. Adaptar os regimentos escolares ajustando-os para as demandas do ensino remoto e/ou híbrido, treinar competências de flexibilidade frente às mudanças constantes de calendário escolar, ajustar-se para as novas demandas familiares surgidas com as crises da pandemia foram alguns dos desafios que envolveram o ambiente educacional. As escolas ampliaram o diálogo com as famílias, exercitando a escuta ativa no cultivo de parcerias. E, neste cenário de reexistência, a Escola reaprendeu a produzir sua essência. A Escola é o espaço em que a Educação se faz presente, que a aprendizagem se efetiva, que o conhecimento tenha voz e vez e que, conjuntamente com as famílias, oportuniza a formação de estudantes íntegros, interativos e investigativos.

Para tanto, a Escola precisa ter essência! As instituições escolares devem ter um projeto educacional que seja vivo, se adaptando ao mundo em que está presente. Não apenas “estar” no mundo, mas “ser” o mundo que se deseja construir. É ser “essência de humanidade”, de relação de empatia, de efetiva produção do conhecimento baseada nas diversas formas de conhecer: na ciência, arte, filosofia, cultura, compreensão do senso comum e superação do discurso parcial que ele carrega. É pelo desenvolvimento racional e sensível do mundo que se solidifica o projeto formativo de qualidade de uma nação!

Incentivar a leitura é formar para a liberdade (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

Nessa perspectiva, a escola necessita ser política na amplitude do termo. É por meio dos valores propagados pela Escola que suas parcerias são configuradas. Dentre as variadas parcerias de uma instituição educacional, o material didático é uma delas e deve ser capaz de estar alinhado aos seus respectivos pilares formativos, devendo inspirar, provocar, “ser junto”, valorizar as inteligências múltiplas e ajudar na construção do conhecimento por meio de uma aprendizagem dinâmica, que promova a interação entre os saberes e as experiências investigativas dos estudantes.

Um exemplo disso é o que ocorre no Colégio Jardim Anália Franco (“Anália”), escola da Zona Leste de São Paulo. Uma escola com mais de 40 anos de existência que tem uma proposta pedagógica inovadora e que edifica uma formação acadêmica inspirada em tendências internacionais que promovem competências e habilidades para a vida. É uma escola que forma para as aprovações nos vestibulares diversos e, além disso, entende que o vestibular é uma etapa da vida, dentre outras tantas necessárias. Neste período de ressignificação das ações, o colégio buscou atingir os bons resultados acadêmicos e manter um ambiente organizacional e educativo de excelência. Diversas parcerias foram aprimoradas visando promover o espírito íntegro, interativo e investigativo para o enfrentamento dos desafios do mundo global, tais como o trabalho integrado com Cia Dom Caixote (Companhia de Teatro), a Seppo (Plataforma Finlandesa de Gamificação) e o UNO Educação.

Vivenciar a arte e perceber o mundo (Colégio Jardim Anália Franco e Cia Dom Caixote)

 

Mas, no âmago do desafio educacional em plena pandemia, a principal parceria da Educação se efetivou com as famílias. A Escola se materializou, ainda mais, nos lares das famílias. O espaço maker se efetivou nos quartos, a sala se tornou um núcleo transmídia, a proposta de sustentabilidade foi vivenciada na cozinha e o corredor virou local para a prática de atividades físicas. A tão falada “parceria família-escola” melhorou seu alicerce. Uma sinergia passou a acontecer com lives, reuniões pelas plataformas virtuais e, sobretudo, muito diálogo para otimizar as demandas que surgiram neste período, entregando um serviço educacional significativo à vida contemporânea.

 

Participação da família faz a diferença na formação da criança (Colégio Jardim Anália Franco-SP)

 

Sempre é válido destacar que a essência da Escola perpassa pelos profissionais que a integram. Uma Escola bem estruturada é aquela que seus profissionais são pessoas educadoras por excelência. Formam com o exemplo e com procedimento técnico, possibilitando o melhor de si mesmo para o desabrochar do melhor de cada estudante. A segurança, simpatia e personalização no atendimento feito pelas equipes de portaria e recepção, o suporte dos setores administrativos e financeiros para a execução do projeto pedagógico, a estruturação dedicada das equipes de manutenção e limpeza, a qualidade da alimentação produzida pela equipe nutricional, o acompanhamento nos detalhes dos auxiliares e estagiários e, em consonância a todos eles, os profissionais que agem diretamente com a sistematização das competências e habilidades que os estudantes estruturarão em suas vidas: os professores.

Uma equipe docente de qualidade possibilita um maravilhoso ambiente organizacional e uma formação de excelência para que o(a) estudante se descubra e tenha ousadia de se tornar o que deseja ser. É pela ação dos professores, que também aprendem a aprender cotidianamente, que a democracia é ensinada, a tolerância praticada e o “plantio e cultivo” da esperança são provocados em cada criança, jovem e em toda comunidade educativa. Os docentes não criam asas nos aprendizes, eles os encorajam ao ato de voar!

Inspirado no grande educador Rubem Alves, podemos afirmar que a Escola (e a Educação) não pode ser “gaiola” que aprisiona, que coloca as pessoas sob controle, atua com coercitividade gerando o medo, desempodera a criatividade. Ela, ao contrário, a exemplo do que é ressignificado no Anália diariamente, encoraja o “voo”, admira a liberdade com responsabilidade, entende as pessoas em sua individualidade e em seu contexto, potencializa a ousadia de aprender a ser, a pensar, a filosofar e a agir em múltiplas situações. Escola é isso: um projeto para o ser humano “voar”, ser capaz de concretizar os sonhos mais elevados para a transformação positiva de si mesmo e do mundo que o cerca. Estamos esperando você para voar conosco! Vamos juntos?

 

Prof. Sérgio da Costa Bortolim

Mestre em Políticas Sociais e Especialista em Educação.

Licenciado em Filosofia e Pedagogia.

Diretor Pedagógico do Colégio Jardim Anália Franco.

 

 

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